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Ser e Tempo

 
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Jefferson dos Santos




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MensagemEnviada: 04/12/2006 - 12:30:14    Assunto: Ser e Tempo Responder com citação

SER E TEMPO- São os pontos importantes de Heidegger em sua analise existencial sobre o ser. Em Ser e Tempo, Heidegger tenta resgatar o sentido do Ser (DASEIN), que significa que se trata do proprio homem e não dos objetos inanimados do mundo.

Primeiro Capítulo.
Necessidade, estrutura e preeminência da pergunta que interroga pelo ser.
§1. Necessidade de reiterar expressamente a pergunta que interroga pelo ser. 27
O ser é o mais universal, indefinível e compreensível dos conceitos.
§2. A estrutura formal da pergunta que interroga pelo ser. 30
§3. O primado ontológico da questão do ser.34
A ontologia é cega se, previamente, não houver esclarecido, o sentido do ser, nem tiver compreendido esse esclarecimento como sua tarefa fundamental.
§4. O primado ôntico da questão do ser. 38
A pré-sença se compreende em seu ser, isto é, sendo. A compreensão do ser é em si mesma uma determinação do ser da pré-sença. Se deve procurar na analítica existencial da presença a ontologia fundamental de onde todas as demais podem originar-se.
Segundo Capítulo.
As duas tarefas de uma elaboração da questão do ser. O método e o sumário da investigação. 42
§ 5 A analítica ontológica da presença como liberação do horizonte para interpretação do sentido do ser em geral.
… “a presença tem a tendência de compreender seu próprio ser a partir daquele ente com quem ela se relaciona e se comporta de modo essencial, primeira e continuamente, a saber, a partir do mudo”.
Na própria pré-sença e, em sua compreensão do ser, reside o que ainda demonstraremos como a repercussão ontológica da compreensão do mundo sobre a interpretação da presença.
Uma análise da presença constitui, portanto o primeiro desafio no questionamento da questão do ser.
“Extrair da cotidianidade estruturas essenciais” 44
A analise da presença começa apenas explicitando o ser desse ente, sem interpretar-lhe o sentido.
A temporalidade será de-monstrada como o sentido da pré-sença. O Tempo é o ponto de partida do qual a pré-sença sempre compreende e interpreta implicitamente o ser.
“Torna-se necessária uma explicação originária do tempo enquanto horizonte da compreensão do ser a partir da temporalidade, como ser da pré-sença, que se perfaz no movimento da compreensão do ser” 45
A problemática central de toda ontologia se funda e lança suas raízes no fenômeno do tempo, desde que se explique e se compreenda devidamente como isso acontece. 46
Determinamos a determinação originária do sentido do ser e de seus modos e caracteres a partir do tempo de determinação temporária. 47
É na exposição da problemática da temporalidade que se há de dar uma resposta concreta à questão sobre o sentido do ser.
§ 6. A tarefa de uma destruição da história da ontologia.
Temporalidade: condição de possibilidade da historicidade.
A determinação de historicidade se oferece antes daquilo a que se chama de história. 48
A história factual só é possível como modo de ser da presença que questiona. 48
A questão do ser, apontada em sua necessidade ôntico-ontológica, caracteriza-se em si mesma pela historicidade. 49
“…a presenção não tem somente a tendência de de-cair no mundo em que é e está, e de interpretar a si mesma pela luz que dele emana juntamente com isso, a pré-sença também de-cai em sua tradição, apreendida de modo mais ou menos explícito. 49
A tradição desarraiga a historicidade da presença.
Deve-se efetuar essa destruição seguindo o fio condutor da questão do ser até se chegar às experiências originárias em que foram obtidas as primeiras determinações do ser… 51
Por que Kant fracassou na tentativa de penetrar na problemática da temporalidade, a falta da questão do ser e, a falta de uma ontologia explícita da pré-sença. 52
Descartes deixa indeterminado o modo de ser da res cogitans. 53
A destruição se vê colocada diante da tarefa de interpretar o solo da antiga ontologia à luz da problemática da temporalidade.
A presença, isto é o ser homem caracteriza-se como, o ser vivo cujo modo de ser é, essencialmente determinado pela possibilidade da linguagem. 54
§ 7. O método fenomenológico da investigação.
