Paraíso Niilista – O Vazio e o Nada se encontram



Um diálogo - Hume

 
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MensagemEnviada: 22/07/2005 - 08:34:22    Assunto: Um diálogo - Hume Responder com citação

Um Diálogo


Meu amigo Palamedes, que divaga muito em seus princípios tanto quanto pela vida, e que percorreu através de seus estudos e de suas viagens quase todas as regiões do mundo intelectual e todas as do mundo material, surpreendeu-me recentemente com um relato que ele me fez de uma nação onde, segundo ele, passou uma parte considerável de sua vida e que ele considerou, essencialmente, como um povo extremamente civilizado e inteligente.
Existe no mundo, disse ele, um país chamado Fourli (pouco importa sua longitude e sua latitude), cujos habitantes têm, sobre muitas coisas, e particularmente sobre a moral, maneiras de pensar diametralmente opostas às nossas. Quando estive entre eles, descobri que precisava submeter-me a um duplo esforço: em primeiro lugar, para aprender os sentidos dos termos de sua linguagem, em seguida, para conhecer o valor destes termos e o louvor ou a censura que estavam ligados a eles. Quando uma palavra me foi explicada e descrito o caráter que ela exprimia, conclui que era preciso necessariamente que um tal epíteto fosse a maior censura no mundo; e fiquei extremamente surpreso ao descobrir que alguém o aplicava, na sociedade, a uma pessoa com quem ele vivia na intimidade e na amizade mais estreitas. Você imagina, disse eu um dia a um de meus conhecidos, que Changuis é seu inimigo mortal; e que eu gostaria de terminar com a discórdia; e eu devo, portanto, dizer a você que eu o ouvi falar de você de maneira muito cortês. Mas, para minha grande surpresa, quando eu repeti as palavras de Changuis, embora eu estivesse perfeitamente lembrado delas e as tivesse compreendido perfeitamente, descobri que elas eram tomadas pela mais mortal afronta e que muito inocentemente eu tinha tornado absolutamente irreparável a discórdia entre estes dois homens.
Como tive a sorte de chegar a esta nação em condições muito vantajosas, fui imediatamente introduzido na melhor sociedade; e Alcheic desejou que eu convivesse com ele e eu aceitei de bom grado seu convite; visto que eu o achei universalmente estimado por seu mérito pessoal; e, certamente, era considerado por todos de Fourli como alguém de boa reputação.
Um dia ele me convidou, a guisa de divertimento, a lhe fazer companhia numa serenata que pretendia dar a Gulki, por quem, disse-me, ele estava extremamente apaixonado. Eu vi logo que seu gosto não era singular; e nós encontramos muitos de seus rivais que tinham vindo com a mesma intenção. Eu, muito naturalmente, conclui que era preciso que sua amante fosse uma das mais belas mulheres da cidade; e eu já sentia uma secreta inclinação para vê-la e conhecê-la. Mas, quando a lua começou a se levantar, fiquei muito surpreso ao descobrir que estávamos no centro da universidade onde Gulki estudava; e eu estava um tanto envergonhado por ter acompanhado meu amigo numa tal empresa.
Disseram-me em seguida que toda a boa sociedade do lugar aprovava muito a escolha de Gulki por Alcheic e que a sociedade tinha a expectativa de que, ao mesmo tempo em que satisfazia completamente sua própria paixão, ele prestasse a aquele jovem o mesmo favor que ele mesmo tinha recebido de Elcouf. Parece que Alcheic tinha sido muito generoso em sua juventude, tendo sido cortejado por muitos amantes; mas ele tinha sobretudo dado seus favores ao sábio Elcouf; a quem, supunha-se, devia em grande medida o espantoso progresso que tinha feito na filosofia e na virtude.
Fiquei um pouco supresso ao ver que a mulher de Alcheic (que, entre parênteses, era também sua irmã) não estivesse de modo algum escandalizada com este gênero de infidelidade.
Quase ao mesmo tempo descobri (e este não era um segredo que ele teria tentado ocultar de mim ou de quem quer que seja) que Alcheic era um assassino e um parricida, e que tinha matado uma pessoa inocente, a mais próxima ligada a ele e a quem ele era obrigado a proteger e defender por todos os laços da natureza e humanidade. Quando eu lhe perguntei com todo o cuidado e deferência imagináveis, qual foi o motivo de sua ação, ele replicou friamente que sua situação não era então tão fácil quanto no presente e que ele tinha agido, naquele particular, de acordo com a opinião unânime de seus amigos.
