Paraíso Niilista – O Vazio e o Nada se encontram



Liberdade

 
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Jefferson dos Santos




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MensagemEnviada: 14/12/2006 - 08:12:04    Assunto: Liberdade Responder com cita莽茫o

A liberdade como condi莽茫o de justi莽a no contrato social.



Come莽amos o referido escrito sobre a frase do autor que denuncia a forma como o cidad茫o pode-se mover na sociedade.
鈥淥 homem nasce livre, e por toda parte encontra-se a ferros鈥. (Rousseau, 2005, 53).
Ent茫o indagamos: como poderia existir condi莽茫o justa para a conviv锚ncia dos homens em rela莽茫o com o poder? Haveria a possibilidade da exist锚ncia de um Estado justo igualit谩rio? Vejamos o que o doutor nos dar谩 de informa莽茫o acerca das quest玫es postas.
Esta justi莽a, ou liberdade ser谩 encontrada assegurada em um meio social por conven莽玫es, acordos feitos para garantir este direito, o de ser tratado de igual forma. Mas, se somos todos iguais 鈥渘aturalmente鈥, se a esp茅cie ser humano se da na sociedade como um mesmo ser mesmo ser, biologicamente, ent茫o haveria a possibilidade de fundar um direito legal? Para o nosso pensador, este direito s贸 se d谩 a partir de conven莽茫o, o que parece deixar em aberto se ele realmente 茅 efetivo na sociedade ou n茫o. Ser谩, que mesmo o direito legal (as conven莽玫es) ser茫o capazes de efetuar e garantir esta justi莽a e est谩 liberdade?
Para que o cidad茫o alcance a liberdade da qual estamos querendo saber se 茅 鈥渞ealmente鈥 efetiva ou n茫o na sociedade, esta liberdade deve tornar o homem senhor de si, ele deve ter a autonomia de sua autoconserva莽茫o, 鈥渆ssa liberdade comum 茅 uma conseq眉锚ncia da natureza do homem鈥 (Rousseau, 2005, 55).
Ent茫o, partindo das possibilidades humanas em sua natureza, todo homem, a princ铆pio 茅 capaz de liberdade, o que d谩 base para a constru莽茫o de uma justi莽a igualit谩ria no Estado. Neste ponto evocamos mais uma vez a pergunta sobre a natureza do homem. N茫o poderia ela mesma fundar uma justi莽a social? A natureza aparece como ponto forte no autor.
Mas a natureza, o corpo f铆sico, n茫o desfere nenhum fundamento para a cria莽茫o de algum direito. Homem algum tem autoridade natural sobre os outros, ent茫o esta n茫o poderia lan莽ar sobre os mesmos, leis de ordem social, incapacitando toda forma de autoridade natural humana.
Ao nascermos livres, por natureza, remonta toda a falta de validade da escravid茫o. Pois, ningu茅m 茅 escravo porque quer, mas pela arbitrariedade. 鈥淩enunciar a liberdade 茅 renunciar a qualidade de homem, aos direitos da humanidade, e at茅 pr贸prios deveres鈥 (Rousseau, 2005, 62).
Numa sociedade que 茅 formada de escravos, n茫o h谩 possibilidades de se discutirem direitos e justi莽a, pois o escravo 鈥渧endo鈥 sua liberdade e com ela toda sua autonomia. Mas, se o homem nasce naturalmente livre, o escravo pode ser chamado e ter uma vida humana? Pois parece que ele esta mais pr贸ximo de uma m谩quina a um humano, algu茅m j谩 viu a 鈥渞evolu莽茫o dos chips pela melhor qualidade no trabalho鈥.
鈥淎s palavras escravid茫o e direito s茫o contradit贸rias, excluem-se mutuamente鈥 (Rousseau, 2005, 65).
Se liberdade est谩 intimamente ligada com a autonomia e a livre escolha. O cidad茫o, s贸 茅 cidad茫o enquanto ser-com-liberdade, e quando isto n茫o se efetiva, se da a escravid茫o. Ent茫o, o que chamamos de escravo 茅 muito mais universal que os meros homens e mulheres que trabalham sem direitos alguns, ou estamos dentro de um governo que n茫o 茅 para todos.
