Jefferson dos Santos
Idade: 39 Registrado: 26/10/05 Mensagens: 22 Localiza莽茫o: Campos do Jord茫o
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脡tica da Finitude
Heidegger 茅 criticado por n茫o pensar um modelo 茅tico, ou n茫o ter pensado uma 茅tica para as rela莽玫es humanas. Na 茅tica, buscam-se m谩ximas e regras, que sejam infinitas, sendo feitas para que o homem use-as para sempre.
Os conceitos de 茅tica entraram em crise: o dever e o do agir. O dever n茫o passa da obedi锚ncia 脿 realidade dos fatos, perdendo sua condi莽茫o de um fazer 鈥渘obre鈥 de moralidade incondicional ou de compromisso hist贸rico e o agir passou a ser apenas um agir planejadamente e n茫o mais um fazer o bem, ou fazer historia. 鈥淒os fragmentos da 茅tica da perfectibilidade surge a engenharia social (Loparic, 2004, p谩g.10)鈥.
Este agir racional n茫o consegue alcan莽ar seu objetivo por que esteve apontado para o lugar errado. Ele esteve apontado o tempo todo para o infinitismo, para a salva莽茫o a todo custo segundo seus conceitos.
A infinitude 茅 baseada como esperan莽a de se acentuar em um solo seguro a vida humana. Em outras palavras: 鈥渧isa-se achar um ant铆doto universal para a falta, a transitoriedade e a particularidade, os tr锚s elementos constituintes da finitude humana, todos assinalados pela dor鈥 (Loparic, 2004, p谩g. 9).
O homem ocidental buscou sua plenitude no lugar errado, no pr贸prio ser. Posto como infinito, e tamb茅m usaram de meios errados, a莽玫es visando ao aperfei莽oamento infinito, dirigido por deveres 茅ticos e pragm谩ticos, todos racionaliz谩veis, plenamente justific谩veis.
O que caracteriza o homem como ser humano 茅 deixado de lado, em nome da busca por seguran莽a. O homem tem que ter em mente que a possibilidade dele poder vir a n茫o ser o que se 茅 茅 poss铆vel, que uma proposta 茅tica deveria entender sua finitude, compreende-la em sua extens茫o no mundo da vida, em sua temporalidade, e n茫o propor um modelo que deforme seu ser.
Este tipo de 茅tica que existe h谩 muito tempo esta vinculada a uma metaf铆sica, t锚m o seu fundamento num modelo metaf铆sico. Do que precisamos para que possa ser poss铆vel uma analise do homem em primeiro momento? Descobrir quem ele 茅 em sua finitude, descobrir o que este ai, n茫o criar um mundo imagin谩rio, onde cada vez mais o homem se distancia do seu ser.
A sa铆da para outro modelo, que n茫o seja infinito s贸 acontecer谩 quando a 茅tica e a ontologia voltarem ao caminho de retorno 脿 finitude do ser. A metaf铆sica deve ser esquecida, da forma como a conhecemos e dever铆amos repensar o conceito de dever e de agir. S贸 assim ter铆amos a chance de encontrar novas maneiras de tomar p茅.
Ent茫o, em Ser e tempo o autor acredita que a metaf铆sica seja deve ser desconstruida para que posssamos descobrir a exist锚ncia do ente voltando 脿 origem do pensamento ocidental, aos gregos, as suas certid玫es de nascimento.
Antes de buscarmos o sentido do conceito de desconstru莽茫o, 茅 pertinente expor seu fundamento ulterior, 鈥渙 seu pensamento percorreu um caminho de afastamento de tudo o que a nos dias de hoje e de retorno 脿 origem do pensamento ocidental, na espera de outro inicio a partir dessa mesma origem (LOPARIC,2004, p谩g. 61(Heidegger))鈥.
