Antes do ataque
por Siemi贸n Gudzenko
Quando se vai para a morte 鈥 canta-se
(mas se pode chorar,
antes).
O mais terr铆vel do combate:
a vig铆lia do ataque.
A neve 鈥 furos 鈥 em torno,
enegrecida de minas.
Estrondo 鈥 o amigo que tomba.
A morte passou precisa.
Chegou minha vez,
sou isca e alvo.
Quarenta e um,
ano aziago.
A infantaria jaz inteira
no seu sepulcro-geleira.
Enho a impress茫o de ser um 铆m茫:
atraio enxames de minas.
Estrondo 鈥
o tenente, num ronco!
A morte passou de novo.
N茫o temos f么lego de espera.
E nos conduz sobre as trincheiras
uma ira que se congela
em baionetas
contra goelas.
Foi luta breve.
Agora funde-se
a vodca enregelada.
Extraio a ponta da faca
sangue alheio
de sob as unhas.
GUDZENKO, Siemi贸n. Antes do ataque. Trad. de Haroldo de Campos e Boris Schnaiderman.