Os direitos dos cidad茫os se encontram no direito legal, nas conven莽玫es. Com esta afirma莽茫o estamos propondo ou apontando que s贸, e apenas, s贸 enquanto sociedade o homem pode buscar igualdade e justi莽a. Ent茫o, o destino do homem fica a cabo de sua vontade, de sua racionalidade.
Quando um homem toma as r茅deas de uma sociedade a seu poder, ou quando o poder se d谩 de forma 鈥渟oberana鈥 numa sociedade a ponto de apenas desejos particulares serem vistos, ent茫o, denuncia Rousseau: 鈥淭rata-se, caso se queira, de uma agrega莽茫o, mas n茫o de uma associa莽茫o, nela n茫o existe nem bem p煤blico nem corpo pol铆tico鈥.
Para ser um comum, tem que existir a 鈥減ossibilidade鈥 da vontade de todos. Estes 鈥渢odos鈥 dos quais nos referimos indica a capacidade de todo homem exercer sua liberdade, sua 鈥渧ontade鈥, unindo-se com outros homens para que juntos possam ter a for莽a que 鈥渟贸鈥 n茫o alcan莽ariam. Ent茫o, 茅 nesta for莽a legal da associa莽茫o entre os homens, das conven莽玫es, que o homem encontra condi莽玫es para exercer sua liberdade e busca atrav茅s de e com seus cidad茫os for莽a para superar o que est谩 fora do seu alcance.
Dentro do autor, ele distinguiu dois tipos de liberdade que clarifica o que estamos buscando aqui. As duas formas como ela se mostra ao homem.
鈥淥 que o homem perde pelo contrato social 茅 a liberdade natural e um direito ilimitado a tudo quanto aventura e pode alcan莽ar. O que com ele ganha 茅 a liberdade civil e a propriedade de tudo que possui鈥.
O 鈥淓stado鈥 se finda na possibilidade de o cidad茫o ser livre, sem liberdade n茫o h谩 cidad茫o, e n茫o h谩 justi莽a, n茫o h谩 a vontade geral, n茫o h谩 moral, n茫o h谩 igualdade, n茫o h谩 um 鈥渃orpo pol铆tico鈥.
Definimos aqui a possibilidade de exist锚ncia do governo, a possibilidade do cidad茫o. Sem estes princ铆pios, n茫o h谩 pol铆tica.
A problem谩tica que permanece com grande for莽a 茅: o Estado origin谩rio deve garantir a 鈥渂oa vida鈥 para todos, para ele todos s茫o iguais, suas conven莽玫es garantem suas propriedades, e enfim, quem garante o direito de ter propriedade? Quem mede este direito? Quem garante este poder-ser?
Dentro do Estado, o homem tem sua liberdade de acordo com suas propriedades, pois para efetivar seus desejos e concretizar o mesmo, suas propriedades s茫o invocadas, e a partir da quantia delas (propriedades) este tem mais direitos que aqueles que possuem menos propriedades ou que n茫o h谩 possuem em quantia alguma.
Ent茫o, a liberdade dentro do Contrato n茫o 茅 uma, mas existe dentro dela a possibilidade de v谩rios graus da mesma.
Rousseau afirma que a liberdade n茫o pertence ao assunto tratado em seu livro. Porem fica bem claro em toda sua exposi莽茫o do contrato social que ela 茅 base para todo agir justo em sociedade, pois o homem s贸 consegue se completar enquanto animal livre, sua virtude principal deve ser o direito assegurado a liberdade, para que a partir deste possa haver justi莽a. Sem justi莽a, n茫o existe Estado seguro para qualquer cidad茫o, prevalecendo a n茫o natural lei do mais 鈥渇orte鈥.
A liberdade civil se limita pela vontade geral. A vontade geral pode ser entendida como vontade da maioria, parta que exista este padr茫o de sociedade, onde a maioria tem a capacidade de escolher o que 茅 justo e o que 茅 melhor para todos, esta maioria dever谩 ser esclarecida, ter um senso critico apurado.
A vontade geral tende 脿 igualdade. Como nos referimos anteriormente, esta igualdade s贸 pode ser alcan莽ada quando o povo souber o que 茅 melhor para si, pois se corre o risco de a maioria, sendo manipulada, arraste consigo o resto dos cidad茫os, aqueles, se podemos, considerar mais cr铆ticos.