A palavra desconstru莽茫o n茫o se encontra em Ser e Tempo, mas ela 茅 usada por Loparic para dizer o mesmo que Heidegger usa em ser e tempo como destrui莽茫o, pois o mesmo termo posto por Heidegger pode sugerir uma interpreta莽茫o pejorativa, deturpando assim seu m茅todo, o m茅todo da desconstru莽茫o. Este m茅todo tem a pretens茫o de retornar o elemento analisado a sua origem, trazendo ele a ser o que ele 茅.
Como todas estas descobertas feitas em Ser e Tempo por Heidegger, o autor prop玫e a redescoberta do ser, propondo este, agora como finito. Ent茫o, precisamente neste ponto a necessidade da desconstru莽茫o metaf铆sica com o prop贸sito do desvelamento do ser.
A metaf铆sica cl谩ssica exata constru铆da toda sob conceitos infinitos, assim como 鈥渘a 茅tica buscam-se m谩ximas e regras que sejam, ao mesmo tempo, primeiras e vigoram incondicionalmente, que sejam infinitas (LOPARIC, 2004,9)鈥.
Este 茅 o motivo pelo qual iniciamos nossa busca da possibilidade de um agir 茅tico no projeto heideggeriano, pois a partir da desconstru莽茫o metaf铆sica o ser se mostra finito, e busca a cria莽茫o de uma 茅tica que parte da finitude humana, n茫o de conceitos puramente abstratos vindos da vontade de saber. A busca pelo infinitismo se da como esperan莽a de conseguir colocar num solo seguro a vida humana, transpassando a transitoriedade, o relativismo, a particularidade, se busca acabar com a 鈥渇alta鈥, enquanto que estas s茫o partes que comportam o existir do ser, pois ele esta jogado no eterno devir humano. Mas o que 茅 este m茅todo utilizado por Heidegger, o m茅todo da desconstru莽茫o para trazer as claras o que as coisas s茫o?
鈥淒esconstruir um problema ou um fen么meno n茫o 茅 o mesmo que anul谩-lo. Consiste antes em remet锚-lo, como se fosse um sintoma, a seu lugar de origem. Todos os problemas e todos os fen么menos que caracterizam o ser humano t锚m a sua origem na rela莽茫o ao ser (LOPARIC, 2003, p谩g. 33)鈥.
Desconstruir um conceito 茅 traz锚-lo a sua origem, 茅 a tentativa de cura do seu sintoma. O clarear que se da ap贸s a desconstru莽茫o, 茅 o acesso ao ser.
O m茅todo de Heidegger pretende que tudo retorne ao seu ser, para que possa ser explicado com mais clareza com que foi explicado. Todas as nossas rela莽玫es se d茫o na rela莽茫o do ser com o ente. Neste sentido, 鈥渆le se auto-define como pensador do sentido do ser (LOPARIC, 2003, p谩g. 33)鈥. Pensar o ser significa pensar as rela莽玫es do homem, pensar o ser significa buscar sentido ao ser que a metaf铆sica diz ser indeterminado, diz n茫o ter solu莽茫o. Se pensar o ser confere ao ente pensar suas rela莽玫es, ent茫o o autor pensou indiretamente sobre a 茅tica, al茅m de dizer que 茅 imposs铆vel a constru莽茫o de um modelo 茅tico determinante em sua origem.
O projeto do desconstruir cabe a m谩xima do pr贸prio Heidegger, 鈥渆le usar谩 a estrat茅gia de dar um passo para tr谩s a fim de poder dar um salto para frente (LOPARIC, 2004, p谩g. 56(Heidegger))鈥. Eis a import芒ncia de se voltar ao ser, ao inicio. Heidegger almeja ir alem desta condi莽茫o que ele v锚 em sua 茅poca, da tecnicista, do ocultamento do ser.
Em resumo, o papel da destrui莽茫o no pensamento de Heidegger 鈥減ercorre uma trajet贸ria circular muito especial: ela sai do presente tecnizado, volta a origem grega do primeiro come莽o do pensamento do ser e vai poeticamente para o outro come莽o deste mesmo pensamento(LOPARIC, Heidegger, 30)鈥. Este retorno po茅tico se da em seu pensamento ap贸s os anos 30, quando Heidegger percebe que o infinitismo n茫o 茅 uma mera cria莽茫o humana, mas faz parte de um destinamento humano. Mas nos deteremos a principio na critica a metaf铆sica, sua desconstru莽茫o e depois o apontamento para adiante dela.