Como eu tinha o propósito de elevar o mais alto possível a virtude de Alcheic, procurei juntar-me ao concerto geral das aclamações e apenas pedi, por curiosidade, como um estrangeiro, qual dentre todas as suas nobres ações fora a mais altamente aplaudida; e logo descobri que todos os sentimentos uniam-se para dar preferência ao assassinato de Usbek. Este Usbek tinha sido, até o último momento, o amigo íntimo de Alcheic e tinha em relação a ele numerosas e grandes obrigações; ele lhe tinha até mesmo salvado a vida numa certa ocasião; e seu testamento que foi encontrado após sua morte, constituía-o herdeiro de uma parte importante de sua fortuna. Parece que Alcheic conspirou juntamente com aproximadamente vinte ou trinta outros, na maior parte amigos também de Usbek; eles caíram todos juntos sobre aquele homem infeliz quando ele não estava atento; e eles o dilaceraram com centenas de ferimentos; e deram a ele isso como recompensa por todos os seus favores e seus serviços passados. Dizia a voz geral do povo que Usbek tinha numerosas qualidades, grandes e boas; seus próprios vícios eram brilhantes, magníficos e generosos; mas esta ação de Alcheic coloca-o muito acima de Usbek aos olhos de todos os juizes de mérito; e é um dos mais nobres que talvez jamais o sol iluminará.
Uma outra parte da conduta de Alcheic que eu também achei altamente aplaudida foi seu comportamento em relação a Calish, com quem ele estava unido num projeto ou empreendimento de alguma importância. Calish, que era um homem apaixonado, deu um dia a Alcheic uma boa surra; este a suportou com muita paciência, e esperou o retorno do bom humor de Calish, mantendo ainda uma boa correspondência com ele; e, por este meio, conduziu a um bom resultado o negócio pelo qual eles se associaram; e, granjearam para si honra imortal pelo extraordinário caráter e moderação.
Recebi recentemente uma carta de um correspondente em Fourli, pela qual fui informado que, depois de minha partida, Alcheic caiu num mau estado de saúde, tendo se enforcado justamente e que morreu universalmente lamentado e aplaudido naquele país. Dizem todos os Fourlianos que uma vida assim virtuosa e nobre não podia ser melhor coroada que por um fim tão nobre; Alcheic provou com isso, assim como por todas as suas outras ações, qual era seu princípio constante durante sua vida, e que ele gabava-se próximo de seus últimos momentos, que um homem sábio é apenas inferior ao grande deus, Vitzli. Este é o nome do deus supremo entre os Fourlianos.
As noções de tais pessoas, continuou Palamedes, são tão extraordinárias com relação às boas maneiras e é à sociabilidade, quanto com relação à moral. Meu amigo Alcheic reuniu um dia, para divertir-me, todos os bons espíritos e os primeiros filósofos de Fourli; e cada um de nós levou seu próprio alimento para o lugar onde nos reunimos. Observei que um deles estava mais mal provido que os demais e lhe ofereci uma parte de meu alimento, que era frango assado; e não pude senão notar que ele e todos os demais companheiros sorriram de minha simplicidade. Disseram-me que outrora Alcheic interessou-se tanto por este clube até persuadir os membros a comer em comum, e que para chegar a isso ele tinha usado um artifício. Ele persuadiu aqueles que ele observou estarem mais mal providos a oferecer seu alimento para os companheiros, depois disso os outros, que tinham levado uma comida mais saborosa, tiveram vergonha de não fazer a mesma oferta. E isso foi considerado um acontecimento tão extraordinário que, depois, como ouvi dizer, foi relatado numa biografia de Alcheic, que um dos maiores gênios de Fourli compôs.
Palamedes, disse eu, gostaria de lhe perguntar se quando você esteve em Fourli, você aprendeu igualmente a arte de fazer seus amigos cair no ridículo contando-lhes estranhas histórias, depois rindo deles, se eles acreditaram em você. Eu asseguro, replicou ele, que se tivesse estado disposto a aprender uma tal lição, não haveria nenhum lugar no mundo mais adequado. Meu amigo, tão freqüentemente citado, não fazia nada, de manhã até a noite, a não ser ironizar, gracejar e zombar; e você mal podia discernir se ele estava gracejando ou falando sério. Mas você pensa, então, que minha história é improvável, e que usei, ou antes abusei, do privilégio de um viajante. Seguramente, disse eu, você não faz senão gracejar. Tais costumes bárbaros e selvagens são não somente incompatíveis com um povo civilizado e inteligente como este que você descreve; mas dificilmente são compatíveis com a natureza humana. Eles ultrapassam tudo o que temos lido dos Mingrelianos e dos Topinambous.
Tenha cuidado, bradei, tenha cuidado! Você não tem consciência que está proferindo blasfêmias e ofendendo seus favoritos, os Gregos, especialmente os Atenienses, que eu designei, o tempo todo, sob estes nomes estranhos que empreguei. Se você olhar bem, não há um traço de caráter precedente que não poderia ser encontrado no homem do mais alto mérito em Atenas, sem diminuir minimamente o brilho de sua personalidade. Os amores dos Gregos, seus casamentos e o abandono de suas crianças podem nos chocar imediatamente. A morte de Usbek é a exata contraparte da morte de César.