A igualdade natural, no Estado, 茅 substitu铆da pela igualdade moral e supera aquilo que a natureza d谩 de desigual aos homens, o f铆sico, pois agora todos s茫o iguais dentro da conven莽茫o e todos s茫o iguais por direito.
O Soberano 茅 inalien谩vel, pois ele 茅 vontade do povo. Se perder sua autonomia e seu poder, n茫o h谩 Estado igualit谩rio.
H谩 uma grande diferen莽a entre a vontade de todos e a vontade geral. Vontade de todos seriam particularidades unidas, enquanto que vontade geral age em vista do interesse comum. Ent茫o, toda vontade deve se guiar em dire莽茫o da vontade geral, para que ela possa se tornar legitima e justa.
脌 vontade do povo deve ser a vontade geral. Mas este povo n茫o 茅 unido. Organiza-se atrav茅s de fac莽玫es, de grupos. O Soberano 茅 um corpo uno que se efetiva como soma das diferen莽as. Para a vontade geral se efetivar, cada um tem que agir de acordo consigo mesmo, para a forma莽茫o de um Soberano comum. Para melhor ser o Estado, n茫o deve conter sociedades parciais, fac莽玫es ou associa莽玫es citadas anteriormente.
鈥..., o pacto social d谩 ao corpo pol铆tico um poder absoluto sobre todos os seus, e 茅 esse mesmo poder que, dirigido pela vontade geral, ganha, como j谩 disse, o nome de Soberania. (Rousseau, 2005, 95)鈥.
A estrutura de um corpo pol铆tico formado de partidos pode vir a enganar os homens. Suas opini玫es vir茫o a serem particulares enquanto Estado. Ser茫o universais dentro do partido, pode ocorrer o processo de aliena莽茫o dentro destes partidos. O poder do Soberano pode n茫o ser o da vontade livre de todos se este processo ocorrer.
鈥淢as, quando todo o povo estatui algo para todo o povo, s贸 considera a si mesmo e, caso se estabele莽a ent茫o uma rela莽茫o ser谩 entre todo o objeto sob certo ponto de vista e todo objeto sob um outro ponto de vista, sem nenhuma divis茫o do todo. Ent茫o, a mat茅ria sobre a qual se estatui 茅 geral como a vontade que a estatui. A esse ato dou o nome de lei (Rousseau, 2005, 107)鈥.
A lei 茅 脿 vontade do Soberano, este 茅 o maior e o mais importante 贸rg茫o da sociedade. Ela nunca ser谩 contra a liberdade, pois 茅 a vontade do povo.
鈥淪e quisermos saber no que consiste, precisamente, o maior de todos os bens, qual deva ser a finalidade de todos os sistemas de legisla莽茫o, verificar-se-谩 que se resume nestes dois objetivos principais: a liberdade e a igualdade. A liberdade, porque qualquer depend锚ncia particular corresponde a outro tanto de for莽a tomada ao corpo do Estado, e a igualdade porque a liberdade n茫o pode subsistir sem ela. (Rousseau, 2005, 127)鈥.
Terminamos este escrito com a percep莽茫o acerca do Estado e da justi莽a bem agu莽ados. Este tema, 鈥淎 liberdade como condi莽茫o de justi莽a no contrato social鈥, mostrou que n茫o h谩 justi莽a no Estado civil sem a liberdade, embora o autor n茫o coloque a liberdade como um ponto chave em seu trabalho, sem esta n茫o h谩 Estado. A aten莽茫o deve ser retomada com muita seriedade a vontade total e vontade geral, para que n茫o tenha a intempestiva aliena莽茫o no Estado civil, para que o ato livre possa acontecer e contribuir para a vida em conjunto ser em vista do melhor para o homem, que 茅 o fim de todo esta processo contratual.


Bibliografia

Rousseau, Jean Jacques; Rousseau, O contrato Social; Os pensadores, editora cultura; 2005.
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