Sentido do ser: a investigação se acha dentro da questão fundamental da filosofia em geral o modo de tratar esta questão é fenomenológico. 56
A expressão fenomenologia diz, antes de tudo, um conceito de método. Não caracteriza a qüididade real dos objetos da investigação filosófica, mas o seu modo, como eles o são. 57
O conceito de fenômeno: o que se revela, o que se mostra em si mesmo, a totalidade do que está à luz do dia.
Manifestação enquanto manifestação de alguma coisa não diz um mostrar-se a si mesmo, mas um anunciar-se de algo que não se mostra.
Manifestar-se é um não mostrar-se. 59
Indicações, apresentações, sintomas e símbolos possuem a estrutura formal básica da manifestação, embora sejam diferentes entre si. 59
Manifestar-se é anunciar-se mediante algo que se mostra … com a palavra manifestação indicamos algo em que alguma coisa se manifesta sem que seja em si mesmo uma manifestação, o conceito de fenômeno não é definido mas pressuposto. 59
Fenômenos nunca são manifestações, toda manifestação é que depende de um fenômeno. 59
O que assim se mostra (fenômeno portanto, em sentido originário e autêntico) é, ao mesmo tempo, “manifestação” enquanto manifestação que anuncia algo que se vela nas manifestações. 60
O conceito de fenômeno: o que se mostra em si mesmo. 61
B O conceito de logos
Logos não diz primeiramente juízo. O logos deixa e faz ver apofainesthai. 62
O discurso (apofansis) autêntico é aquele que retira o que diz daquilo sobre que discorre de tal maneira que, em seu discurso, a comunicação discursiva revele e, assim, torne acessível aos outros aquilo sobre que discorre. 63
Tudo depende de se libertar de um conceito construído de verdade, no sentido de concordância. 63
Alétheia, aletheuein: retirar de sue velamento o ente sobre que se discorre no legein como apofainesthai e deixar e fazer ver o ente como algo desvelado. 63
Logos é modo de deixar e fazer ver, não lugar primário da verdade.
Em sentido grego, o que é “verdadeiro”, de modo ainda mais originário do que o logos acima mencionado, é a aisthesis.
“Verdadeiro”, no sentido de só poder dês-cobrir é o puro noein a percepção. 64
A verdade do juízo, porém é somente a contrapartida deste encobrir, isto é, um fenômeno de verdade derivado em muitos aspectos… Tanto o idealismo como o realismo se equivocam. 64
E somente porque a função do logos reside num puro deixar e fazer ver, deixar e fazer perceber o ente, é que logos pode significar razão, fundo e fundamento. Pode também significar relação e proporção. 65
C O conceito preliminar de fenomenologia:
Fenomenologia deixar e fazer ver por si mesmo aquilo que se mostra, tal como se mostra a partir de si mesmo.
O termo fenomenologia nem evoca o objeto de suas pesquisas, nem caracteriza o seu conteúdo qüididativo. 65
Fenômeno para a fenomenologia: o que, num sentido extraordinário, se mantém velado ou volta novamente a encobrir-se ou, ainda só se mostra desfigurado não é este ou aquele ente, mas o ser dos entes.
A fenomenologia é a via de acesso e o modo de verificação para se determinar o que deve constituir tema da ontologia. A ontologia só é possível como fenomenologia. O conceito fenomenológico de fenômeno propõe, como o que se mostra, o ser dos entes, o seu sentido, suas modificações e derivações. 66
A fenomenologia é necessária justamente porque, de início os fenômenos não se dão. O conceito oposto de fenômeno é o conceito de encobrimento. 66
Enquanto comunicação, todo e qualquer conceito e sentença fenomenológicos, hauridos originariamente, estão expostos à possibilidade de desvirtuamento. O ponto de partida das análises, o acesso aos fenômenos e a passagem pelos encobrimentos vigentes exigem uma segurança metodológica. 67
Fenomenal: o que se dá e se pode explicitar segundo o modo de encontro com os fenômenos.
Em sentido fenomenológico, fenômeno é somente o que constitui o ser, e ser é sempre ser de um ente. 68
A Fenomenologia é a ciência do ser dos entes.
A ontologia fundamental é a ontologia da presença, essa é hermenêutica, é interpretar.
A hermenêutica da presença é analítica da existencialidade da existência.
A transcendência do ser da pré-sença é privilegiada porque nela reside a possibilidade e a necessidade da individuação mais radical.
