t. h. abrahao
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Idade: 41 Registrado: 22/01/05 Mensagens: 574 Localiza莽茫o: s茫o jos茅 do rio preto - sp
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Elogio da Morte
por Antero de Quental
Morrer 茅 ser iniciado.
Anthologia Grega.
I
Altas horas da noite, o Inconsciente
Sacode-me com for莽a, e acordo em susto.
Como se o esmagassem de repente,
Assim me p谩ra o cora莽茫o robusto.
N茫o que de larvas me povoe a mente
Esse v谩cuo noturno, mudo e augusto,
Ou forceje a raz茫o por que afugente
Algum remorso, com que encara a custo...
Nem fantasmas noturnos vision谩rios,
Nem desfilar de espectros mortu谩rios,
Nem dentro de mim terror de Deus ou Sorte...
Nada! o fundo dum po莽o, 煤mido e morno,
Um muro de silencio e treva em torno,
E ao longe os passos sepulcrais da Morte.
II
Na floresta dos sonhos, dia a dia,
Se interna meu dorido pensamento.
Nas regi玫es do vago esquecimento
Me conduz, passo a passo, a phantasia.
Atravesso, no escuro, a nevoa fria
D'um mundo estranho, que povoa o vento,
E meu queixoso e incerto sentimento
S贸 das vis玫es da noite se confia.
Que m铆sticos desejos me enlouquecem?
Do Nirvana os abismos aparecem,
A meus olhos, na muda immensidade!
N'esta viagem pelo ermo espa莽o,
S贸 busco o teu encontro e o teu abra莽o,
Morte! irman do Amor e da Verdade!
III
Eu n茫o sei quem tu 茅s 鈥 mas n茫o procuro
(Tal 茅 minha confian莽a) devass谩-lo.
Basta sentir-te ao p茅 de mim, no escuro,
Entre as formas da noite, com quem falo.
Atrav茅s do sil锚ncio frio e obscuro
Teus passos vou seguindo, e, sem abalo,
No cairel dos abismos do Futuro
Me inclino 谩 tua voz, para sond谩-lo.
Por ti me engolfo no noturno mundo
Das vis玫es da regi茫o inominada,
A ver se fixo o teu olhar profundo...
Fix谩-lo, compreend锚-lo, basta uma hora,
Fun茅rea Beatriz de m茫o gelada...
Mas 煤nica Beatriz consoladora!
IV
Longo tempo ignorei (mas que cegueira
Me trazia este espirito enublado!)
Quem fosses tu, que andavas a meu lado,
Noite e dia, impass铆vel companheira...
Muitas vezes, 茅 certo, na canseira,
No t茅dio extremo d'um viver magoado,
Para ti levantei o olhar turbado,
Invocando-te, amiga derradeira...
Mas n茫o te amava ent茫o nem conhecia:
Meu pensamento inerte nada lia
Sobre essa muda fronte, austera e calma.
Luz 铆ntima, afinal, alumiou-me...
Filha do mesmo pai, j谩 sei teu nome,
Morte, irm茫 coeterna da minha alma!
V
Que nome te darei, austera imagem,
Que avisto j谩 n'um angulo da estrada,
Quando me desmaiava a alma prostrada
Do can莽a莽o e do tedio da viagem?
Em teus olhos v锚 a turba uma voragem,
Cobre o rosto e recua apavorada...
Mas eu confio em ti, sombra velada,
E cuido perceber tua linguagem...
Mais claros vejo, a cada passo, escritos,
Filha da noite, os lemas do Ideal,
Nos teus olhos profundos sempre fitos...
Dormirei no teu seio inalter谩vel,
Na comunh茫o da paz universal,
Morte libertadora e inviol谩vel!
VI
S贸 quem teme o N茫o-ser 茅 que se assusta
Com teu vasto sil锚ncio mortu谩rio,
Noite sem fim, espa莽o solit谩rio,
Noite da Morte, tenebrosa e augusta...
Eu n茫o: minh'alma humilde mas robusta
Entra crente em teu 谩trio funer谩rio:
Para os mais 茅s um v谩cuo ciner谩rio,
A mim sorri-me a tua face adusta.
A mim seduz-me a paz santa e inef谩vel
E o sil锚ncio sem par do Inalter谩vel,
Que envolve o eterno amor no eterno luto.
Talvez seja pecado procurar-te,
Mas n茫o sonhar contigo e adorar-te,
N茫o-ser, que 茅s o Ser 煤nico absoluto.
Editado pela 煤ltima vez por t. h. abrahao em 14/08/2008 - 11:24:04; num total de 1 vez |
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