Tudo por uma ninharia, disse eu, interrompendo-o; você não mencionou que Usbek foi um usurpador.
Eu nada disse, replicou ele, a fim de que você não descobrisse o paralelo que eu queria estabelecer. Mas, mesmo se ajuntarmos este detalhe, não cometeríamos nenhum erro, segundo nossos sentimentos morais, denominando Brutus e Cassius de traidores ingratos e de assassinos; contudo você sabe que eles são talvez as maiores personalidades de toda a Antigüidade; que os Atenienses levantaram estátuas para eles, colocando-as junto com as de Harmodius e de Aristogiton, que os tinham libertado. Se você pensa que esta circunstância que você menciona é muito importante para absolver estes patriotas, eu a compensarei por uma outra, que não foi mencionada e que agravará ainda mais seu crime. Alguns dias antes de executar seu objetivo fatal, todos eles juraram fidelidade a César; e, afirmando que eles teriam sempre sua pessoa por sagrada, tocavam o altar com as mãos que eles já haviam armado para sua destruição .
Não preciso lembrar da famosa e aplaudida história de Temístocles e de sua paciência em relação a Euribíades, o Espartano, seu chefe, que, esquentado pelo debate, levantou seu bastão sobre ele num conselho de guerra (o que equivalia a bater-lhe). Bata! gritou o ateniense, bata! Mas escute-me.
Você é erudito o bastante para descobrir o irônico Sócrates e seu círculo ateniense em minha última história; e você certamente observará que ela é exatamente copiada de Xenofontes, com uma variação apenas dos nomes . E eu penso que deixei claro que em Atenas um homem de mérito poderia bem ser um daqueles que, entre nós, passam por incestuosos, parricidas, assassinos, ingratos, traidores que juraram falso, e alguma coisa diferente demasiado abominável para ser nomeada; para não mencionar sua rusticidade e suas más maneiras. E tendo vivido desta maneira, sua morte poderia ser inteiramente condizente. Ele teria podido concluir a cena por um ato desesperado de suicídio e morrer com as blasfêmias as mais extravagantes na boca. E, apesar de tudo isso, haverá estátuas, senão altares, erigidas em sua memória; serão compostos poemas e discursos em sua homenagem; seitas respeitáveis se orgulharão de evocar seus nomes; a mais remota posteridade continuará cegamente sua admiração. Contudo, se um homem deste gênero surgisse entre eles, eles justamente o olhariam com horror e execração.
Eu poderia duvidar de seu artifício, repliquei. Você parece divertir-se em tratar este tema; e é em verdade o único homem que eu jamais conheci, que conhece bem os Antigos e não os admira ao extremo. Mas ao invés de atacar sua filosofia, sua eloqüência ou sua poesia, estes temas habituais de discussão entre nós, você parece agora colocar em questão sua moral e acusá-los de ignorância em uma ciência que é a única, na minha opinião, em que eles não são superados pelos modernos. Geometria, Física, Astronomia, Anatomia, Botânica, Geografia, Navegação; nestas ciências está bem que reclamemos nossa superioridade. Mas que temos nós a opor aos seus moralistas? A representação que você faz das coisas é enganosa. Você não tem nenhuma tolerância em relação aos hábitos e costumes de épocas diferentes. Você quer julgar um grego e um romano segundo a lei inglesa vigente? Escutai-o defender-se segundo suas próprias máximas; e decidi em seguida.
Não há costumes tão inocentes ou tão razoáveis que não possam tornar-se odiosos ou ridículos, se os apreciarmos segundo um padrão desconhecido das pessoas; especialmente se você emprega um pouco de arte e de eloquência em acentuar certas circunstâncias e em enfraquecer outras, como melhor convém ao propósito de seu discurso. Todos estes artifícios podem facilmente voltar-se contra você. Se eu tivesse podido informar os atenienses, por exemplo, que havia uma nação onde o adultério, seja ativo ou passivo, por assim dizer, estava na mais alta voga e na mais alta estima; onde todo homem de boa educação escolheria para sua amante uma mulher casada; e talvez a esposa de seu amigo e companheiro; que eles se estimariam segundo suas conquistas infames, tanto quanto se tivessem sido várias vezes vitoriosos no boxe ou na luta nos jogos Olímpicos; onde todo homem também ficaria com orgulho de sua submissão e de sua complacência em relação a sua própria mulher e que ele estaria contente em fazer amigos ou obter vantagens ao permitir que ela prostituísse seus encantos; e mesmo sem qualquer motivo, conceder a ela plena liberdade e prazer; eu pergunto, que sentimentos os atenienses teriam de tais pessoas, eles que nunca mencionavam o crime de adultério sem ligá-lo ao roubo e a corrupção? De que ficariam eles mais supressos, da vilania ou da mesquinhez de uma semelhante conduta?