A filosofia é uma ontologia fenomenológica e universal que parte da hermenêutica da pré-sença, a qual enquanto analítica da existência, amarra o fio de todo questionamento filosófico no lugar de onde ele brota e para onde retorna. 69
Mais elevada que a realidade está a possibilidade. A compreensão da fenomenologia depende unicamente de se apreende-la como possibilidade. 69
A presença é o horizonte para a compreensão e interpretação do ser. A presença é histórica. 70
Primeira parte
A interpretação da pré-sença pela temporalidade e a explicitação do tempo como horizonte transcendental da questão do ser.
Primeira Seção
Análise preparatória dos fundamentos da pré-sença.
1. interrogar o ente, pré-sença
2. libertar uma estrutura fundamental da pré-sença, o ser no mundo.
3. Análise: o mundo em sua mundanidade.
4. O ser no mundo como ser-com e ser-próprio.
5. O ser-em como tal.
6. O sentido existencial da pré-sença é a cura 77
Exposição da tarefa de uma análise preparatória da pré-sença.
§ 9. O tema da analítica da pré-sença.
O ente que temos que analisar somos nós. O ser é o que neste ente está sempre em jogo.
1. A essência deste ente está em ter de ser.
A essência da pré-sença está em sua existência. 77
As características constitutivas da pré-sença são sempre modos possíveis de ser somente isso.
O ser que está em jogo no ser deste ente é sempre meu.
E é porque a pré-sença é sempre essencialmente sua possibilidade que ela pode, em seu ser, isto é, sendo, escolher-se, ganhar-se ou perder-se ou ainda nunca ganhar-se ou só ganhar-se aparentemente. 78
A pré-sença não tem, nem nunca pode ter o modo de ser dos entes simplesmente dados dentro do mundo. 79
Para uma interpretação ontológica desse ente, a problemática de seu ser deve ser desenvolvida a partir de sua existência.
Deve-se descobrir a pré-sença pelo modo indeterminado em que se dá.
Denominamos esta indiferença cotidiana da pré-sença de medianidade.
Ontico é a cotidianidade mediana. 79
A estrutura da existencialidade está incluída a priori na cotidianidade e até mesmo em seu modo impróprio. 80
Existenciais e categorias são as duas possibilidades fundamentais de caracteres ontológicos.
A analítica existencial da presença está antes de toda psicologia, antropologia e, sobretudo biologia. 81
§ 10 Delimitação da analítica da pre-sença face à antropologia, psicologia e biologia.
As investigações até hoje desenvolvidas sobre a pré-sença não alcançam o problema propriamente filosófico. Enquanto apresentarem essa deficiência, não poderão pretender alcançar o que, no fundo, visam. 81
Descartes, cogito ego sun , só investiga o cogitare, deixa indiscutido o sum. 82
O princípio de um eu e sujeito, dados como ponto de partida, deturpa, de modo fundamental o fenômeno da pré-sença. 82
Para que se possa perguntar o que deve ser entendido positivamente ao se falar de um ser não coisificado do sujeito, da alma, da consciência, do espírito, da pessoa, é preciso já se ter verificado a proveniência ontológica da coisificação. 82
A filosofia da vida não questiona ontologicamente a própria vida.
Dilthey coloca a questão da vida. Compreender as vivências dessa vida, em seus nexos de estrutura e desenvolvimento, a partir da totalidade da própria vida. 83
Limites: Diltthey, Bérgson e os personalismos. Crítica a Scheler. O que, no entanto, constitui um obstáculo e desvia a questão fundamental do ser da pré-sença é a orientação corrente pela antropologia cristã da antiguidade. A insuficiência de fundamentos ontológicos desta antropologia escapou ao personalismo e a filosofia da vida.
Transcendência ligada a dogmática cristã, não questiona ontologicamente o ser do homem. 85
Ao se determinar a essência deste ente Homem, a questão de sue ser foi esquecida. 85
O fato de as pesquisas positivas não verem os fundamentos e considerá-los evidentes não constitui uma prova de que eles não se achem a base e que não sejam problemáticos. 86
§ 11 A analítica existencial e a interpretação da pré-sença primitiva. As dificuldades para se obter um conceito natural de mundo.
