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O existencialismo é um humanismo

 
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Jefferson dos Santos




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MensagemEnviada: 15/12/2006 - 10:56:21    Assunto: O existencialismo é um humanismo Responder com citação

O EXISTENCIALISMO É UM HUMANISMO

O objetivo do texto é defender o existencialismo.
Os marxistas nos acusam de haver negado a solidariedade, por nós partirmos da pura subjetividade, ou seja do penso cartesiano.
Na perspectiva cristã, suprimindo os mandamentos de Deus e os valores inscritos na eternidade, resta apenas a pura gratuidade; cada qual pode fazer o que quiser.
Concebemos o existencialismo como uma doutrina que torna a vida humana possível e que, declara que toda verdade e toda ação implicam um meio e uma subjetividade humana. 3
A sabedoria das nações afirma que os homens tendem sempre para o mais baixo e são necessários freios para dete-los, caso contrário se instaura a anarquia.
O existencialismo destina-se aos técnicos e aos filósofos. E pode ser facilmente definido. Por um lado existem os existencialistas cristãos, Jarpers e Gabriel Marcel. Por outro aldo os ateus. O que eles têm em comum é o fato de todos considerarem que a existência precede a essência,… 4-5
… no caso do corta-papel, a essência - ou seja, o conjunto das técnicas e das qualidades que permitem a sua produção e definição - precede a existência; e desse modo, também, a presença de tal corta-papel ou de tal livro na minha frente é determinada. Eis aqui uma visão técnica do mundo em função da qual podemos afrimar que a produção precede a existência.
Ao concebermos um Deus criador, admitimos sempre que a vontade se segue mais ou menos o entendimento, e que Deus quando cria, sabe precisamente o que está criando. Assim o conceito de homem, no espírito de Deus é assimilável ao conceito de corta-papel, no espírito do industrial; e Deus produz o homem segundo determinadas técnicas e em função de determinada concepção. No século XVIII o ateísmo dos filósofos elimina a noção de Deus, porém não suprime a idéia de que a essência precede a existência. O homem possui uma natureza humana, em Kant, o homem da selva e o burguês, devem encaixar-se na mesma definição.
O existencialismo ateu, afirma que, se Deus não existe, há pelo menos um ser no qual a existência precede a essência, um ser que existe antes de poder ser definido por qualquer conceito.: este ser é o homem. 5-6
O homem nada mais é do que aquilo que ele faz de si mesmo: é esse o primeiro princípio do existencialismo. Por isso o homem é responsável pelo que é.
Quando dizemos que o homem é responsável por si mesmo , queremos dizer que é responsável por todos os homens. O homem é incapaz de transpor os limites da subjetividade humana. De fato não há um único de nossos atos criando o homem que queremos ser, que não esteja criando simultaneamente a imagem do homem tal como julgamos que deva ser. Se escolho o casamento estou engajando toda a humanidade na trilha da monogamia. 6-7
O existencialismo declara que o homem é angústia. O homem que se engaja e se dá conta que ele não é apenas aquele que escolhe ser, mas também um legislador universal que escolhe simultaneamente a si mesmo e a humanidade inteira, não consegue escapar ao sentimento de sua total responsabilidade. A menos que use de má fé. Diferente de Kierkegaard sou sempre eu mesmo que considero uma ação boa ou má. Todos os chefes conhecem essa angústia ao escolher um caminho. 7- 8
Quando falamos em desamparo, queremos dizer que Deus não existe e que é necessário levar esse fato às últimas conseqüências. É incômodo que Deus não exista, pois junto com ele desaparece toda possibilidade de encontrar valores num céu inteligível, não pode mais existir nenhum bem apriori, já que não existe uma consciência infinita e perfeita para pensa-lo. Tudo é permitido, e por conseguinte o homem está desamparado, nada poderá ser explicado por referência a uma natureza humana dada e definitiva; ou seja, não existe determinismo, o homem é livre, o homem é liberdade. O homem esta condenado a inventar o homem a cada instante. 8-9
O sentimento constrói-se através dos atos praticados, não posso pedir-lhe que me guie. Escolher o conselheiro é, ainda engajar-se. Nenhuma moral geral poderá indicar-lhe o caminho a seguir; não existem sinais no mundo. Mesmo existindo sinais ainda sou eu que escolho o significado que têm. O desampara indica que somos nós mesmos que escolhemos o nosso ser. Não posso contar com homens que não conheço fundamentando-me na bondade humana ou no interesse do homem pelo bem estar da sociedade, já que o homem é livre e não existe natureza humana. Devo ater-me ao que vejo. Isso não quer dizer que eu não deva pertencer a um partido mas que não deverei ter ilusões e que farei o melhor que puder. A realidade não existe, a não ser na ação, o homem nada mais é que o seu projeto; só existe na medida em que se realiza; não é nada além do conjunto de seus atos, nada mais que sua vida. Na verdade, para o existencialista não existe amor senão aquele que se constrói. Só a realidade conta, não os sonhos. 11,12,13- 14