Se eu tivesse acrescentado que estas mesmas pessoas seriam também orgulhosas de sua escravidão e de sua sujeição como os atenienses de sua liberdade, e que embora um homem entre eles fosse oprimido, desgraçado, arruinado, insultado ou aprisionado pelo tirano, ele ainda consideraria como o mérito mais elevado amá-lo, servi-lo e obedecer-lhe; e mesmo morrer por sua mais ínfima glória e contentamento; estes nobres gregos provavelmente me teriam perguntado se eu falava de uma sociedade humana ou de alguma espécie inferior ou servil.
Será então que eu teria podido informar meu auditório ateniense que a estas pessoas não faltavam, entretanto, espírito nem coragem. Que se lance, em particular, um gracejo, teria eu dito, mesmo a um amigo íntimo, um gracejo bastante próximo daqueles com os quais seus generais e seus demagogos todo dia se regalam mutuamente na presença de toda a cidade, eles nunca podem esquecê-lo; mas, para vingarem-se, eles o obrigam a matá-los ou a ser ele mesmo assassinado. E se um homem, que é completamente estranho para eles, desejar, sob o risco de sua própria vida, cortar a garganta de seu amigo íntimo, eles imediatamente obedecem, e se consideram altamente obrigados e honrados pelo encargo. Estas são as máximas de honra deles. Estas é a moralidade favorita deles.
Mas, apesar desta prontidão para tirar a espada contra seus amigos e seus compatriotas, nenhuma desgraça, nenhuma infâmia, nenhuma dor, nenhuma pobreza jamais exortará estas pessoas a voltarem a sua ponta contra seu próprio peito. Um homem de posição remará nas galeras, mendigará seu pão, definhará na prisão, sofrerá todas as torturas e conservará ainda sua miserável existência. Ao invés de escapar de seus inimigos por um nobre desprezo da morte, receberá de maneira infame a mesma morte da mão de seus inimigos, agravada por seus insultos triunfais e pelos mais intensos sofrimentos.
É também muito habitual, continuei eu, entre estas pessoas, levantar prisões onde se estuda e se pratica cuidadosamente todas as artes de atormentar e torturar os infelizes prisioneiros; nestas prisões, é habitual aos pais encerrarem voluntariamente vários de seus filhos; afim de que um outro filho, que eles próprios reconhecem não ter mérito ou antes menos mérito que os demais, possa desfrutar de toda sua fortuna e chafurdar-se em todo tipo de voluptuosidade e prazeres. Não há nada de mais virtuoso, na opinião deles, que esta bárbara parcialidade.
Mas o que há de mais singular nesta extravagante nação, diria eu aos atenienses, é que uma brincadeira dos jovens durante as Saturnais, onde os escravos são servidos por seus senhores, é seriamente levada adiante por eles durante todo ano e durante todo o curso de suas vidas; acompanhada também de certas circunstâncias que aumentam ainda mais o absurdo e o ridículo. Seu divertimento eleva em apenas alguns dias os que a fortuna rebaixou, e, também por brincadeira, quem ela pode realmente elevar para sempre acima de você. Mas esta nação exalta muito aqueles que a natureza sujeitou e submeteu, e cuja inferioridade e enfermidades são absolutamente incuráveis. As mulheres, mesmo sem virtude, são suas mestras e soberanas; são elas que eles reverenciam, louvam e magnificam; é a elas que prestam a mais profunda deferência e o mais profundo respeito; em todos os lugares e em todas as épocas, a superioridade das mulheres é de bom grado reconhecida e aceita por quem quer que tenha a menor pretensão à educação e à polidez. Apenas haveria um crime tão universalmente reprovado como uma infração a esta regra.
Você não precisa continuar, replicou Palamedes; posso facilmente conjeturar qual é o povo que você tem em vista. Os traços com os quais você os descreveu são assaz exatos; e, contudo, você deve reconhecer que apenas um povo é encontrado, na antigüidade ou nos tempos modernos, cuja característica nacional seja, acima de tudo, menos sujeita à exceção. Mas eu agradeço a você por ajudar-me em minha argumentação. Não tive a intenção de exaltar os modernos às custas dos antigos. Quis apenas mostrar a incerteza de todos os juízos sobre os caracteres e convencer você que os usos, a moda, o costume e a lei são os fundamentos principais de todas as determinações morais. Os atenienses, seguramente, foram um povo civilizado e inteligente, se houve algum; e contudo seus homens de mérito poderiam, atualmente, estar sujeitos ao horror e execração. Os franceses são também, sem dúvida, um povo muito civilizado e inteligente; e contudo seus homens de mérito teriam sido entre os atenienses objeto do mais profundo desprezo e do mais completo ridículo, até mesmo de ódio. O que torna o assunto mais extraordinário é que supõe-se que os dois povos são, por suas características nacionais, os mais parecidos de todos, na antigüidade como nos tempos modernos; enquanto que os Ingleses se gabam de se parecerem com os romanos, seus vizinhos do continente estabelecem um paralelo entre eles mesmos e os gregos educados. Que profunda diferença é preciso então descobrir, para seus sentimentos morais, entre as nações civilizadas e os povos bárbaros, ou entre as nações civilizadas cujas características tem poucos traços comuns? Como pretendemos nós fixar uma regra para os juízos desta natureza?