A critica heideggeriana ao 鈥減rojeto鈥 metaf铆sico que pretendia dar o sentido a vida humana come莽a logo em seu conceito mais importante e mais problem谩tico, o conceito de ser, que Heidegger denomina de Dasein, que significa o ser-o-ai. Para ele, este ser 茅: 鈥渟er esta naquilo que 茅 e como 茅, na realidade, no ser simplesmente dado, no teor e recurso, no valor e validade, na pre-sen莽a, no 鈥榟a鈥(Ser e Tempo, 2005,32)鈥.
Mas a metaf铆sica determinou este ser com o conceito mais universal e mais vazio. Por isto n茫o se tem a possibilidade de defini莽茫o, esta fora do alcance humano. Ao chegar a esta afirma莽茫o, as criticas feitas entorno do conceito de ser 茅 deixado de lado e tido como uma verdade evidente, algo que 茅 dado sem qualquer dificuldade de compreens茫o, como andar e respirar.
脡 verdade que o conceito de ser tem a pretens茫o de ser o mais universal, mas isso n茫o quer dizer que ele seja o mais claro. Uma das dificuldades em desvend谩-lo 茅 que o ser n茫o pode ser captado como ente. O finito n茫o pode alcan莽ar o infinito.
A impossibilidade de se alcan莽ar uma defini莽茫o racional para o ser n茫o exclui sua import芒ncia, pois sabemos que ele 茅 o mais universal, portanto, n茫o pode ser definido, n茫o quer dizer que estamos condenados a n茫o descobrir o que 茅 o ser, mas significa que devemos busc谩-lo, pois 鈥渁 impossibilidade de se definir o ser n茫o dispensa a quest茫o de seu sentido, ao contrario, justamente por isso a exige (HEIDEGGER, 2005, p谩g. 29(ser e tempo))鈥. Aqui 茅 posta as claras um dos motivos fazem com que a busca pelo ser seja realizada com o intuito de mostrar e validar o sentido do ser, ou seja, o sentido do ser humano.
Se o ser n茫o pode ser alcan莽ado, nem por conceitos superiores, nem por conceitos inferiores (por isso a l贸gica antiga do ente n茫o se aplica ao ser), ent茫o, com que raz茫o usamos este conceito para determinar os objetos no cotidiano. O conceito de ser se mostra indefin铆vel ao mesmo tempo necess谩rio ao ser humano.
Para encontrarmos a 茅tica finita que 茅 criada aos moldes do ser-o-ai, encontramos junto a este o processo do fim da metaf铆sica. Ela se op玫e ao pensamento imanente, se baseia em conceitos acima do homem. A metaf铆sica, ao contrario da finitude que aqui 茅 proposta, n茫o trabalha com dados que n茫o sejam infinitos, que seja universal. Ela n茫o trabalha com seres humanos, mas procura estabelecer conceitos para a morada do ser.
Para Heidegger, metaf铆sica 茅 a ci锚ncia dos entes. 鈥淢as ela n茫o vai t茫o longe a ponto de perguntar acerca do ser (INWOOD, 1999, 112)鈥. A metaf铆sica n茫o consegue alcan莽ar o mais profundo do sentido do homem. Mesmo ele pretendendo ir alem da f铆sica, a pergunta que ela vez por todo seu caminhar foi sobre a verdade do ente, quanto que para Heidegger a verdade do ente 茅 importante na medida em que ela 茅 a manifesta莽茫o do Dasein, mas fica apenas no seu aparecer. O acesso 脿 verdade do ser, ou ent茫o ao reinicio de um agir legitimo deveria come莽ar com a pergunta sobre a verdade do ser, e n茫o sobre a verdade do ente.
