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Escritos de Leonardo Davinci sobre a arte

 
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Fabrício de Lima




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MensagemEnviada: 27/05/2010 - 15:38:22    Assunto: Escritos de Leonardo Davinci sobre a arte Responder com citação

Escritos de Leonardo Davinci sobre a arte
Urb. 2a, 2b
O que compreende a ciência da pintura
A ciência da pintura compreende todas as cores das superfícies e as figuras dos
corpos que com elas se revestem. Compreende também sua proximidade e lonjura, segundo
as proporções entre as diversas diminuições e as diversas distâncias. Essa ciência é a mãe
da perspectiva, isto é, da ciência das linhas da visão, ciência esta que se divide, por sua vez,
em três partes. Destas, a primeira compreende a construção linear dos corpos; a segunda, a
diminuição [da intensidade] das cores em relação às diversas distâncias. Essa primeira, que
se refere tão-somente à configuração e aos limites dos corpos, chama-se desenho, isto é, a
representação de quaisquer corpos. Dela nasce outra ciência que compreende as sobras e a
luz, ou seja, o claro e o escuro, uma ciência que requer todo um extenso discurso. Convém
indicar que a ciência das linhas de visão pariram a ciência da astronomia, que não é senão
pura perspectiva, pois tudo o que nela encontramos são linhas de visão e secções de
pirâmides 83.
Urb. 4b
Sobre como o olho menos se engana em seu exercício que qualquer outro sentido
A distâncias apropriadas e em adequadas circunstâncias, menos se engana o olho em
seu exercício que qualquer outro sentido, porque, como demonstrarei mais adiante, ele vê
por linhas retas que compõe a pirâmide, cuja base descansa no objeto e cujo vértice aponta
no olho. Pelo contrário, o ouvido muito se engana no tocante ao lugar e à distância de seus
objetos, pois os sons não chegam por linhas retas, como as do olho, senão que por linhas
tortuosas e quebradas. Por isso, muito comumente ocorre que vozes distantes pareçam mais
próximas que as que realmente estão mais próximas, por causa de sua trajetória, de modo
que somente o eco chega a esse sentido em linha reta. O olfato localiza ainda com maior
dificuldade, o lugar de onde um cheiro procede. Por sua parte, o gosto e o tato, para
conhecer, tem de tocar em seu objeto.
Urb. 4b, 5a
Sobre como alguém que menospreza a pintura não ama a filosofia e a natureza
Se você menosprezar a pintura, única imitadora de todas obras visíveis da natureza,
decerto estará desprezando uma sutil invenção que, com filosofia sutil especulação,
considera todas as qualidades das formas: mares, lugares, plantas, animais, árvores, flores,
tudo que de sombra de luz se tinge. Essa é, sem dúvida, uma ciência, e legítima filha da
natureza que a pariu; ou, para dizer melhor, sua neta, pois todas as coisas visíveis foram
paridas pela natureza e dela nasceu a pintura. Com o que teremos de chamá-la plenamente
de neta da natureza e tê-la entre a divina parentela 87.
Urb. 5a
Sobre como o pintor é senhor de todo tipo de gente e de todas as coisas
Caso o pintor queira contemplar belezas que o cativem, é totalmente capaz de criálas,
se quer ver as coisas monstruosas e que o espantem, ou ridículas e engraçadas, ou
ainda, comovedoras, delas pode ser senhor e deus. Se quer criar localidades e desertos,
lugares sombrios e escuros para dias quentes, pode fazê-lo; e também lugares quentes para
estação fria. Se quer vales, e desde os altos cimos dos montes descobrir uma vasta capina,
ou vales profundos deseja ver altas montanhas ou desde as altas montanhas, os vales
profundos e as praias. Com efeito, tudo o que no universo é por essência presença ou ficção
será primeiro na mente do pintor e depois em suas mãos. E tais coisas são tão excelentes
que engendram uma proporcionada harmonia com o só com o só contemplá-las um
instante, da mesma maneira que ocorre com a natureza.
Urb. 5a, 5b
Sobre poeta e o pintor
A pintura serve a um mais digno sentido que a poesia, pois representa com maior
verdade as obras da natureza que o poeta. E são muito mais dignas as obras da natureza que
as palavras, as quais são obra do homem, pois tal desproporção existe entre as obras do
homem e as obras da natureza, como aquela que existe entre Deus e o homem. Daí ser mais
digno imitar as obras da natureza, verdadeiras semelhanças em ato, que imitar com palavras
os fatos e o ditos dos homens.