Vejamos a questão de um ponto de vista mais elevado, repliquei eu, e examinemos os primeiros princípios que cada nação estabelece para a reprovação e a censura. O rio Rim escoa em direção ao norte, o Reno em direção ao sul; contudo, ambos nascem da mesma montanha, e também correm em direções opostas pelo mesmo princípio da gravidade. As diferentes inclinações do solo, sobre o qual eles correm, produzem toda a diferença de seus cursos.
Sobre quantos pontos o homem de mérito ateniense e o homem de mérito francês se assemelham com certeza um aos outros? Bom senso, conhecimento, espírito, eloqüência, humanidade, fidelidade, verdade, justiça, coragem, temperança, constância, dignidade de espírito; estes numerosos traços, você os tem negligenciado a todos, para insistir somente sobre os pontos sobre os quais eles podem acidentalmente diferir. Muito bem; estou quase em condições de me entender com você; e eu tentarei explicar estas diferenças a partir dos mais firmes e universais princípios da moral.
Não tomo o cuidado de examinar mais particularmente os amores do gregos. Eu observarei somente que, ainda que censuráveis, eles nasciam de uma causa muito inocente, a freqüência dos exercícios da ginástica entre aquelas pessoas, e que eram recomendados, embora absurdamente, como a fonte de amizade, simpatia, relações mútuas e fidelidade; qualidades estimadas em todas as nações e em todas as épocas.
O casamento entre primos e irmãos parece não levantar grande dificuldade. O amor entre parentes próximos é contrário à razão e à utilidade pública; mas o ponto preciso em que devemos nos deter, dificilmente pode ser determinado pela razão natural; é portanto essencialmente objeto próprio das leis e dos costumes das cidades. Se os atenienses foram um pouco longe num sentido, o direito canônico certamente colocava a questão muito mais longe em direção ao outro extremo .
Se você tivesse perguntado a um pai em Atenas, por que ele privava seu filho desta existência que ele mal apenas acabara de lhe dar? É que eu o amo, teria ele respondido; e que eu considero a pobreza que ele herdaria de mim um mal maior que a morte; pois ele é incapaz de temer, sentir ou ressentir esta .
Como a liberdade pública, a mais valiosa de todas as bênçãos, poderia ser arrancada das mãos de um usurpador ou de um tirano, se seu poder o protege da revolta pública e nossos escrúpulos da vingança privada? Que, juridicamente, seu crime seja capital, você o reconhece; é preciso que aquele que agrava seu crime ao mais alto ponto, o fato de se colocar acima da lei, constitua sua completa segurança? Você não pode responder nada, senão mostrando os grandes inconvenientes de um assassinato; quem quer que pudesse mostrar isso claramente aos Antigos teria reformado o sentimento deles sobre este ponto.
Novamente, para lançar um olhar sobre o quadro que eu tracei dos costumes modernos, reconheço que existe tão grande dificuldade de justificar a galantearia francesa quanto a galantearia grega; com a diferença apenas de que a primeira é muito mais natural e muito mais agradável que a segunda. Mas parece que nossos vizinhos decidiram sacrificar certos prazeres domésticos em nome de prazeres sociais e eles preferiram a comodidade, a liberdade e uma franqueza nas relações a uma rigorosa fidelidade e constância. Ambos estes fins são bons, e há alguma dificuldade de reconciliá-los, nós não devemos nos surpreender se os costumes das nações às vezes se inclinam muito para um lado, e às vezes muito para outro.
Reconhece-se em toda parte como uma virtude capital permanecer inflexivelmente ligado às leis de seu país; e onde o povo não é muito feliz por toda legislatura ter apenas uma única pessoa, a mais estrita lealdade é, neste caso, o mais autêntico patriotismo.
Não há nada, seguramente, mais absurdo e mais bárbaro que a prática do duelo; mas os que a defendem, dizem que ela engendra a civilidade e as boas maneiras. E, você pode observar que um duelista estima-se sempre a si mesmo por sua coragem, por seu sentido de honra, por sua fidelidade e por sua amizade; qualidades que, certamente, são aqui muito estranhamente orientadas, mas que tem sido estimadas universalmente desde o começo do mundo.
Os deuses proibiram o suicídio? Um ateniense admite que é preciso abster-se do suicídio. Deus o permitiu? Um francês admite que a morte é preferível à dor e à infâmia.
