Nietzsche a caminho de Basileia
Jorge Gomes Miranda
脡 uma terra improv谩vel, de olhar baixo,
bovino, indiferente ao que vai escurecendo
e readquire vida atrav茅s das palavras.
Se aqui chegasse pela primeira vez
n茫o adivinharia a cinza por detr谩s do lume,
o limiar do deserto
emboscado no largo que atravesso
para de novo pernoitar numa fria pens茫o,
a longa noite de Inverno.
Sejamos realistas: alguns, poucos, recusam
escrever com m茫os de porcelana.
Outros, o que dizem religiosamente sentir
n茫o sentem.
O que dizem filosoficamente pensar
n茫o pensam.
Antes de publicarem um novo livro
fazem confer锚ncias onde citam, elogiam
os seus colegas de departamento,
e rebaptizam o inesperado
com conceitos que n茫o compreendem
e amontoam, sem sentido, na v茅spera
do dia do Senhor.
Achado o erro, o logro em que tombaram,
meses depois
tentam diligentemente desdizer
o que afirmaram ou escreveram,
a mem贸ria um campo minado.
Os inimigos da filosofia
est茫o dentro da filosofia.