Pré-sença semelhante a cotidianidade: um modo de ser da pré-sença quando esta se move numa cultura altamente desenvolvida e diferenciada. 87
Crítica a etimologia 88
Ciências humanas = pesquisas ônticas em oposição à problemática ontológica. Ainda não se elaborou a idéia de um conceito natural de mundo. 89
A comparação sincrética de tudo com tudo e a redução de tudo a tipos ainda não garante de per-si um conhecimento autêntico da essência.
O princípio autêntico de ordenamento tem seu próprio conteúdo que nunca poderá ser encontrado pelo ordenamento, na medida em que já o pressupõe.
No caso de mundo já ser em si mesmo um constitutivo da presença, a elaboração conceitual do fenômeno do mundo requer uma visão penetrante das estruturas básicas da pré-sença.

Segundo Capítulo.
O ser-no-mundo em geral como constituição fundamental da pré-sença.
§ 12. A caracterização prévia do ser no mundo, a partir do ser-em como tal.
A pre-sença é um ente que, na compreensão de seu ser, como ele se relaciona e comporta. Com isso indicamos o conceito formal de existência. A pré-sença existe.
Ser sempre minha pertence à existência da pré-sença como condição que possibilita propriedade e impropriedade.
A impossibilidade de dissolver a constituição ontológica, que designamos de ser-no-mundo, em elementos que podem ser posteriormente compostos, não exclui a multiplicidade de momentos estruturais que compõem esta constituição. 90
O ser-no-mundo é sem dúvida, uma constituição necessária a priori da pre-sença, mas de forma alguma suficiente para determinar por completo o seu ser. 91
Ser simplesmente dado dentro de um dado são caracteres pertencentes ao ente não dotado do modo de ser da presença.
O ser-em é a expressão formal e existencial do ser da pré-sença que possui a constituição essencial de ser-no-mundo. 92
… de há muito não temos em mãos estas evidências.
Não há nenhuma espécie de justaposição de um ente chamado mundo […] destituídos de mundo, nunca se podem tocar, nunca um deles pode ser e estar junto ao outro.93
Pré-sença corresponde a facticidade, que é diferente da fatualidade da pedra.
… a presença tem seu próprio ser no espaço, o qual, no entanto, só é possível com base e fundamento no ser-no-mundo em geral. 94
Ocupar-se, é o ser de um possível ser-no-mundo.
A pre-sença é cura. 95
A pre-sença, de início, compreende ontologicamente a si mesma a partir dos entes e de seu ser, que ela mesma não é, mas que lhe vêm ao encontro dentro de seu mundo.
Também a biologia enquanto ciência se funda na constituição ontológica própria da pre-sença. 97
A correlação sujeito objeto pressuposto fatal, quando se deixa obscuro seu sentido ontológico. Quando se entende a atitude prática como não teórica e a-teórica dando primado ao conhecimento, se desorienta a compreensão do modo de ser mais próprio do conhecimento. 97
§ 13 Exemplo de ser-em num modo derivado. O conhecimento do mundo.
Sujeito e objeto, não coincidem com pre-sença e mundo. 98
Conhecer é um modo de ser da presença enquanto ser-no-mundo, isto é, que o conhecer tem seu fundamento ôntico nesta constituição ontológica.
… Há de se perguntar que instância decide se em qual sentido deve haver um problema do conhecimento a não ser o próprio fenômeno do conhecimento e o modo de ser de quem conhece.
… o conhecer em si mesmo se funda previamente num já-ser-junto-mundo, no qual o ser da presença se constitui de modo essencial. 100
A percepção se torna determinação com base nesta interpretação entendida em sentido amplo.
Em seu modo de ser originário, a pré-sença já está sempre fora, junto a um ente que lhe vem ao encontro no mundo já descoberto.
…como pré-sença, permanece fora… estou fora no mundo, junto ao ente (ser-em originário).
O ser-no-mundo funda o conhecer e por isso requer uma interpretação preliminar. 100-101

Terceiro capítulo

A Mundanidade do mundo
§ 14 A idéia de mundanidade do mundo em geral.
Em sentido fenomenológico, determinou-se a estrutura formal de “fenômeno” como o que se mostra enquanto ser e estrutura ontológica. 103
Nem um retrato ôntico dos entes intramundanos, nem a interpretação ontológica do ser destes entes alcançariam, como tais, o fenômeno do mundo. 104
… a mundanidade já é em si mesma um existencial…
Mundo é um caráter da própria pré-sença.
Mundo - ôntico: totalidade dos entes.
