O VALE DA INQUIETUDE
Dantes, silente vale sorria.
Era um vale onde ningu茅m vivia.
Haviam todos partido em guerra,
deixando os doces olhos de estrelas
noturnamente velarem pelas
flores formosas daquela terra,
em cujos bra莽os, dia ap贸s dia,
a luz vermelha do sol dormia.
N茫o h谩 viajante que, hoje, n茫o fale
sobre a inquietude do triste vale.
L谩, agora, tudo 茅 s贸 movimento,
exceto os ares, pesando, adustos,
nas soledades de encantamento.
Ah! nenhum vento move os arbustos
que vibram como as ondas geladas
em torno 脿s H茅bridas enevoadas!
Ah! nenhum vento essas nuvens guia,
murmurejantes, nos c茅us insanos,
e que se arrastam, por todo o dia,
sobre violetas, que algu茅m diria
serem milhares de olhos humanos,
e sobre l铆rios, de haste pendida,
chorando em tumba desconhecida,
tremendo; e sempre caem, com o perfume,
gotas de orvalho do fl贸reo cume,
chorando; e desce, nas hastes frias,
um pranto eterno de pedrarias.
_________________
Fl谩via Dellamura
http://www.taedium.com.br/
flavia@ateus.net
O 贸dio 茅 meu 煤nico v铆cio
O desprezo 茅 minha 煤nica virtude
O nada, meu 煤nico ideal
A.D.C