Cabe uma pergunta agora, saber se o que tomamos por metaf铆sica 茅 cab铆vel para os defensores da metaf铆sica. Segundo eles, ela se articula, inicialmente de tr锚s formas: 鈥淎 metaf铆sica 茅 ci锚ncia do ente enquanto ente ou, por outras palavras, 茅 a ci锚ncia do ente enquanto ser... (MOLINARO, 2002, p谩g. 7)鈥. Neste ponto, constatamos que a metaf铆sica 茅 a ci锚ncia dos entes, que busca neles todos os seus pontos que n茫o s茫o mut谩veis, Ela estuda o ser do ente, embora esta defini莽茫o de ser seja obscura, segundo Heidegger. 鈥淎 metaf铆sica 茅 a ci锚ncia do fundamento do ente. Dizer que o ser 茅 aquilo pelo qual o ente 茅 ente 茅 dizer que o ser 茅 o fundamento do ente (MOLINARO, 2002, p谩g. 7)鈥. Vemos aqui que o autor confere 脿 metaf铆sica buscar o sentido do ente, seu fundamento para que possa ser constru铆da uma base para o homem. Mas uma vez o ser 茅 a raz茫o pela qual a metaf铆sica estuda o ente. Mas, Heidegger afirma no primeiro capitulo de ser e tempo, na primeira pagina de seu desvelar para o finito, o ser 茅 o conceito mais universal e o mais vazio. Como diremos ao homem quem ele 茅 se a premissa base de todo seu desenrolar 茅 vazio? Nem ao menos Freud explicaria tal fa莽anha da consci锚ncia. 鈥淎 metaf铆sica 茅 ci锚ncia da totalidade do ente visto a partir do ser (MOLINARO, 2002, p谩g. 7)鈥. Mas se o ser 茅 imposto por n贸s, se o conceito de ser, o mais universal de todos 茅 criado pelo ser finito, como podemos defender a liberdade, pois como seremos livres se nosso ser, nossa base 茅 definida por um corpo estranho a n贸s? 鈥淎 rela莽茫o do homem com o ser 茅 de obedi锚ncia, n茫o uma reciprocidade鈥 (LOPARIC, 2004, nota 12, p谩g. 15). Como podemos situar sobre este conceito, que os metaf铆sicos nem ao menos conseguem definir com clareza, o todo do ente? Enfim, isto 茅 o que os metaf铆sicos afirmam como sendo a metaf铆sica.
Conceituado a metaf铆sica, feitos alguns coment谩rios, cabe esclarecer o que achamos do ente, qual a sua defini莽茫o corrente encontradas nos diversos manuais de filosofia, sendo o ente o ponto chave para um estudo metaf铆sico.
ENTE = 鈥淥 que 茅, em qualquer dos significados existenciais de ser... Habitualmente esta palavra 茅 usada em sentido mais geral. Diz Heidegger: Chamamos de Ente muitas coisas, em sentidos diferentes. Ente 茅 tudo aquilo de que falamos, aquilo a que, de um modo ou de outro, no referimos; Ente 茅 tamb茅m o que e como n贸s mesmos somos. (NICOLA,2000, PAG. 334)鈥.
Dada a seguinte defini莽茫o acima, como 茅 poss铆vel falarmos numa ci锚ncia do ente, se a 煤nica defini莽茫o que parece demonstrar a sua realidade s贸 茅 poss铆vel para uma compreens茫o universal, total dos fatos. Precisamos de algo, assim como um Deus, para nos dizer o que somos, enquanto buscarmos no lugar errado!
Heidegger 茅 um pensador p贸s-metafisico, ele n茫o esta neste processo de objetifica莽茫o das coisas, sua interpreta莽茫o das coisas busca outra forma de ser, buscando outras formas de ser, entendendo que o verdadeiro sentido do ser se da dentro de um espa莽o de tempo, dentro de um conjunto de sentidos. S贸 entendemos o ser sendo, na sua presen莽a temporal.