Nos acusam pela dureza de nosso otimismo. O covarde é assim porque se construiu como covarde, é responsável por sua covardia. Existe sempre para o covarde e para o herói uma possibilidade de não ser mais covarde ou herói. Não existe doutrina mais otimista, pois põe o destino do homem em suas mãos. A única esperança está em sua ação e só o ato permite ao homem viver. Como ponto de partida não pode existir outra verdade senão esta: penso logo existo; é a verdade absoluta da consciência que apreende a si mesma. Fora do cogito cartesiano, todos os objetos são apenas prováveis e uma doutrina de probabilidades que não esteja ancorada numa verdade desmorona. É necessário uma verdade absoluta, que consiste em eu me apreender a mim mesmo sem intermediário.15
Em segundo lugar esta é a única teoria que não transforma o homem num objeto. Através do penso nós apreendemos a nós mesmos perante o outro, e o outro é tão verdadeiro para nós quanto nós mesmos e condição de nossa existência. Ele se dá conta que só pode ser alguma coisa se os outros o reconhecerem como tal. O outro é indispensável a minha existência e ao conhecimento que tenho de mim mesmo. 15 -16
Existe uma universalidade humana de condição: o conjunto dos limites a priori que esboçam a sua situação fundamental no universo. Todos os projetos humanos relaciona-se com esses limites, para adequar-se a eles, afasta-los ou nega-los. Há uma universalidade no homem, porém ela não é dada é permanentemente construída. Construo o universal, escolhendo-me; construo-o entendendo o projeto de qualquer outro homem, de qualquer época que seja. 16
Não existe diferença alguma entre ser livremente, ser como projeto, como existência que escolhe a sua essência, e ser absoluto; não existe nenhuma diferença entre ser um absoluto temporariamente situado, ou seja, que se localizou na história, e ser universalmente compreensível. 16 - 17
A escolha é possível, o que não é possível é não escolher. O homem encontra-se numa situação com a qual está engajado; pela sua escolha engaja toda a humanidade e não pode evitar essa escolha. Efetivamente ele escolhe sem se referir a valores preestabelecidos, mas é injusto acusá-lo de capricho. Na arte como na moral existe criação e invenção. 17-18
O homem escolhe a sua moral, essa escolha não é gratuita. Algumas escolhas estão fundamentadas no erro e outras na verdade. Todo o homem que se refugia na desculpa de suas paixões, que inventa um determinismo, é um homem de má fé. No mesmo plano tem má fé aqueles que declara que certos valores preexistem a si próprio. Se alguma vez o homem reconhecer que está estabelecendo valores em seu desamparo, ele não poderá mais desejar outra coisa a não ser a liberdade como fundamento de todos os valores. 19
Queremos a liberdade através de cada circunstância particular. E querendo a liberdade descobrimos que ela depende integralmente da liberdade dos outros, e que a liberdade dos outros depende da nossa. Logo que existe um engajamento, sou forçado a querer simultaneamente, a minha liberdade e a liberdade dos outros. Logo o homem é um ser em que a essência é precedida pela existência. Contra Kant e sua moral abstrata, a única coisa que importa é saber se a invenção que se faz, se faz em nome da liberdade. Antes de alguém viver a vida em si não é nada; é quem a vive que deve dar-lhe um sentido. O existencialismo não coloca o homem como meta. O culto da humanidade conduz a um humanismo fechado sobre si mesmo, como o de Comte.
O homem está constantemente fora de si mesmo; é projetando-se e perdendo-se fora de si que ele faz com que o homem exista; por outro lado, é perseguindo objetivos transcendentes que ele pode existir; sendo o homem essa superação e não se apoderando dos objetos senão em relação a ela, ele se situa no centro dessa superação. Não existe outro universo além do universo da subjetividade humana. É a esse vínculo entre a transcendência, como elemento constitutivo do homem e a subjetividade que chamamos humanismo existencialista. Não é voltando-se para si mesmo mas procurando sempre uma meta fora de si que o homem se realizará precisamente como ser humano. 21-22
Mesmo se Deus existisse nada mudaria, eis nosso ponto de vista.


SARTRE, Jen-Paul. Trad. Rita Correia Guedes, in Os Pensadores, São Paulo, Nova Cultural 1987
_________________
O que se pode dizer pode ser dito claramente; e aquilo de que não se pode falar tem de ficar no silêncio.


Editado pela última vez por Cancian em 16/12/2006 - 18:57:04; num total de 1 vez
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