Paraíso Niilista – O Vazio e o Nada se encontram



Entrevista: Antônio Abujamra

 
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t. h. abrahao

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MensagemEnviada: 30/01/2005 - 04:22:57    Assunto: Entrevista: Antônio Abujamra Responder com citação

ABU - CURTO E GROSSO





Não faltariam adjetivos para definir esse artista. Mas ele [Antônio Abujamra] exercita, no palco e fora do palco, o mais consagrador de todos: fingidor (com licença de Fernando Pessoa, que atribui aos poetas tal adjetivo: "O poeta é um fingidor/Finge tão completamente/Que chega a fingir que é dor/ A dor que deveras sente"). Abu merece, sua entrevista é um show de berros, coices, pausas, frases cortantes e lembranças ternas, julgamentos assustadores (até dele próprio) e declarações generosas. Tudo fingimento?

TRECHO I

Marina Amaral - Vamos começar pelo que você estava falando agora. Por que você odeia dar entrevistas e por que odeia ainda mais dar entrevista para a Caros Amigos?
Antonio Abujamra - Não é uma pergunta boa! É uma pergunta medíocre e eu detesto perguntas medíocres. "Por que você não gosta de dar o rabo? Por que você não gosta de dar isso? Por que não gosta de dar aquilo?" Não é uma boa pergunta. Dar entrevistas? Não sou bom para dar entrevistas. Não sou uma Marilena Chauí, que sabe responder bem. Não sei fazer entrevistas boas, sei fazer entrevistas pensadas, organizadas, principalmente porque durante 51 anos dando entrevistas só me foderam nas entrevistas. Eu falo uma coisa, sai outra. Depois: "Ah, não, conosco não, conosco não". É tudo mentira, é tudo igual. Os gutemberguianos... Eu odeio esses gutemberguianos. Veio a eletrônica e acabou Gutemberg, acabou... Vocês não existem mais. Dar entrevista? Eu não quero saber de dar entrevista. Vou responder aqui de má vontade, irritado. Odeio dar entrevistas, principalmente para a Caros Amigos.
Mylton Severiano - Então, posso fazer uma pergunta ou não?
Antonio Abujamra - "Posso fazer?" Primeiro não pergunta, faz! "Posso fazer?" Seja macho!
Mylton Severiano - Eu não fiz uma afirmação, fiz uma pergunta.
Antonio Abujamra - Mas "posso perguntar" parece coisa de garotinho. Você já é um senhor idoso.
Mylton Severiano - Gostaria de te ouvir porque não te conheço direito. Como você veio parar nas artes?
Antonio Abujamra - Aonde?
Mylton Severiano - Nas artes.
Antonio Abujamra - Porque tentei britar pedras e não agüentei, era muito difícil. Aí, passei para as artes, para o teatro.
Mylton Severiano - Sem brincadeira... A primeira entrevista que me mandaram fazer, por coincidência, foi com você. Faz quarenta anos. E você estava começando a sua carreira no teatro, com Sorocaba, Senhor, não sei se você lembra. Como você veio parar ali?
Antonio Abujamra - Por náusea. Por nojo. Por ódio. Eu morava em Porto Alegre...
Mylton Severiano - Você nasceu em Porto Alegre?
Antonio Abujamra - Não, nasci em Ourinhos, Estado de São Paulo. Educado por uma cunhada, em Porto Alegre, que me deu um certo amor pelas leituras clássicas. Estou morando em Porto Alegre, fugido de casa – porque tinha feito umas barbaridades, fugi de casa, tinha um irmão em Porto Alegre e ele disse: "Vem pra cá". Aí passei pelo Rio, vi a Copa do Mundo de 50 no Rio. Era um meninote. Aí chego em Porto Alegre e começo a estudar. Tentaram que eu fosse militar ou padre.
Mylton Severiano - Coisa horrorosa.
Antonio Abujamra - Aí escrevi um poema em Porto Alegre e diziam que eu era melhor que o Manuel Bandeira. Eu sabia que não era. Escrevia outro e diziam que eu era melhor que o Drummond de Andrade. Eu sabia que não era. Dirigia uma peça no teatro universitário e diziam: "Você é gênio". Eu sabia que não era. Então, achei o Brasil uma merda igual a mim e falei: "Quero sair deste país". Aliás, acho até agora uma merda. Queria sair deste país. Aí, cheguei na faculdade e disse: "Qual é o curso mais rápido que tem?" "Filosofia e curso de jornalismo." Eu tenho esse curso de jornalismo abominável que vocês têm. E fiquei três anos lá e três anos fiquei preparando a minha saída do Brasil. Tem gente que não precisa sair do Brasil. Carlos Drummond de Andrade não precisou sair. Walmir Ayala não precisou sair. Tem milhões de brasileiros geniais que não precisaram sair. Eu precisei sair. Consegui uma bolsa para a Espanha e lá fui eu. Cheguei em Madri e comecei a perceber que a minha cabeça estava igual. Por mais que estudasse lá literatura e arte, por mais que estudasse poesia, por mais que estudasse teatro, por mais que fizesse espetáculos de poesias brasileiras, percebia que a minha cabeça continuava igual, não conseguia descobrir como aumentar o volume da minha cabeça, era sempre aquilo, eu não evoluía. Aí comecei a tentar me mexer um pouquinho mais. Jovem, furiosamente delicado, falei: "Vou sair de Madri, vou botar a mochila". Porque carona, naquela época, era cultura. Então, peguei carona, com um pouquinho de dinheiro no bolso, uma miséria, desci pelo sul da Espanha todo, Granada, Sevilha, até lá embaixo, Cádiz. Claro que, levando debaixo do braço Rafael Alberti, levando Miguel Hernández, Antonio Machado, Pablo Neruda e um pouquinho de Lorca, que não me interessa muito. Uma infelicidade terem matado esse cara, poderia ter feito coisas maravilhosas. Mas, como poeta, realmente, os outros me interessam mais. Aí, eu estava lá, mas minha cabeça continuava igual, apesar das leituras. Falei: "Vou fazer o norte da África por terra, carona". Chego no Marrocos, numa cidade chamada Fez, aquelas mulheres com aquele negócio tapando o rosto: "Que cidade é essa? O que é isso? O que essas mulheres querem? Isso é machismo? Isso é capitalismo? Isso é política? Isso é cultura?" Mesmo as putas estavam com aquilo lá, mas com a bolsinha assim, tal... Não entendia direito, não conseguia entender. Ficava maravilhado com aquilo e disse: "Vou continuar assim, vou seguir pela África". Passo pela Argélia... Você perguntou como cheguei até aqui, estou contando a minha vida...