Você vê, então, continuei eu, que os princípios sobre os quais os homens raciocinam em moral são sempre os mesmos; contudo as conclusões que eles tiram são freqüentemente muito diferentes. Que todos eles raciocinam corretamente sobre este assunto, mais do que sobre qualquer outro, não cabe a nenhum moralista mostrar. Basta que os princípios originários da censura ou da reprovação sejam uniformes e que se possa corrigir as conclusões errôneas por um raciocínio mais justo e por uma experiência mais larga. Ainda que muitos séculos tenham transcorrido desde a queda da Grécia e de Roma, ainda que muitas mudanças se tenham produzido na religião, a língua, as leis e os costumes, nenhuma destas revoluções jamais produziu inovação importante nos sentimentos morais primordiais, não mais que nos da beleza exterior. Pode-se observar talvez algumas pequenas diferenças em ambos os casos. Horácio celebra uma fronte baixa, e Anacreonte sobrancelhas unidas; mas o Apolo e a Vênus antigos são ainda nossos modelos de beleza masculina e de beleza feminina; assim como, o caráter de Scipion continua a ser nosso padrão para apreciar a glória dos heróis; e a de Corneile para estimar a honra das mães de família.
Parece que jamais houve qualidade recomendada por quem quer que seja como virtude ou como perfeição moral, senão em razão de sua utilidade, ou por ser agradável a seu próprio possuidor ou aos outros. Pois que outra razão pode-se jamais atribuir ao louvor ou à reprovação? Ou onde estaria o sentido de exaltar um bom caráter ou uma boa ação que, ao mesmo tempo, admite-se ser de nenhuma utilidade? Todas as diferenças, portanto, em moral, podem ser reduzidas a este fundamento geral, e podem ser explicadas pelas diferentes visões que as pessoas tem destas circunstâncias.
Às vezes os homens diferem em seus juízos sobre a utilidade de um hábito ou ação. Às vezes também as circunstâncias peculiares das coisas tornam uma qualidade moral mais útil que outras, e dão a ela uma preferência peculiar.
Não é surpreendente que, durante um período de guerra e desordem, as virtudes militares sejam mais celebradas que as pacíficas, e atraiam mais a admiração e a atenção da humanidade. “Como é comum” diz Cícero, “encontrar Cimbrianos e Celtiberios e outros bárbaros que suportam com uma constância inflexível todas as fadigas e todos os perigos de uma campanha; mas que são imediatamente abatidos pela dor e riscos de um langor doentio; enquanto, por outro lado, os gregos pacientemente suportam a lenta aproximação da morte, quando armados com a doença e enfermidade, mas temerosamente fogem de sua presença quando ela os ataca violentamente a golpes de espadas e de cimitarras! ” Como é mesmo diferente a própria virtude da coragem entre os povos guerreiros e os povos pacíficos! E seguramente, podemos observar que, como a diferença entre a guerra e a paz é a maior que surge entre as nações e as sociedades públicas, ela produz também as maiores variações de sentimento moral e diversifica ainda mais nossas idéias de virtude e de mérito pessoal.
Às vezes também a magnanimidade, a grandeza de alma, o desdém da escravidão, o rigor inflexível e a integridade, podem melhor condizer com as circunstâncias de uma época do que com as de outra, e ter uma influência mais favorável, tanto sobre os negócios públicos e sobre a segurança e o próprio progresso de um homem. Nossa idéia de mérito, portanto, também variará um pouco com estas variações; e Labeo foi sem dúvida censurado pelas mesmas qualidades que deram a Catão a máxima aprovação.
Um mesmo grau de luxo pode ser ruinoso e pernicioso para um suíço, que não faz mais que incentivar as artes e encorajar a indústria de um francês ou de um inglês. Não devemos, portanto, esperar encontrar em Berna os mesmos sentimentos e as mesmas leis que prevalecem em Londres ou em Paris.
Os diferentes costumes tem também alguma influência assim como as diferenças de utilidade; ao dar ao espírito uma primeira inclinação podem produzir uma maior inclinação para as qualidades úteis ou agradáveis, do que por aquelas que dizem respeito ao eu ou aquelas que se estendem para a sociedade. Estas quatro fontes dos sentimentos morais subsistem sempre; mas acidentes particulares podem às vezes fazer que uma delas flua com maior abundância que uma outra.
Os costumes de algumas nações impedem as mulheres de todo comércio com a sociedade; os costumes de outras nações fazem dele um elemento tão essencial da sociedade e da conversação que, salvo nas transações dos negócios, considera-se que os homens, deixados a si mesmos, são quase totalmente incapazes de conversar e de se divertir entre si. Como esta diferença é a mais importante que possa se produzir na vida privada, ela deve também produzir a maior variação de nossos sentimentos morais.
De todas as nações do mundo onde a poligamia não era admitida, parece que os gregos foram os mais reservados em seu comércio com o belo sexo, e lhe impuseram as mais rigorosas leis da modéstia e da decência. Temos um forte exemplo disso num discurso de Lysias. Uma viúva injuriada, arruinada, maltratada, convoca uma reunião de alguns de seus amigos e de seus parentes mais próximos; e, diz o narrador, embora anteriormente ela não tivesse estado habituada a falar diante dos homens, a gravidade da situação a obrigava a expor seu caso diante deles. Parece que o próprio fato de abrir a boca requeria, nesta sociedade, uma justificação.
