Fabrício de Lima

: 37 Joined: 28 Sep 2009 Posts: 37
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Schopenhauer coloca o orgulho em Aforismos para a sabedoria de Vida:''O orgulho tem, pois, origem numa convicção interior e direta que se possui do
próprio valor; a vaidade procura apoio na opinião alheia para chegar à estima de si própria. A
vaidade é faladora, o orgulho silencioso. Mas o homem vaidoso deveria saber que a alta
opinião dos outros, alvo dos seus esforços, se obtém mais facilmente por um silêncio
contínuo do que pela palavra, embora se tivessem para dizer as coisas mais lindas. — Não é
orgulhoso quem quer, o mais que se pode é simular o orgulho, mas, como todo o papel de
convenção, não logrará ser sustentado até ao fim. Porque é apenas a convicção profunda,
inabalável que se tem de possuir qualidades superiores e excepcionais, que dá o verdadeiro
orgulho. Esta convicção, embora seja errônea, ou fundada apenas em vantagens exteriores e
de convenção, em nada prejudica o orgulho, se é séria e sincera, porque o orgulho tem
raízes na nossa convicção, e não depende, assim como sucede com qualquer outro
conhecimento, do nosso bel-prazer. O seu pior inimigo, quero dizer o seu maior obstáculo, é
a vaidade, que apenas solicita os aplausos alheios para formar uma alta opinião de si mesma,
enquanto o orgulho faz supor que esse sentimento está já completamente arraigado entre
nós. Há quem censure e critique o orgulho, esses sem dúvida nada possuem de que se
possam orgulhar.''
De forma bem parecida coloca Fernando Pessoa no livro do desassossego coloca:''411.
O orgulho é a certeza emotiva da grandeza própria. A vaidade é a certeza
emotiva de que os outros vêem em nós, ou nos atribuem, tal grandeza. Os dois
sentimentos nem necessariamente se conjugam, nem por natureza se opõem. São
diferentes porém conjugáveis.
O orgulho, quando existe só, sem acrescentamento de vaidade, manifesta-se,
no seu resultado, como timidez: quem se sente grande, porém não confia em que os
outros o reconheçam por tal, receia confrontar a opinião que tem de si mesmo com a
opinião que os outros possam ter dele.
A vaidade, quando existe só, sem acrescentamento de orgulho, o que é
possível porém raro, manifesta-se, no seu resultado, pela audácia. Quem tem a
certeza de que os outros vêem nele valor nada receia deles. Pode haver coragem
física sem vaidade; pode haver coragem moral sem vaidade; não pode haver
audácia sem vaidade. E por audácia se entende a confiança na iniciativa. A audácia
pode ser desacompanhada de coragem, física ou moral, pois estas disposições da
índole são de ordem diferente, e com ela incomensuráveis.'' |
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