TRECHO II

Mylton Severiano - Você disse que televisão é rascunho, é isso?
Antonio Abujamra - Quando eu disse essa frase, por exemplo, para o meu amigo que está quase morrendo agora, o Walter Avancini, ele falou: "Não é, não". E tal. As pessoas que tratam a televisão como obra de arte estão perdidas; a televisão é rascunho, tem que experimentar muito, tem que ver o que quer dizer isso, ninguém sabe fazer televisão direito. Aliás, quatro ou cinco sabem fazer televisão direito, mas só dois ou três sabem ver televisão direito. Mas não tem importância, quanto pior, melhor, as coisas vão piorando... Como é que é a nossa frase aqui? "Não é uma janela aberta para o mundo, mas o nosso programa é, pelo menos, um periscópio sobre o oceano do social." Que frase mais kitsch, maravilhosa. A televisão é o que você quer que seja, já fiz tudo em televisão. Quando veio o ato institucional, virei uma puta. "O que vocês querem que eu faça? O Zé do Caixão?" Eu fazia, não queria perder o meu métier, a minha capacidade de fazer e fiz de tudo, novela, Zé do Caixão, aula de comércio exterior, um negócio assim, maravilhoso, comércio exterior! Aula de filosofia, fazíamos coisas fantásticas aqui. Não queriam dizer nada!
Marina Amaral - Li em algum lugar que você ficou dezessete anos querendo fazer esse programa, o Provocações.
Antonio Abujamra - É maravilhosa a história desse programa: eu era muito amigo do João Saad, trabalhei naquela emissora, cinco... não sei quanto tempo. Trabalhei na Cultura uns dezoito anos, lá um tempão, fui despedido cinco vezes da Bandeirantes, com ou sem razão, mas lembro de uma despedida que foi divertida – eu queria fazer o aniversário de São Paulo e o João falou: "Vamos fazer, 25 de janeiro". Eu disse: "Então vamos colocar Paulicéia Dilacerada, lembrando a Paulicéia Desvairada do Mário de Andrade". Ele disse: "Como? É aniversário, Abujamra, é aniversário, tem que ser festa", Eu falei: "Paulicéia Dilacerada de Amor...". Aí ele aceitou. Fizemos Paulicéia Dilacerada de Amor. E, quando terminou o programa, telefonaram e disseram: "Você está despedido". Eu botava gente sem dente na praça da Sé dizendo: "São Paulo é bonito, São Paulo é bom...". O cara no trem: "Eu tenho esperança em São Paulo...". Eu era muito amigo do João, gostava muito dele e ele gostava muito de mim, só que profissionalmente eu fazia outra coisa. Bom, esse programa (Provocações): fui no velório do João, e vi aquelas pessoas todas, que eu achava que me odiavam, me abraçar com um prazer enorme, com comoção mesmo de me ver ali. Claro que todos com terno Armani último tipo, gravata, e eu turco de mercado, assim, todo fodido. Fui lá me despedir do João, e o Ivã Magalhães falou assim: "Vai falar comigo na televisão". Eu disse: "Não vou". "Vai, quero falar com você." "Você não gostava nunca de mim." "Vai falar comigo." Aí fui e ele disse: "O que você quer fazer aqui?" Eu falei: "Você me odeia, já me botou pra fora tanto, por que quer que eu faça alguma coisa?" "Você está enganado. Pra mim, você é o cara mais importante, mais inteligente da televisão brasileira, o problema é que foi muito mal assessorado." "Como?" "É. Walter Clark, Zé Otávio Castro Neves, Walter Avancini..." Pensei: "Caralho... mas tudo bem". E ele: "O que você quer fazer?" "Eu quero mudar o mundo." "Te dou o estúdio B pra você fazer um programa." Aí chamei o Gregório Bacic, o Henrique Martins e o Antonino Seabra. Gravamos o Mário Chamie, gravamos a Tiazinha, uma porção de gente. E o Ivã falou