Quando Demóstenes perseguiu seus tutores para fazer com que eles lhe reembolsassem seu patrimônio, tornou-se necessário para ele, no curso do processo, provar que o casamento da irmã de Afobos com Onetor era inteiramente fraudulenta e que apesar de seu falso casamento, ela tinha vivido com seu irmão em Atenas durante os dois anos que seguiram seu divórcio com seu primeiro marido. É notável que, ainda que se tratasse de pessoas da mais alta condição e da mais alta distinção na cidade, o orador não pode provar este fato de nenhuma outra maneira senão solicitando que se interrogue suas mulheres escravas e fazendo apelo ao testemunho de um médico que o tinha visto na casa de seu amigo no transcurso de uma doença. Tanta era a reserva dos costumes gregos.
Nós podemos assegurar que uma extrema pureza dos costumes era a conseqüência desta reserva. Desta maneira descobrimos que, exceto as fabulosas histórias de uma Helena ou de uma Clitemnestra, é raro existir um exemplo de um acontecimento da história grega que provenha de intrigas femininas. Ao contrário, nos tempos modernos, particularmente numa nação vizinha, as mulheres intervém em todas as transações e em toda a organização da Igreja e do Estado; ninguém pode esperar alcançar sucesso se não se preocupar em obter suas boas graças. Henrique III colocou em perigo sua coroa e perdeu a vida, tanto por ter incorrido na desaprovação das mulheres quanto por sua indulgência com a heresia.
É inútil dissimular. Uma extrema liberdade nas relações entre os sexos e uma extrema intimidade de vida, freqüentemente termina em intrigas galantes. Devemos sacrificar um pouco da utilidade, se estivermos muito preocupados em obter todas as qualidades agradáveis; e não podemos pretender obter igualmente todo tipo de vantagens. A multiplicação cotidiana dos exemplos licenciosos enfraquecerá o escândalo com um dos sexos e ensinará progressivamente ao outro a fazer sua a famosa máxima de La Fontaine em relação a infidelidade feminina: “quando se sabe, é pouca coisa, quando se ignora, não é nada.”
Algumas pessoas são inclinadas a pensar que o melhor meio de harmonizar todas as diferenças e de tomar o justo meio entre as qualidades femininas agradáveis e as qualidades femininas úteis, é viver com as mulheres como os romanos e os ingleses (pois, parece que os costumes destas duas nações são parecidos a este respeito ); isso significa dizer sem galanteios e sem ciúme. Pela mesma razão, os costumes dos Espanhóis e dos Italianos do século passado (pois no presente são muito diferentes) devem ser os piores de todos, visto que eles favorecem a galanteios e o ciúme.
Mas estas diferenças de costume entre as nações não afetam somente um dos sexos; a opinião que se faz do mérito pessoal de um homem também varia necessariamente um pouco, pelo menos em relação a conversação, o discurso e o caráter. Uma nação onde os homens levam uma vida muito distinta aprovará naturalmente mais a prudência; uma outra a jovialidade. Uma estimará ao extremo a simplicidade dos costumes; a outra a polidez. Uma distinguirá os homens por seu bom senso e seu juízo; a outra pelo seu gosto e sua delicadeza. A eloqüência dos primeiros brilhará mais no senado; a dos segundos, no teatro.
Tais são, disse eu, os efeitos naturais de semelhantes costumes. Pois é preciso confessar que o acaso tem uma grande influência sobre os costumes nacionais; e muitos acontecimentos se produzem em uma sociedade, que não podem ser explicados por regras gerais. Quem poderia imaginar, por exemplo, que os romanos, que viviam livremente com suas mulheres, seriam completamente indiferentes à música e que julgariam as danças vergonhosas; enquanto que os gregos, que quase nunca viam as mulheres nas suas próprias casas, viviam continuamente tocando flauta, cantando e dançando?
As diferenças de sentimento moral que nascem naturalmente de um governo republicano ou de um governo monárquico são também muito óbvias, assim como as que procedem da riqueza ou da pobreza gerais, da união ou da dissidência, da ignorância ou do saber. Eu concluirei este longo discurso observando que os diferentes costumes e situações não fazem variar as idéias originais de mérito (ainda que elas façam variar certas conseqüências) sobre nenhum ponto essencial, e que elas triunfam sobretudo junto a homens jovens, que podem aspirar às qualidades agradáveis e tentar agradar. As maneiras, os ornamentos, as graças que sucedem desta forma, são mais arbitrários e casuais; mas o mérito da idade madura é quase em toda parte o mesmo; ele consiste principalmente na integridade, humanidade, capacidade, conhecimento e outras qualidades mais sólidas e mais úteis do espírito humano.
