Fabrício de Lima

: 37 Joined: 28 Sep 2009 Posts: 37
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FIM DE ANO - a babaquice, a ignorância, o entorpecimento adoram "fogos de artifício", babam de satisfação, gozam nas explosões, pulam feito sapos no inverno quando reconhecem formas fugazes naquilo ali em cima: qualquer forma os excita e alegra. nenhum deles nunca se conteve diante de uma festinha ruidosa, só pode conceber uma festa como algo ruidoso, onde não se consegue ouvir ninguém e todos gritam numa sanha de cios em fogo, em plena esperança de reprodução, no batuque ensandecido dos que não conseguem aplacar o comichão dos rituais esperados. e o fim de ano é a convergência dessas formigas insatisfeitas em imensos cardumes ruidosos como se orgias metafísicas explodissem em suas carnes moles. quanto mais toneladas de pólvora explodem mais as antas vibram, urram, latem e se espojam na lama insatisfeita e na esperança sempre regrada. e "rompem o anus" com todas as satisfações dos duplos sentidos jamais satisfeitos com plenitude.
alberto lins caldas
NOSSO-HINO - e o nosso-hino não cessa.
Alberto Lins Caldas
DEUS - toda desgraça, toda miséria, todo acidente, toda injustiça é usado para elogiar deus, para ressaltar as “forças armadas”, as “forças de segurança” e a “pátria”.
Alberto Lins Caldas
VARGAS - comemoram hoje o suicídio daquele imbecil, daquela coisa estúpida, minúscula, asquerosa e gorda que chamam de vargas. só mesmo uma mídia vendida, babaca e superficial; um povo burlesco (que, aproveitando a palavra, se burla e burla para sobreviver: por isso grotesco); políticos venais; historiadores, sociólogos e antropólogos, politicólogos sem caráter e sem profundidade, lacaios de todos os minúsculos poderes; só mesmo numa coisinha como este brasil para comemorar, para recordar, para “sentir saudade”, para elogiar um ditadorzinho anódino de uma republiqueta sem vergonha. mas é comum por essas paragens verde-amarelas a louvação dos jegues (vivem para louvar e salvaguardar os jegues): todos os ditadores são lembrados como “presidentes da república”, “pai dos pobres”, “político de respeito”: é odioso!
Alberto Lins Caldas
EXÉRCITO - o "exército brasileiro" continua da mesma maneira, perigoso como sempre, periculoso e violento, insidioso e reacionário. nessa última crise (caso herzog, ministro da defesa, etc) tudo isso apareceu com nova claridade, ou fez rememorar. é uma ameaça contante, uma espada sobre a cabeça, sempre uma possibilidade, um horizonte de dissolução das liberdades individuais democráticas e das poucas conquistas sociais. pensam todos que esse perigo se educou, que aprendeu seu lugar numa sociedade democrática, mas isso é um engano sem medida. o "exército brasileiro" é o mesmo de sempre.
Alberto Lins Caldas
CLASSES - as "classes exploradas" criaram uma "cultura" impotente, ridícula, festeira, própria do "lixo industrial" de quem não resiste porque não sabe ao que resister; as "classes exploradoras" criaram uma "cultura" capacho (aos modelos europeus e estadunidenses e, principalmente, às oligarquias internas), frouxa, gosmenta, palavrosa, incapaz de superar sua im-posição de classe, sua visceral cumplicidade.
Alberto Lins Caldas
POVO BRASILEIRO - o "povo brasileiro" é lixo europeu, lixo do escravismo, lixo industrial, lixo mercantil; lixo de todos os "modos de produção", de todas as relações perversas; lixo de todos os governos, de todas as ditaduras, de todos os "sistemas políticos", de todas as políticas e economias; lixo da covardia, do capachismo, da acomodação, das negociações de sobrevivência; lixos do silêncio e do silenciamento; lixo das mídias, lixo dos racismos, lixo de todas as doenças e relações monstruosas com as mais variadas formas de torturadores, senhores e patrões. é um povo que "cria cultura" como resultados de todos esses lixos: por isso serve perfeitamente para turistas, autoridades, mídias e pesquisadores. é uma "cultura" alegre, festeira, carnavalesca, religiosa, musical e risonha que teatraliza seus capachismos e negociações, suas curvaturas de espinha e suas admirações teratológicas como se fossem belas e não índices de uma loucura nazista escondida e perigosa.
Alberto Lins Caldas
ESTADUSZUNIDOS - outro país ridículo (e perverso, e estúpido, e bosta de marinheiro) é os estaduszunidos (que os babacas chamam de AMÉRICA): esse consegue bater todos os limites: é o império absoluto da classe média com todos os seus vícios, deformações, racismos, violências levados as últimas instâncias. mais é impossível. como admirar, imitar, se curvar até a penetração a uma coisa dessas, a um povo sádico, estúpido, ignorante, fanático; a uma cultura de cachorro quente, a uma língua de traficantes, de mercadores e punheteiros, que gerou apesar dela uns poucos poetas e prosadores que valem a pena, principalmente traduzidos, isto é, libertados da camisa de forças da sua linguinha. somente um povo de escravos eternos, os brasileiros, para aceitar um tal senhor, uma coisinha dessas.
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