Mundo - termo ontológico: ser dos entes.
Mundo – ôntico contexto em que de fato uma pré-sença vive como pré-sença.
Mundo conceito existencial ontológico da mundanidade. 105
Mundano indica um modo de ser da pré-sença e nunca o modo de ser de um ente simplesmente dado no mundo.
A pré-sença só pode descobrir o ente como natureza num determinado modo de seu ser-no-mundo.
Esse conhecimento tem o caráter de uma determinada desmundanização do mundo.
… interpretação ontológica dos entes que vêm ao encontro dentro do mundo circundante.
O caráter espacial que pertence indiscutivelmente ao mundo circundante há de ser esclarecido, ao contrário a partir da estrutura da mundanidade. 107
A análise da mundanidade circundante e da mundanidade em Geral.
§ 15 O ser dos entes que vêm ao encontro no mundo circundante.
Fenomenologia: visa a compreensão do ser que, desde sempre, pertence à pre-sença e se aviva em todo modo de lidar com o ente. 108
Para se conquistar um acesso fenomenológico ao ente, é preciso, afastar as tendências de interpretação afluentes e correntes que encobrem o fenômeno dessa “ocupação”.
“coisas” = “pragmata”, aquilo que se lida na ocupação. Ente = instrumento.
Um instrumento nunca é instrumento é algo para: totalidade instrumental. 109-110
Denominamos de manualidade o modo de ser do instrumento em que ele se revela por si mesmo.
O que primeiro está a mão é a obra a ser produzida. É a obra que sustenta a totalidade das referências na qual o instrumento vem ao encontro. 111
Com a obra, portanto, não se dá ao encontro apenas um ente manual mas também entes que possuem o modo de ser do homem, para os quais o produto se acha à mão na ocupação.
Quando olhamos um relógio, fazemos um uso implícito da posição do sol, a natureza do mundo circundante também está à mão. 113
Esse ser-no-mundo só chega a explicitar o que é simplesmente dado, através do que está à mão na ocupação. Manualidade é a determinação categorial dos entes tal como são em si.
Na interpretação desse ente intramundano o mundo já é sempre pressuposto.
§ A determinação mundana do mundo circundante que se anuncia no ente intramundano.
O mundo ele mesmo não é um ente intramundano, embora o determine de tal modo que ao ser descoberto e encontrado em seu ser, o ente intramundano só pode se mostrar porque mundo “se da”. 114
A impossibilidade do emprego descobre a circunvisão do modo de lidar no uso. O instrumento surpreende. A surpresa de não estar à mão.
Não a mão – impertinência.
O mundo é algo em que a pre-sença já sempre esteve.
Ser-no-mundo: o empenho não temático, guiado pela circunvisão, nas referências, constitutivas da manualidade de um conjunto instrumental. 119
§ 17 Referência e Sinal
Referência é relação. Nem toda relação é referência.
Relação = determinação formal. 120
Toda ação de mostrar é uma relação, mas nem toda relação mostra.
Relação tem sua origem ontológica numa referência.
Seta = sinal, no mundo, ser para
Sinal, referência, não é a estrutura ontológica do sinal enquanto instrumento.
A referência funda-se, na estrutura ontológica do sinal enquanto instrumento.
Diferença da referência enquanto serventia e referencia enquanto sinal.
Ocupação instrumento sinal tem um emprego preferencial. 122
Pre-sença sempre a caminho. O sinal assume em seu próprio caráter instrumental, a obra de causar surpresa.
Os sinais são instalados na intenção de um fácil acesso.
Sinal = ação de mostrar 124
Como se descobre o ente antes do sinal?
O sinal está sempre à mão e, enquanto esse instrumento determinado, desempenha, ao mesmo tempo a função de alguma coisa que indica a estrutura ontológica de manualidade, totalidade referencial e mundanidade.
Referência, do ponto de vista ontológico é fundamento do sinal.
§ Conjuntura e significância: a mundanidade do mundo.
Em Todo manual, o mundo já está pre-sente. Embora não de forma temática, o mundo já se descobre antecipadamente em todo encontro. 127
A serventia (referência) não é o ser apropriado de um ente mas a condição ontológica da possibilidade para que possa ser determinado por apropriações.
Conjuntura é o ser dos entes intramundanos em que cada um deles já desde sempre liberou-se. “Conjuntura se dá como um manual.”