Alem de n茫o alcan莽ar o sentido do ser ultimo, o pensamento ocidental esqueceu de um conceito que sem ele n茫o 茅 poss铆vel entender o ser, o nada. Nada n茫o 茅 algo vazio, mas a possibilidade de ser, a abertura para um ser mais original. A possibilidade das disposi莽玫es do ser ocorrer. Como podemos ditar algo sobre o agir se n茫o temos uma resposta concreta de quem somos. Passemos a 茅tica.
Para que possamos desvendar o que 茅 a 茅tica da finitude, cabe descobrir qual o uso da palavra 茅tica nos nossos dias. 脡tica costuma ser designada como a ci锚ncia da conduta. O conceito de 茅tica 茅 dividido em dois momentos:
鈥1陋 a que a considera como a ci锚ncia do fim para o qual a conduta dos homens deve ser orientada e dos meios para atingir tal fim, deduzindo tanto o fim quanto os meios da natureza do homem; 2陋 a que a considera como a ci锚ncia do m贸vel da conduta humana e procura determinar tal m贸vel com vistas a dirigir ou disciplinar essa conduta (NICOLA, 2000, p谩g. 380)鈥.
Vemos que estes s茫o os conceitos de 茅tica expostos hoje, uma leitura contempor芒nea do fato. Est茫o expressos ai conceitos como natureza humana, proposta de um fim que pode chegar a algum lugar, o controle de nossos impulsos para n茫o permitir que nossas vontades venham a atrapalhar o desenvolvimento do nosso caminhar.
A primeira fala sobre ideais que o homem busca como sua natureza, sua subst芒ncia e a segunda fala sobre os motivos ou causas da conduta humana, querendo alcan莽ar apenas a ordem dos fatos. Uma pergunta brota com a intensidade de um trov茫o para com os 鈥渆spectadores da vida real鈥, esta n茫o seriam duas dimens玫es inerentes ao ser humano, n茫o estando nenhuma delas fechadas no seu mundo com verdades prontas? N茫o precisar铆amos das duas, ou quem sabe de nenhuma para buscar e agir de forma adequada a n贸s mesmo e ao mundo? Elas n茫o seriam complementares a 鈥減essoa humana鈥?
O objetivo aqui n茫o 茅 discutir qual dos modelos esta certo ou errado, (porque o que aqui parece estar de fundo 茅 uma disputa metaf铆sica contra uma mentalidade imanentista e este trabalho n茫o quer dizer nada sobre nenhum dos lados), discutir se 茅 poss铆vel o conhecimento da natureza humana ou n茫o, o objetivo 茅 demonstrar a insufici锚ncia de ambos para responder as perguntas pelo agir humano, as perguntas de quem 茅 o ser humano e o que ele deve ser, se 茅 que ele tem que ser algo. A pretens茫o do trabalho 茅 mostrar que o agir condicionado pode corromper o homem, portanto corromper seu ser tornando para si mesmo estranho o Dasein.
Como poderia ser ent茫o esta 茅tica da finitude que aqui propomos? Ser谩 ela a resposta para todos os nossos problemas. N茫o sendo ela uma resposta para todos os nossos problemas, seria ela o que ent茫o?
Para sabermos como devemos proceder com uma 茅tica, o que parece ser preciso 茅 dizer de que ser estamos falando, de que homem estamos falando. Esta me parece deixar bem claro quem 茅 o homem e porque um principio infinito n茫o pode perpassar em primeiro lugar a vida humana:
鈥淥 homem 茅 um ente finito porque o seu ser 茅 cindido em possibilidades mundanas, as que constituem o seu estar-ai-no-mundo, e numa possibilidade extramundana, a de poder n茫o-mais-estar-ai. O homem n茫o tem nenhum recurso para superar esta cis茫o originaria da sua exist锚ncia, entre a positividade e a negatividade,... (LOPARIC, 1990, 184(Heidegger r茅u))鈥.
