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senhor Krauze - Alberto Lins Caldas

 
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Fabrício de Lima




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MensagemEnviada: 01/04/2010 - 01:22:32    Assunto: senhor Krauze - Alberto Lins Caldas Responder com citação

senhor Krauze





vou lhe contar uma história
pra noite ficar menor.
era uma vez
um homem invisível.
um homem que foi ficando transparente.
conheci ele há muito tempo.
todo dia ele me visitava.
a gente conversava coisas de todo dia.
coisas da gente
você sabe.
a gente gostava muito de estar juntos.
ele adorava porque eu era seu único amigo.
o único que via ele.
eu gostava
porque podia fazer alguém feliz.
chamava ele de leão.
de camaleão.
isso deixava ele mais compacto.
como se ter um nome desse um corpo pra ele.
mas não demorava nada
e ele ficava triste de uma tristeza sem fim.
não contou direito como tudo começou.
de um momento pro outro
se sentiu transparente.
igual ao que tava ao redor.
ele era o que tava perto.
disse que ficou com muita vergonha.
isso nos primeiros dias.
depois passeava como um fantasma
sem coragem pra gritar que tava ali.
ninguém percebia ele.
ele tava invisível.
ou tão transparente que dá no mesmo.
com o tempo notou
que ninguém via ele não era porque fosse
tão invisível assim
mas porque ninguém olhava
nem pra ele nem pra nada.
eram como se fossem cegos.
ele compreendeu
que tudo era ilusão e falsidade.
não era que ele fosse invisível.
ninguém via ninguém.
ninguém via nada.
só ele se via e via os outros.
não era preciso que ninguém olhasse o mundo.
tudo funciona sem ninguém precisar ver nada.
pensar nada.
sentir nada.
aí ele passou a sentir os cheiros.
os sabores.
as cores.
os vazios.
os contornos do vento.
e a noite.
como se nunca tivesse vivido.
mas tava infeliz.
tava só.
sem amigos.
sem família.
sem nada.
como se não existisse.
foi dessa maneira que encontrei ele.
sentado na calçada.
chorando baixinho
pra não incomodar ninguém.
sentei ao lado dele
e perguntei por que tava chorando.
ele se assustou.
olhou pra mim
como se tudo tivesse passado.
mas ainda ninguém via ele.
olhou e perguntou
se eu tava vendo ele mesmo.
eu disse que sim.
e por que ele tava perguntando aquilo.
pensei que era louco
até ele me contar a história dele.
não acreditei mas depois
andando com ele pela rua
vi que somente eu existia.
ele era mesmo invisível.
ninguém prestava atenção nele.
tentei resolver o caso
mas desisti.
tavam pensando
que o louco era eu.
a gente se conformou
e moveu muitas horas de boa conversa
onde se disse tudo
que se diz pra um amigo.
até o dia em que encontrei ele morto.
gostava muito de tomar chá com ele.
hoje não lembro mais
nem onde tá enterrado.
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