Ente – ôntico = conjunto, - ontológico mais radical deixa ser = perfeito a priori.
O fenômeno do mundo é o contexto em que da compreensão referencial, enquanto perspectiva de um deixar e fazer encontrar um ente no modo de ser da conjuntura. A estrutura da perspectiva em que a pre-sença se refere constitui a mundanidade do mundo.
A presença está originariamente familiarizada com o contexto em que, desse modo, ela sempre se compreende.
Na familiaridade com o mundo, constitutiva da presença e que também constitui a compreensão do ser da presença. 131

B. Contraposição da análise da mundanidade. À interpretação do Mundo de Descartes. 134
… a extensão em comprimento, altura e largura, constitui o ser propriamente dito da substância corpórea que nós chamamos mundo.
§ 20 Os fundamentos da determinação ontológica do mundo.
A substancialidade é a idéia de ser a que se remete a caracterização ontológica da res-extensa.
O ser da substância cuja principal “proprietas” é a “extencio” pode, por conseguinte, ser determinado ontologicamente em seus princípios quando se tiver esclarecido o sentido de ser, comum as três substâncias, à infinita e às duas finitas.
Descartes fica aquém da escola: … deixou sem discussão o sentido de ser e o caráter de universalidade desse significado contidos na idéia de substancialidade desse significado contidos na idéia de substancialidade.
O sentido permaneceu não esclarecido porque foi tomado por evidente. 139
Para Descartes “o ser não é um predicado real”.
Com isso renuncia-se em princípio à possibilidade de uma problemática pura do ser e busca-se uma saída pela qual se possam obter as determinações acima.
“O ser passa a ser expresso pelas determinações ônticas, pelos atributos. 140
§ 21 A discussão hermenêutica da ontologia cartesiana do mundo.
Se não for possível uma discussão radical entre Deus, eu e mundo a interpretação de Descartes levou a que se passasse por cima do fenômeno do mundo. 141
Descartes não retira o modo de ser dos entes extramundanos deles mesmos.
Com base numa idéia de ser, verdade em sua origem e não demonstrada em sua legitimidade ( ser = constância do ser simplesmente dado), ele prescreve ao mundo o seu ser próprio.” Ele prescreve ao mundo o seu ser próprio.
Noein = intuição e dianoein pensamento são modos de apreender o ser.
Para Descartes o acesso ao ser está sob a égide de uma idéia de ser , derivada de uma determinada região desse mesmo ente.
… impede que se perceba, de maneira ontologicamente adequada, os comportamentos da pre-sença. Com isso veda-se completamente o caminho para se ver o caráter fundado de toda percepção sensível e intelectual e para compreende-las como uma possibilidade do ser-no-mundo.
Descartes: desconhece inteiramente o fenômeno do mundo.
Descartes: estabeleceu o fundamento, a natureza material. A análise cartesiana do mundo possibilita pela primeira vez uma construção segura da estrutura da manualidade. (coisa de uso) 145
O acréscimo de predicados de valor não é capaz de propiciar em nada uma nova perspectiva sobre o ser dos bens.
Da mesma forma que Descartes não alcança o ser da substância com a extensio enquanto proprietas, assim também o recurso para as qualificações de valor não é capaz de visualizar o ser como mera manualidade e muito menos de elevá-lo à esfera de um tema ontológico. 146
Descartes radicalizou o estreitamento da questão do mundo. 147
Rejeita o ponto de partida das coisas do mundo.
C O circundante do mundo circundante e a espacialidade da pré-sença. 148
A recusa da interioridade da pré-sença num continente espacial deixa livre o caminho para perceber a espacialidade essencial da presença.
Deve-se determinar em que sentido o espaço é um constitutivo do mundo que, por sua vez, foi caracterizado como momento estrutural do ser-no-mundo.
A espacialidade funda-se na mundanidade do mundo.
§ 22 A espacialidade do manual intramundano.
Apreender fenomenalmente a espacialidade do manual.
Proximidade instrumento, manualidade não mero local no espaço, local significa pertencer a um todo instrumental.
Proximidade = modo de distanciamento.
Regiões estão sempre à mão. A ocupação da pre-sença descobre as regiões. 151
O espaço que, no ser-no-mundo da circunvisão, descobre-se como espacialidade do todo instrumental pertence sempre ao próprio ente como o seu local.
