Fabrício de Lima

: 37 Joined: 28 Sep 2009 Posts: 37
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| A universidade é o aspecto autêntico de apenas um punhado de escritores ocidentais: Shakespeare,Dante,Cervantes, talvez Tolstoi.Goethe e Milton se apagaram um pouco,devido à mudança cultural;Whitman,tão popular na superfície,é hermético no âmago;Molière e Ibsen ainda partilham o palco,mas sempre depois de Shakespare.Emily Dickinson é surpreendentemente difícil por causa de sua originalidade cognitiva,e Neruda é menos populista brechtiano e shakesperiano do que talvez tenha pretendido ser.O universalismo aristocrata de Dante introduziu a era dos maiores escritores ocidentais,de Petrarca e Hölderlin;mas só Cervantes e Shakespeare atingiram plenamente a universidade,autores populistas não maior das eras aristocráticas.Quem chega mais perto da universalidade na Era Democrática é o milagre imperfeito de Tolstoi,ao mesmo tempo aristocrata e populista.Em nosso tempo caótico,Joyce e Becktt são os que chegam mais perto,mas as elaborações barrocas do primeiro e as anulações do segundo atuam impedindo a universalidade.Proust e Kafka têm a estranheza de Dante em suas sensibilidades.Vejo-me concordando com Antonio García-Berrio quando faz da universalidade a propriedade fundamental do valor poético.Centrar o Cânone de outros poetas foi o papel único de Dante.Cervantes,com Dom Quixote,continua a centrar o Cânone para os leitores mais gerais.Talvez possamos ir mais longe: para Shakespeare,precisamos de um termo mais borgesiano que universalidade.Simultaneamente ninguém e todo mundo,nada e tudo,Shakespeare é o Cânone Ocidental. |
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