Se você, poeta, quiser descobrir as obras da natureza com seu simples ofício,
fingindo os lugares distintos e as formas das coisas variadas, será ultrapassado pelo poder
infinitamente desproporcional do pintor. E se você pretende revestir-se das outras ciências
que, à poesia são alheias e não pertencem – como a astrologia, a retórica, a teologia, a
filosofia, a geometria, a aritmética e outras análogas -, não será mais então poeta e não lhe
interessarão as coisas aqui tratadas. Você não vê, então, que, se quiser descrever os efeitos
da natureza, deve servir-se de ciências dispostas por outros, entre os quais o pintor, e que
sem a concorrência de meios alheios, científicos ou não, você não pode chegar com
precisão à imitação das obras da natureza?
Pela pintura, os amantes voltam-se aos simulacros das coisas amadas e falam com
as pinturas que as representam. É por ela também que os povos se põem em marcha com
votos fervorosos para buscar as imagens de seus deuses. Por ela, e não por ver as obras dos
poetas, que descrevem estes mesmos deuses com palavras. Por ela até os animais são
burlados. Eu vi, em certa ocasião, uma pintura que por obra de sua semelhança com o amo,
enganava ao cachorro e este lhe fazia muita festa. De igual maneira vi cachorros que
ladravam e pretendiam morder cachorros pintados, e uma macaca fazer infinitas palhaçadas
diante de outra pintada. Vi andorinhas que revoavam e pousavam sobre umas grades
pintadas, simulacro daquelas que existem sobre as casas.88
Urb. 6a
Caso você, poeta, pretendesse imaginar uma sangrenta batalha, com uma atmosfera
escura e tenebrosa, entre a fumaça de espantosas e mortais máquinas, espessa poeira que
suja o ar, tenebrosa fuga de miseráveis espantados pela horrível morte, em tal empreita se
avantajaria o pintor, pois sua pena já teria desfalecido antes que pudesse descrever com
correção aquilo que sem tardança o pintor representa com suas ciências. E sua língua ficaria
sufocada por causa da sede, e seu corpo derrotado pelo sono e pela fome, antes que
mostrasse por palavras o que o pintor, em um instante, já teria demonstrado por imagens.
Na pintura não falta senão a alma das coisas representadas, e em cada corpo aparecem
integralmente retratadas as partes que desde uma mesma direção podem ser vistas. Larga e
tediosa coisa seria par a poesia descrever todos os movimentos dos guerreiros na batalha, as
partes de seus membros, seus adornos; tudo aquilo que a pintura, concluída com brevidade
e verdades grandes, Poe diante dos olhos, faltando tão-somente a esse artifício o estrondo
das máquinas, a gritaria terrorifíca dos vencedores, o pranto e o clamor dos aterrorizados
vencidos; coisas que por, certo, nem mesmo o poeta pode propor ao sentido do ouvido.
Diremos, pois, que a poesia é a ciência que atua em acerto nos cegos, e que a pintura
cumpre o mesmo prometido com os surdos, porem de forma mais digna pois ela serve ao
melhor dos sentidos.
Urb. 8a, 9a
Sobre como a pintura sobrepassa todos os trabalhos dos homens com sutil especulação
O olho, que é chamado janela da alma,90 é a principal via para que o sentido comum
possa, da forma mais copiosa e magnífica, considerar as infinitas obras da natureza. ouvido
é a segunda, o qual se enobrece por contar as histórias que o olho já viu. Se vocês,
historiográficos, poetas ou matemáticos, não tivessem visto as coisas através do olho,
dificilmente poderiam descrevê-las por meio da escritura. E se você, poeta, narrar uma
história com a “pintura” de sua pena, o pintor fará com seu pincel uma mais deliciosa e
menos árdua de se entender. Se você chama a pintura de poesia muda, o pintor poderia
dizer que a poesia é pintura cega.91
E agora diga-me, que deformidade é pior: a cegueira ou a mudez? Se tão livre é o
poeta em sua invenção como o é o pintor, suas ficções, no entanto, não dão tão grande
satisfação aos homens como as do pintor. Pois se a poesia consegue descrever com suas
palavras as formas, os fatos e os lugares, o pintor é capaz de representar imagens dessas
mesmas formas.
Diga-me, então, o que é mais próximo ao homem: sua própria palavra ou sua
precisa imagem? A palavra que designa o homem e varia de nação para nação, mas a
forma não varia senão com a morte. E se o poeta serve à razão pela via do ouvido, o pintor
a serve pela via da vista, que é o mais digno sentido. Eu queria ver um bom pintor
representar o furor de uma batalha e um poeta também narrar outra, a fim de que ambas as
obras pudessem ser expostas ao publico. Ver-se-ia, então, diante de qual se deteriam os
visitantes, diante de qual seriam feitas as discussões mais acaloradas, qual seria mais
elogiada, qual deleitaria mais. Sem dúvida, a pintura satisfaria em maior grau, por ser mais
útil e bela.