Esta passagem parece ser a base de toda a constru莽茫o de uma analise do Dasein, para que se possa assim dizer o que seria poss铆vel, seu agir mais autentico. A proposta esta baseada no pr贸prio ser humano. Ela n茫o 茅 trazida de nenhum ideal, seja ele qual for para 谩vida humana. Para que possamos usar o chamamento do dever-ser, precisamos saber quem 茅 este ser.
Somos obrigados a viver entre a positividade e a negatividade. Entre a nossa vida cotidiana e a consci锚ncia que podemos n茫o-mais-estar aqui. Para Heidegger, o ser humano vive como uma fissura, 鈥渃omo uma bifurca莽茫o ontol贸gica, esse 茅 o destino que o homem tem que carregar. (LOPARIC, 1990, 184)鈥. Esta parece uma vis茫o acertada do homem no seu tempo de exist锚ncia no mundo. O tempo em que estamos existindo s贸 consegue comportar esta bifurca莽茫o ontol贸gica.
O que sobra para o homem, se n茫o quiser viver escondido atr谩s da cotidianidade, ele passara a vida com consci锚ncia do n茫o-mais-estar-ai, com a vista no momento da morte.
鈥淗eidegger interpretar谩 essa compreens茫o da morte em termos do conceito de cuidado, a saber, como sendo a mais originaria concretude do adiante-de-si constitutivo do cuidado, como um ser-para-a-morte (Loparic, 1990, 184(r茅u))鈥.
O conceito de cura aparece como o momento mais original de enfrentar a finitude humana, pois ela abre ao homem a sabedoria do fim sem data, que o homem esta marcado desde seu nascimento para chegar ao seu fim. Ele compreende seu fim, e desta forma ele pode ir alem de si mesmo, para o alem de si.
鈥淗eidegger mostrou que todas as 茅ticas de nega莽茫o acional da finitude usam o logos enunciativo como fonte do dever, considerando o logos como externo ao ser e n茫o como uma for莽a, uma estampa (PR脛GUNG) do ser, ele mesmo, e pressup玫em a presentidade como sentido do ser (LOPARIC, 2004,53)鈥.
Este ponto, a presentidade como o sentido do ser 茅 o que torna valida a aplica莽茫o desconstru莽茫o tanto na metaf铆sica quanto na 茅tica. A urg锚ncia do projeto do desconstruir se encontra expressa em Ser e Tempo, pois o autor entende a urg锚ncia de voltar a viver como deve ser, n茫o sobre descontentamentos fantasiosos, sobre o que n茫o 茅 pr贸prio do ser-o-ai, deve-se buscar o mais original dos conceitos do ser-o-ai, n茫o perdendo de vista este principio, pois a metaf铆sica tradicional, colocou o viver humano nos moldes que suas vontades desejaram, esquecendo de si - mesmas.
O primeiro passo 茅 dar sentido a quest茫o do destinamento, o ter-que mais origin谩rio que qualquer dever moral. Ent茫o se deve buscar o ter-que-ser, o chamado da responsabilidade a ter que responder sobre os nossos atos. Heidegger n茫o nega que existem a莽玫es entre n贸s, mais 茅 precipitado instalar um conjunto de regras que determine e julgue toda a莽茫o humana. 脡 preciso saber muito bem, ter um bom referencial para esse ter-que, 茅 o que buscamos no pensamento de Heidegger. Gerado neste motivo que a 茅tica da finitude pretende ser a estampa do ser-o-ai.
A dobra entre o Ser, pensado como presen莽a doada, n茫o projetada e o ente que se apresenta com essa conota莽茫o de d谩diva. Pensado como presen莽a doado, abre a possibilidade para que o ser seja desvinculado de seu encobrimento, possibilitando um novo inicio e um novo ser fora desta forma de pensar de tradi莽茫o plat么nica aristot茅lica.
Pesquisa feita sobre o pensamento 茅tico de Martin Heidegger. Referencia Sobre a responsabilidade e 茅tica da finitude de Zeljko Loparic e obras do pr贸prio Heidegger. _________________ O que se pode dizer pode ser dito claramente; e aquilo de que n茫o se pode falar tem de ficar no sil锚ncio. |
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