Cada mundo sempre descobre a espacialidade do espaço que lhe pertence.
§ 23 A espacialidade do ser-no-mudo.
A pre-sença, no entanto, está e é no mundo, no sentido de lidar familiarmente na ocupação com os entes que vêm ao encontro dentro do mundo.
O espacial e o espaço da pre-senca é uma abertura e instalação de espaços. ( distanciamento e direcionamento) a pre-sença é essa possibilidade de “dis-tanciar”. Como ente que é, sempre faz com que os entes venham a proximidade. O distanciamento descobre a distância.
Quaisquer duas coisas, dois pontos não estão distantes um do outro porque nenhum deles é capaz de distanciar em seu modo próprio de ser. Apenas possuem um intervalo que pode ser constatado na dis-tância e por ela medido.
Dis-tância relativa no apresentar-se 154.
“O dis-tanciamento guiado por uma circunvisão na cotidianidade da pré-sença descobre o ser-em-si do mundo verdadeiro, isto é, de um ente junto ao qual a pre-sença, existindo, já sempre está. 155
As ocupações se atêm previamente ao que está mais próximo e regula os dis-tanciamentos.
A aproximação se orienta pelo ser-no-mundo da ocupação. 156
A pre-sença não cruza de forma alguma o seu dis-tanciamento e isso a tal ponto que o leva consigo constantemente, pois a pré-sença é essencialmente distanciamento, ou seja, é espacial.
Sendo a pré-sença um ser que dis-tancia e se direciona, possui uma região já desde sempre descoberta. O direcionamento próprio do distanciamento funda-se no ser-no-mundo. 158
O a priori “subjetivo” do ser-no-mundo.
§ 24 A espacialidade da pre-sença e o espaço.
Na significância (ser-em) reside também a abertura essencial do espaço. 159
Com base nesta totalidade conjuntural do espaço é que se podem encontrar e determinar a forma e a direção do que está a mão.
Dar-espaço = liberação do que está a mão para a sua espacialidade. Arrumar = doação preliminar que descobre um conjunto possível de locais determinados pela conjuntura e que possibilita a orientação factual de cada passo. 160
O espaço nem está no sujeito nem o mundo está no espaço.
É o “sujeito”, entendido ontologicamente a pre-sença, que é espacial em sentido originário.
A descoberta do espaço puramente abstrato, destituído de circunvisão, neutraliza as regiões do mundo circundante, transformando-as em puras dimensões.
De acordo com o seu ser-no-mundo, a presença já sempre dispõe previamente, embora de forma implícita, de um espaço já descoberto. 162
…esclarecer pelas possibilidades do ser em geral a problemática do ser do espaço, no tocante ao próprio fenômeno e às diversas espacialidades fenomenais.
Quarto capítulo
O ser-no-mundo como ser-com e ser-próprio.
A característica ontológica da pré-sença é ser um existencial.
Quem conduz às estruturas da presença que, junto com o ser-no-mundo, são igualmente originários, a saber, o ser-com e a co-pre-sença.
§ 25 A presença é o ente que sempre eu mesmo sou, o ser é sempre meu.
A substancialidade é o guia ontológico da determinação do entes a partir do qual se responde à pergunta quem.
O ser simplesmente dado é o modo de ser de um ente que não possui o caráter da pré-sença. 165
Não é dado um eu isolado sem os outros,…, os outros já estão co-presentes no ser-no-mundo.
A tarefa é tornar fenomenalmente visível e interpretar ontologicamente de maneira adequada o modo de ser dessa co-pre-sença na cotidianidade mais próxima. 167
Fio condutor: a essência da pré-sença está fundada em sua existência. Para que possa ser uma constituição essencial da presença o eu deve ser interpretado existencialmente.
A substância do homem é a existência e não o espírito enquanto síntese de corpo e alma.
§ 26 A co-pre-sença dos outros e o ser-com cotidiano.
Os outros que vêm ao encontro, no conjunto instrumental à mão no mundo circundante, não são algo acrescentado pelo pensamento a uma coisa já antes simplesmente dada. Este mundo já é previamente sempre o meu o modo de ser da pré-sença dos outros que vêm ao encontro dentro do mundo se diferencia da manualidade e do ser simplesmente dado.
“Vem” ao encontro segundo o modo de ser-no-mundo. 169
Os outros são aqueles entre os quais se está.
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