Escreva o nome de Deus em algum lugar que situe sua imagem à frente, e então
verá o que obterá mais reverencia. Enquanto a pintura compreende em si todas as formas da
natureza, vocês, os poetas, não têm senão suas palavras, que não são universais como as
formas. Se vocês têm os efeitos das demonstrações, nos temos as demonstrações dos
efeitos. Escolha-se um poeta que descreva belezas de uma mulher a seu namorado, e um
pintor que a retrate. Veremos para que lado a natureza inclina o amoroso juiz. Certamente,
o fundamento das coisas deveria exigir que a sentença corresponde à experiência.
Urb. 15b, 16a
Fim da disputa entre o poeta e o pintor
Tenho concluído que a poesia é para os cegos o grau supremo do conhecimento, e
que o mesmo acontece com a pintura para os surdos, diremos que ainda assim prevalece a
pintura sobre a poesia, porquanto a pintura serve a um mais nobre sentido. A mesma
nobreza que se comprovou ser tripla à nobreza dos três outros sentidos, posto que perder a
audição, o olfato e o tato parece ser menos ruim do que perder o sentido da vista, pois quem
perde a vista se priva da visão e da beleza do universo e pode ser comparado a alguém
fechado num sepulcro no qual ainda lateja a vida e o movimento.
O olho abarca a beleza do mundo todo. Ele é senhor da astrologia, ele cria a
cosmografia, ele endireita todas as artes humanas, ele é príncipe das matemáticas e sua
ciências são acertadíssimas, mede as distancias e as magnitudes das estrelas, descobre os
elementos e suas posições, prediz as coisas futuras por meio das estrelas, engendra a
arquitetura, a perspectiva e a divina pintura.98
Oh, excelentíssimo, entre todas as restantes coisas criadas por Deus, que louvações
poderiam dar a medida de sua nobreza? Que povos, que línguas poderiam descrever com
rigor sua verdadeira operação? Janela do corpo humano, que através de si reflete a beleza
do mundo e nela goza, por ele a alma se alegra em sua prisão humana, se a qual a vida
seria um tormento. Por ele a humana industria descobriu o fogo, graças ao qual o olho
recupera o que então lhe é arrebatado pelas trevas. Ele ornou a natureza com a agricultura e
com os jardins deliciosos.
Mas, por que necessito continuar estendendo-me por esse discurso? Acaso há algo
que ainda não foi dito? É o olho que move os homens de oriente a ocidente; ele descobriu a
navegação [...], enquanto as obras que ele ordena às mãos são infinitas, tal como o pintor o
confirma, representando infinitas formas de animais, arvores, plantas e lugares.
Fim do que toca à pintura e à poesia.
Urb. 17a, 17b
Depois da pintura vem a escultura,100 arte digníssima, mas com menor excelência e
engenho executada, pois em dois assuntos principais (a perspectiva e as sombras e luzes),
nos quais o pintor oficia de dificilíssima maneira, a escultura é ajudada pela natureza. Por
outra parte, não é ela imitadora das cores, por meio das quais o pintor esforça-se em
descobrir que as sombras são companheiras da luz.
Urb. 17b, 18a
A coisa mais digna é a que satisfaz melhor o sentido. De modo que a pintura, que ao
sentido da vista contenta, é mais nobre que a musica que só ao ouvido satisfaz. A coisa
mais nobre é a que mais permanece. De modo que a música, que nem bem nasceu e já esta
morrendo, é menos digna que a pintura que, com vidro, dura eternamente.102 a coisa mais
excelente é aquela que contem em si maior universalidade e variedade. De modo que a
pintura deve ser antepostas a todas as demais artes, pois contém todas as formas, existentes
ou não na natureza. Ela mais deve ser magníficada e exaltada que a musica, a qual só
concerne à voz. Com a pintura se fazem simulacros dos deuses e à sua volta se constituem
divinos cultos, que a música só adorna. É a pintura que proporciona aos amantes o retrato
da ocasião de seus amores, ela conserva o simulacro da feição dos homens formosos. E se
você diz que a para eternizar a música basta escrevê-la, o mesmo fazemos aqui com as
letras. Em conseqüência, e já que foi dado um lugar para a musica entre as artes liberais,103
você deve fazer o mesmo com a pintura ou negar tudo. E se você me diz que existem
pintores ruins, lhe replicarei que n ao de outra maneira é consumida a música por quem não
a conhece.