Aquilo sobre o que você insiste, replicou Palamedes, pode ter algum fundamento, quando você adere às máximas da vida comum e da conduta quotidiana. A experiência e a prática do mundo corrigem facilmente toda extravagância considerável num sentido ou no outro. Mas o que você diz das maneiras e vidas artificiais? Como você reconcilia as máximas sobre as quais, em diferentes épocas e nações, elas são fundadas?
O que você entende por maneiras e vidas artificiais?, perguntei. Eu me explico, replicou ele. Você sabe que a religião teve, em tempos antigos, muito pouca influência sobre a vida comum, e que, depois que os homens cumpriram seus deveres com sacrifícios e preces no templo, eles pensavam que os deuses deixavam o resto de suas condutas a si mesmos, e agradavam-se ou se ofendiam pouco com aquelas virtudes ou vícios, que somente afetavam a paz e a felicidade da sociedade humana. Nesta época, era negócio da filosofia somente regular o comportamento e as maneiras ordinárias dos homens; e, de acordo com isso, podemos observar que, sendo o único princípio que permitia a um homem elevar-se acima de seus companheiros, a filosofia adquiria um poder ascendente sobre um grande número de homens e produzia uma grande diversidade de máximas e de condutas singulares. No momento em que a filosofia perdeu o atrativo da novidade, ela não mais teve esta extensa influência; e ela encerrou-se muito estreitamente em especulações de gabinete; da mesma maneira como a antiga religião era limitada aos sacrifícios no templo. Seu lugar é agora preenchido pela religião moderna, que examina toda nossa conduta e prescreve uma regra universal à nossas ações, a nossas palavras, a nossos próprios pensamentos e a nossas inclinações; uma regra tanto mais austera quanto ela é garantida por recompensas e penas infinitas, ainda que distantes; e nenhuma infração sua pode mesmo ser ocultada ou dissimulada.
Diógenes é o mais célebre exemplo da filosofia extravagante. Procuremos um paralelo com ele nos tempos modernos. Desonraremos o nome da filosofia comparando-o com Dominique, com Loyola, ou com qualquer outro monge ou padre canonizado. Permitam-me compará-lo a Pascal, homem de inteligência e de gênio tanto quanto o próprio Diógenes; e, talvez também um homem de virtude se ele tivesse permitido que suas inclinações virtuosas se exercessem e aflorassem.
O fundamento da conduta de Diógenes era um comportamento para tornar a si mesmo um ser independente o máximo possível e para encerrar todas as suas necessidades, todos os seus desejos e todos os seus prazeres dentro de si mesmo e em seu próprio espírito; a aspiração de Pascal era conservar perpetuamente o sentimento de sua dependência sob seus olhos e de nunca esquecer suas inumeráveis necessidades e enfermidades. O filósofo antigo apoiava-se na magnanimidade, na ostentação, no orgulho e na idéia de sua própria superioridade sobre seus semelhantes. O filósofo moderno fazia constantemente professão de humildade e rebaixamento, de desprezo e de ódio de si; e ele procurava alcançar estas supostas virtudes na medida em que elas podem ser alcançadas. A austeridade do grego tinha por fim habituar-se à dureza da sorte e evitar o sofrimento. A do francês era abraçada meramente para seu próprio bem, e a fim de sofrer tanto quanto possível. O filósofo se comprazia com os prazeres mais bestiais, mesmo em público, o santo recusava o prazer mais inocente, mesmo em particular. O primeiro pensava que seu dever era amar seus amigos, zangar-se com eles, reprová-los e repreende-los; o segundo tentava chegar à indiferença absoluta em relação a seus parentes mais próximos e se esforçava para amar os inimigos e por falar bem deles. O grande objeto das zombarias de Diógenes era todo tipo de superstição, que era todo tipo de religião conhecida em seu tempo. A mortalidade da alma era seu princípio padrão; e mesmo seus sentimentos de uma providência divina parece ter sido libertino. A mais ridícula superstição comandava a fé e os atos de Pascal; um desprezo extremo desta vida, em comparação com a vida futura, era o princípio capital de sua conduta.
É neste notável contraste que se situam estes dois homens; contudo, todos os dois obtiveram a admiração geral, cada um em seu tempo; e foram propostos como modelos para serem imitados. Onde se encontra então o padrão moral universal de que você fala? E que regra estabeleceremos nós para os muito diferentes, e mesmo contraditórios, sentimentos humanos?
Uma experiência que é bem sucedida no ar, disse eu, nem sempre é bem sucedida num vácuo. Quando os homens se separam de máximas da razão comum e afetam viver artificialmente, para empregar seu termo, ninguém poderá responder pelo que lhe agrada ou desagrada. Estes homens estão afastados do resto da humanidade; os princípios naturais de seu espírito não atuam com a mesma regularidade como se fossem deixados a si mesmos, livres das ilusões da superstição religiosa ou do entusiasmo filosófico.

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André Díspore Cancian
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Editado pela última vez por Cancian em 22/07/2005 - 08:35:52; num total de 1 vez
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