nesse dia: "Quero te apresentar o novo diretor". E me apresentou o Antônio Athayde. Vocês vejam como sou velho, eu era amigo do Austregésilo, do pai dele, que ia ver meus espetáculos no Rio. Bom, fomos para a rua, começamos a entrevistar e depois editar foi uma tragédia, não acabava mais aquela edição, até que ficou pronta. Telefonei para o Ivã Magalhães: "Tá pronto, vou te mostrar". Ele falou: "Tudo bem, então você faz o seguinte, Abu, hoje é quarta, vem amanhã porque na sexta-feira eu não trabalho mais aqui, fui despedido". Quer dizer, fui mais uma vez mal assessorado. Aí telefonei para o Athayde. "O que você quer, Abujamra?" "Estou querendo dizer que está pronto o programa." "Ah, então marca aí com a minha secretária." Caralho... Telefonei para a secretária, marquei, ela desmarcou, marcou, desmarcou, marcou. Fui lá. Perco o emprego mas não perco a frase, isso sempre na minha vida, por isso estou na sarjeta sempre. Falei para ele: "Olha aqui, você me tratou mal ao telefone". "Não, é que tinha gente perto, tinha oito pessoas na mesa..." "Não dá para tratar mal uma pessoa, eu sou um velho, você não pode me tratar mal. Seu pai era um cara maravilhoso, seu irmão eu adoro." Ele odeia o irmão porque o irmão é bicha, é o Roberto Athayde, um ator teatral maravilhoso. Bom, o que aconteceu? Essa foi sensacional. Eu aqui, ele aí, botamos o teipe. Começou o programa, tocou o telefone, ele atendeu e ficou falando oito minutos sem olhar para o teipe, e eu, imbecilmente, quando ele terminou o telefonema, falei assim: "Você quer que eu volte a fita?" "Não, não, não precisa." Assistiu a dois minutos, olhou um Ibope ali do lado. "Eu disse a vocês que o Ibope de tarde não ia funcionar..." Mais uns sete minutos. Quer dizer, não viu o programa. Terminou, ele disse assim: "Acho uma merda, só gosto de você, o resto é um lixo, não me interessa esse programa". Falei: "Tudo bem, é tua opinião, não tem problema. Não vou ler os seus poemas, fique com os seus poemas". "Ah, eu realmente tenho um livro de poemas, vou mandar pra você." "Não vai mandar livro nenhum. Tchau! Você tem a tua televisão, eu tenho a minha." Fui embora. Aí fui fazer um espetáculo em Curitiba, e fui lá na CNT, o cara adorou, mas não saiu. Falamos com o irmão do Boni, o Guga, que adorou, tentou colocar com o Lafond no SBT, não conseguiu, e o que é a vida: quando eu era professor na USP – odeio ser professor, acho que professor não ajuda nada, ninguém, falo para os professores dizerem assim: "A pior coisa para um artista é o gosto artístico de um professor" –, quando eu era professor, tinha onze alunos que não faltavam, aqueles filhos da puta, eu dizia: "Não precisa vir todo mundo sempre!". Aí eu peguei três que eu queria mexer na cabeça: Tadeu Jungle, que virou um gênio da publicidade, Carlos Lombardi, que ficou gênio, e mexi na cabeça de um outro chamado Walter Silveira, que de repente é diretor de programação da TV Cultura, que vai à minha casa e diz: "Mestre!...". Aí demos o programa pra ele, ele deu para o Jorginho, adoraram, ficaram para fazer treze semanas, só. Falei: "Quero o efêmero na televisão, quero mudar". Está há um ano! O fracasso é terrível, o efêmero ficou eterno. Por que estou contando isso? Ah, por que apareceu esse programa. Então apareceu assim e a gente está querendo mudar, dar uma arrumada, porque é inacreditável, os e-mails que a gente recebe – este país é uma merda mesmo – são de gênio pra cima, 99 por cento. Aí eu respondo: "Você já leu Shakespeare?"...

