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Der Wille Zur Macht, §227

 
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t. h. abrahao

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MensagemEnviada: 30/01/2005 - 11:22:01    Assunto: Der Wille Zur Macht, §227 Responder com citação

obs.1: este excerto foi retirado do livro Vontade de Potência. Por ter sido uma obra "editada" portumamente, há um embaraço de idéias e uma falta de clareza nos argumentos. Nietzsche somente escreveu o esboço do que seria um tratado filosófico que resumisse sistematicamente as suas opiniões e, por ser um apanhado geral do que seria lapidado posteriormente, apresenta uma aparência "desleixada", como um rascunho, uma base para a futura construção - que, infelizmente, não se realizou - do Ensaio de uma transmutação de todos os valores.
obs.2: digitei este trecho às 4h da manhã. Se houver algum erro ortográfico, bem, fui eu mesmo que errei. ](*,)



§227

Origem dos valores morais



O egoísmo vale o que fisiologicamente vale aquele que o possui.

Cada indivíduo representa toda a linha da evolução (não somente, segundo o entende a moral, algo que começa com o nascimento); se representa a evolução ascendente da linha homem, seu valor é, efetivamente, extraordinário; e o cuidado que inspira a conservação e a proteção de seu crescimento pode ser extremo. (A inquietação da promessa do futuro que está nele, dá ao indivíduo bem-nascido um extraordinário direito ao egoísmo.) Se representa, na evolução, a linha descendente, a decomposição, a enfermidade crônica, devemos atribuir-lhe pouco valor: e a mais simples eqüidade determina que ele arrebate aos homens bem-nascidos o menos possível de espaço, de força e de sol. Neste caso a sociedade tem o direito da opressão ao egoísmo (o egoísmo algumas vezes pode manifestar-se de maneira absurda, doentia, sediciosa -): como se se tratasse de indivíduos ou de camaradas populares que inteiramente se estiolam e perecem. Uma doutrina e uma religião do "amor", da opressão à afirmação de si, uma religião de paciência, da resignação, da ajuda mútua, em ação e palavras, podem ser de valor superior em semelhantes camadas, até aos olhos dos dominadores: porque elas reprimem os sentimentos de rivalidade, de ressentimento, de inveja, próprio dos deserdados - divinizam-lhes sob o nome de ideal da humildade e da obediência, o estado de escravidão, de inferioridade, de pobreza, de doença, de sujeição. Isso explica porque as classes (ou raças) dominantes, assim como os indivíduos, têm mantido sem cessar o culto do altruísmo, o evangelho dos humildes, o "Deus na cruz".

A preponderância das apreciações altruístas é conseqüência de um instinto em favor do que é mal-mascido. A mais profunda apreciação julga assim: "eu não valho grande coisa" - este é um julgamento puramente fisiológico, e mais exatamente: um sentimento de impotência, a falta de um grande sentimento afirmativo de potência (nos músculos, nos nervos, nos centros de movimento). A apreciação traduz-se segundo a cultura específica dessas camadas, em julgamento moral ou religioso (a preponderância dos julgamentos religiosos ou morais é sempre sinal de cultura inferior); ela busca os fundamentos nas esferas por onde a idéia de "valor" atingiu o seu conheciemnto. A interpretação pela qual o pecador cristão crê compreender a si mesmo é uma tentativa para encontrar justificada a falta de domínio e de confiança em si: gosta mais de sentir-se culpado do que julgar-se vãmente mai. É já um sintoma de decomposição ter necessidade de uma interpretação desse gênero. Em outros casos o deserdado não busca a razão do seu infortúnio em sua "culpa", como faz o cristão, mas na sociedade, como o socialista, o anarquista, o niilista - ao considerar sua existência como algo de que alguém deve ser a causa; estes se aproximam do cristão que também crê possível suportar melhor seu mal-estar e sua má conformação desde que delas possa tornar alguém responsável. O instinto da vingança e do ressentimento aparece aí, nos dois casos, como meio de suportar a existência, como uma espécie de instinto de conservação: da mesma forma que a preferência outorgada à teoria e à prática altruístas. O ódio do egoísmo, quer contra o próprio (no cristão), quer contra o de outrem (no socialista), aparece assim como uma avaliação sob o predomínio da vingança; e, por outro lado, como uma astúcia do espírito de conservação, entre os que sofrem pelo aumento de seus sentimentos de mutualidade e de reciprocidade... Afinal de contas, como já indiquei, essa descarga do ressentimento que consiste em julgar, em rejeitar e em punir o egoísmo (aquele que vos é próprio ou estranho), é ainda o instinto de conservação entre os deserdados. Em suma, o culto do altruísmo é uma forma específica do egoísmo que se apresenta regularmente nas condições fisiológicas particulares. - Quando o socialista exige, com uma bela indignação, a "justiça", o "direito", os "direitos iguais", encontra-se somente sob o império de sua cultura insuficiente que não sabe compreender o porquê de seu sofrimento: por outro lado é um prazer para ele; - se se encontrasse em melhores condições abster-se-ia de gritar assim: encontraria então seu prazer em outra parte. O mesmo se dá com o cristão: este condena, calunia e amaldiçoa o "mundo", - não excetua nem a si mesmo.

Mas isso não é razão para que tomemos a sério as suas gritarias. Nos dois casos, estamos ainda entre doentes a quem faz bem gritar; a quem a calúnia oferece um alívio.


NIETZSCHE, Friedrich. Vontade de Potência. Livro Segundo: Crítica dos Valores Superiores. Trad. Mário D. F. Santos. Editora Ediouro. Rio de Janeiro: 1986.
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Eustaquio Maia




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MensagemEnviada: 12/06/2005 - 11:25:11    Assunto: As duas categorias humanas Responder com citação

Em suma, poder-se-ia dividir o humanidade em duas categorias gerais: os que estão mamando (no poder) e os que querem mamar (tomar o poder). É isso aí! Smile
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Eustáquio Maia
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