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O irreparável - Charles Baudelaire

 
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t. h. abrahao

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MensagemEnviada: 21/10/2009 - 07:57:14    Assunto: O irreparável - Charles Baudelaire Responder com citação

O irreparável
Charles Baudelaire



Como abafar este Remorso interminável,
Que vive, se enrosca e se agita,
E se nutre de nós como um verme insaciável,
Qual do carvalho o parasita?
Como abafar este Remorso inexorável?

Em que filtro, em que vinho, em que amarga tisana
Afogar tal praga inimiga,
Gulosa e predatória como uma mundana,
Paciente como uma formiga?
Em que filtro? — em que vinho? — em que amarga tisana?

Ah, dize, ó feiticeira! Dize, se és capaz,
A esta alma que o tormento assola,
Como a de quem, em meio aos que agonizam, jaz
E o casco do cavalo esfola,
Ó bela feiticeira! Ah, dize, se és capaz,

Ao moribundo a quem o lobo já fareja
E a gula do corvo amortalha,
A este soldado que, batido, ainda peleja
Por uma tumba e uma medalha;
O moribundo a quem o lobo já fareja!

Como clarear um céu ao sol indiferente,
Rasga-lhe as trevas em cortejo,
Mais densas do que o breu, sem aurora e sem poente,
Sem astro ou fúnebre lampejo?
Como clarear um céu ao sol indiferente?

A esperança que luz nos vidros da Estalagem
Desfez-se em meio ao torvelinho!
Sem raios nem luar, onde achar-se hospedagem
Aos mártires de um mau caminho?
Satã tudo extinguiu nos vidros da estalagem!

Amável feiticeira, adoras os danados?
Conhece o que nunca é salvo?
Conheces do Remorso os dardos aguçados?
Que o coração nos fazem de alvo?
Amável feiticeira, adora os danados?

O Irreparável rói com a presa maldita
Nossa lama, indigno monumento,
E muita vez ataca, assim côo a térmita,
O prédio por seu fundamento.
O irreparável rói com a presa maldita;

— Por vezes vi, ao fundo de um teatro banal
Que inflamava a orquestra sonora,
Uma fada acender no horizonte infernal
Uma miraculosa aurora;
Por vezes vi, ao fundo de um teatro banal,

Um Ser feito somente de ouro, gaze e luz
Que o enorme Satã vencera;
Porém meu coração, que êxtase algum seduz,
É como um teatro onde se espera,
Em vão e para sempre, o Ser de asas de luz!






L'Irréparable
Charles Baudelaire



Pouvons-nous étouffer le vieux, le long Remords,
Qui vit, s'agite et se tortille
Et se nourrit de nous comme le ver des morts,
Comme du chêne la chenille?
Pouvons-nous étouffer l'implacable Remords?

Dans quel philtre, dans quel vin, dans quelle tisane,
Noierons-nous ce vieil ennemi,
Destructeur et gourmand comme la courtisane,
Patient comme la fourmi?
Dans quel philtre? — dans quel vin? — dans quelle tisane?

Dis-le, belle sorcière, oh! dis, si tu le sais,
À cet esprit comblé d'angoisse
Et pareil au mourant qu'écrasent les blessés,
Que le sabot du cheval froisse,
Dis-le, belle sorcière, oh! dis, si tu le sais,

À cet agonisant que le loup déjà flaire
Et que surveille le corbeau,
À ce soldat brisé! s'il faut qu'il désespère
D'avoir sa croix et son tombeau;
Ce pauvre agonisant que déjà le loup flaire!

Peut-on illuminer un ciel bourbeux et noir?
Peut-on déchirer des ténèbres
Plus denses que la poix, sans matin et sans soir,
Sans astres, sans éclairs funèbres?
Peut-on illuminer un ciel bourbeux et noir?

L'Espérance qui brille aux carreaux de l'Auberge
Est soufflée, est morte à jamais!
Sans lune et sans rayons, trouver où l'on héberge
Les martyrs d'un chemin mauvais!
Le Diable a tout éteint aux carreaux de l'Auberge!

Adorable sorcière, aimes-tu les damnés?
Dis, connais-tu l'irrémissible?
Connais-tu le Remords, aux traits empoisonnés,
À qui notre coeur sert de cible?
Adorable sorcière, aimes-tu les damnés?

L'Irréparable ronge avec sa dent maudite
Notre âme, piteux monument,
Et souvent il attaque ainsi que le termite,
Par la base le bâtiment.
L'Irréparable ronge avec sa dent maudite!

— J'ai vu parfois, au fond d'un théâtre banal
Qu'enflammait l'orchestre sonore,
Une fée allumer dans un ciel infernal
Une miraculeuse aurore;
J'ai vu parfois au fond d'un théâtre banal

Un être, qui n'était que lumière, or et gaze,
Terrasser l'énorme Satan;
Mais mon coeur, que jamais ne visite l'extase,
Est un théâtre où l'on attend
Toujours. toujours en vain, l'Etre aux ailes de gaze!


Editado pela última vez por t. h. abrahao em 21/10/2009 - 07:58:04; num total de 1 vez
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