TRECHO III

Marina Amaral - O que você gosta na televisão? Tem algum programa?
Antonio Abujamra - Odeio tudo. Não é só televisão, eu odeio tudo, o ar, o mar, a mim mesmo, odeio tudo, só gosto do meu neto, o único homem que mexe na minha cabeça, como diz a minha mulher para ele. Eu não gosto de nada.
Mylton Severiano - Que idade tem esse seu neto?
Antonio Abujamra - Seis anos, vai fazer 7 em janeiro. Maravilhoso. O resto... Eu não gosto de nada. Eu faço porque viver deve ser fazer, né? Não tenho nada. Eu quero, realmente, se puder, ser aquele cara na rodoviária de sandália, bermuda, vendendo tíquete restaurante, ficha de telefone...
Marina Amaral - Você diz que o Brasil é uma merda. Você acha que sempre foi uma merda ou piorou? Como você vê esses últimos anos?
Antonio Abujamra - Desde que me conheço, só piora, cultura e educação só pioram. Aí dizem que o mundo vai assim, é mentira. Estive agora em Berlim, em Paris, em Lisboa, as coisas lá são realmente muito melhores. Fiz uma entrevista lá arrebentando com o Brasil, quase me mataram, dizendo que o Brasil é maravilhoso, é florido e tal, mas não é. Vocês, que são gutemberguianos, dão manchetes: "Cinqüenta milhões de indigentes". Vou procurar no Aurélio o que é "indigência", é pior do que pobreza, todos os jornais publicam isso e não acontece nada.
Mylton Severiano - Você não acha que isso pode ser um episódio? Porque a nossa vida é muito curta, Abujamra.
Antonio Abujamra - Pois é, na minha vida, eu odeio tudo.
Mylton Severiano - Você mencionou a ditadura militar, essa ditadura, pra mim, não acabou ainda...
Antonio Abujamra - Você é provocador mais que eu, hein?
Mylton Severiano - ...ela não acabou ainda, né? Para uma vida, você não acha que é muito cedo pra falar que o Brasil é uma merda?
Antonio Abujamra - Você não está entendendo. O que eu quero dizer é o seguinte: para a minha vida, tudo piorou. Pode ser que para o filho do meu neto, para o bisneto, pode ser que não. Para mim, as coisas só pioraram, não vi melhora cultural, não vi melhora educacional, vi somente esse neoliberalismo abrindo faculdades de fundo de quintal, a educação só piorando, eu não estou entendendo o que acontece.
Mylton Severiano - Mas você está cumprindo o seu papel.
Antonio Abujamra - Ah! Mas eu não sou padre, cumprir meu papel! Que é isso? Eu faço meu teatro, falo mal. O meu espetáculo agora lá no Rio... a crítica arrebentou, mas o público aplaude de pé e grita "bravos". Faço o público todo gritar. Falo sobre a democracia, digo que a democracia é fashion, tecnológica, maravilhosa, que só numa democracia ocidental fantástica como essa podemos falar como são asquerosos, sujos, canalhas os nossos políticos. E vou arrebentando. Temos que falar qualquer coisa. Temos que falar assim: "Senhores, isso aqui não é Kosovo, este país não é a Bósnia, não é o Paquistão". Será que não é? Mas digo que não é. "Vocês comeram a comida do povo, vocês comeram a música brasileira maravilhosa." Não entendo por que ainda não aconteceu o desastre de uma guerra civil! É porque Deus ainda não nos entendeu. Aí eu digo: "Nós sabemos que todo governo é filho da puta!" Aí entram dois atores e dizem: "Você tem razão, Abujamra, todo governo é filho da puta". "E vocês aí? Vocês também acham?" "Também." "E desse lado aqui?" "Também." E fica um negócio que parece que eles vão fazer a revolução. Aí eu digo: "Chega, chega, chega! Senão eles saem daqui e derrubam o Fernando Henrique. Calma!". E aí eles se aplaudem, entendeu? Não é que me aplaudam, eles se aplaudem. Eu fazer a minha vida não quer dizer nada. Queria, sei lá. Não me enche o saco! Não me enche o saco! Que mais? Acabou!
Marina Amaral - Não.
Antonio Abujamra - O que é isso? Caralho! Tenho que almoçar. Comer primeiro, depois a moral. De quem é? Brecht. Senhores que pretendem nos moralizar: "Você é bom, Abujamra, você faz bem". Nos dêem primeiro o que comer. Comer primeiro, depois a moral.
Marina Amaral - Como foi a sua experiência como professor?
Antonio Abujamra - Não foi questão de preferência. Eu jogo em cavalos, perco dinheiro, entendeu? Minha mulher me agüenta há 45 anos, é uma santa. Deve a mim, se não fosse eu ela não seria uma santa, na classe teatral todo mundo gosta muito mais dela do que de mim. Ah, tenho dois filhos, um é maravilhoso, que é o mais velho, faz economia e trabalha no Senai; e um é artista, que faz música, um gênio. Não é porque é meu filho! Não é porque é meu filho! O outro filho: "Não fala de mim, pai, quero ser low profile...". Entendeu? Então eu tô aí... O que você perguntou? Ah, então eu trabalhava e, "onde vou ganhar um dinheirinho?" "Professor." "Onde é que vou ganhar um dinheirinho?" "Televisão." Eu busco trabalho.