Urb. 23a, 23b
Sobre como a escultura é de menor engenho que a pintura, e faltam nela muitas partes
naturais
Dedicando-me não menos à escultura que à pintura, e sendo em uma e em outra
igualdade versado, presumo não pecar por má-fé se decido sobre qual das duas seja de
maior engenho, dificuldade e perfeição.
Em primeiro lugar a escultura exige uma determinada luz, a saber: que incida a
partir de cima; enquanto a pintura traz consigo, não importa onde, sua própria luz.109 Luz e
sombra são, pois, questões importantes para a escultura, e nesse ponto a própria natureza
socorre o escultor por meio dos relevos que ela mesmo dispõe. O pintor, por outra parte,
com a arte [...], situa a luz e a sombra onde razoavelmente seriam situadas pela natureza.
A escultura não se pode distinguir pela natural variedade das cores; à pintura,
nenhuma lhe falta. As perspectivas dos escultores não parecem verossímeis; as dos pintores
podem alcançar cem milhas de profundidade. Os escultores não se servem da perspectiva
aérea e não pode representar os corpos transparentes, nem os corpos luminosos, nem os
raios reflexos, nem os corpos brunidos (como espelhos e semelhantes superfícies polidas),
nem as névoas, nem as tormentas, enfim; infinitas coisas que não direi para não resultar
tedioso.
Tem a escultura a seu favor o fato de ser mais resistente ao tempo, ainda que uma
pintura sobre cobre, recoberta de esmalte branco e pintada com cores de esmalte levadas ao
forno e cozidas seja tão mais resistente que aquela.
Do escultor poderia se dizer também que, se ele comete um erro, não lhe é fácil
remedia-lo. É um pobre argumento para tentar provar que uma obra é tanto mais digna
quanto mais irremediáveis são seus erros. Eu preferiria dizer que e mais fácil remediar as
idéias do mestre que cometeu o erro, que remediar a obra que ele frustrou.
Urb. 46 a-b
Não faça os contornos de suas figuras de uma cor diferente daquela do campo de
onde ela se destacam. Isto é, não descole a figura de seu campo por meio de um traço muito
acusado.144
A sensibilidade funciona por obra dos simulacros das coisas que lhe são transmitidas
pelos instrumentos superficiais chamados “sentidos”, que estão colocados, de forma
intermediária, entre as coisas exteriores e a sensibilidade. Do mesmo modo, os sentidos
funcionam por obra dos objetos.
O simulacros das coisas que os rodeiam tramite-se aos sentidos que o transferem à
sensibilidade; esta os oferece ao sentido comum, mediante o qual passam à memória, na qual
permanecem segundo sua maior ou menor importância.
Qual é o sentido mais rápido em sua função e mais próximo à sensibilidade que o
olho: superior e príncipe dos demais? Dele falaremos especialmente, deixando de lado os
outros quatro para não nos alongarmos demasiado.
Atl. 90a
O sentido comum (alma) é o que julga as impressões que lhe são transmitidas pelos
outros sentidos.
Funcionando segundo os objetos que projetam seus simulacros, os outros sentidos
por sua vez, os transmitem, à sensibilidade, e essa ao sentido [comum]. O sentido comum,
em sua qualidade de juiz, remete tudo à memória, na qual, segundo sua potencia, tudo é
conservado por mais ou menos tempo.
Os antigos pensadores estabeleceram que essa parte do juízo, sua própria dos
homens, tem sua casa em um organismo, ao qual os cinco sentidos se ligam por meio da
sensibilidade. Deram-lhe o nome de “sentido comum” e o localizaram no centro da
cabeça.134 Esse nome lhe advém do fato de ser ele o juiz dos outros sentidos. Funciona por
obra da sensibilidade, colocada em forma intermediária entre ele e os cinco sentidos.
Foram estas citações retiradas de diferentes edições do chamado "Tratado de Pintura".
Qualquer das edições foi preparada a partir de notas manuscritas, deixadas por Leonardo e
escritas entre os anos 1480 - 1516, que se podem encontrar no Codex Urbinas na Biblioteca
do Vaticano, em Roma. Em abono da verdade, não se trata propriamente de um tratado, no
sentido habitual do termo. De facto, é, sobretudo, um conjunto de reflexões que Leonardo
vai anotando por escrito, mas não constituem um todo elaborado, organizado, sistematizado
e perfeitamente amadurecido e acabado.
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