Entrevistadores: Marina Amaral, Julianne M. do Carmo, Marina Vergueiro, Mylton Severiano.


Editado pela última vez por Lenore em 11/05/2006 - 14:59:23; num total de 1 vez
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MensagemEnviada: 01/02/2005 - 03:59:14    Assunto: 0.o Responder com citação

Inteligente, sarcástico, boca suja, enfim, um tremendo filho da mãe de dar inveja.

Será que ele é assim mesmo, ou é só um personagem que ele criou pra ser mais interessante e se destacar dos demais?
Bom, seja como for, adoro o jeito dele.
Toda a entrevista tá massa, mas essa parte me fez rir bastante:


Citação:
Mylton Severiano - Então, posso fazer uma pergunta ou não?

Antonio Abujamra - "Posso fazer?" Primeiro não pergunta, faz! "Posso fazer?" Seja macho!

Mylton Severiano - Eu não fiz uma afirmação, fiz uma pergunta.

Antonio Abujamra - Mas "posso perguntar" parece coisa de garotinho. Você já é um senhor idoso.

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Flávia Dellamura
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MensagemEnviada: 15/02/2005 - 17:16:00    Assunto: Responder com citação

pena que não tem a entrevista inteira, porque algumas partes que não estão disponíveis na internet são muito boas também. e o Abu leva a sério mesmo isso de ser um provocador. não só leva a sério como faz muito bem o papel... aliás, se é um papel ou se é o jeito dele mesmo eu não sei; mas que é show, isso é.

pra quem se interessar:

Programa Provocações: todo domingo na TV Cultura, às 23h


Editado pela última vez por t. h. abrahao em 15/02/2005 - 17:17:35; num total de 2 vezes
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