Eustaquio Maia

: 74 Joined: 12 May 2005 Posts: 391 Location: Belo Horizonte
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O MEU NIRVANA
No alheamento da obscura forma humana,
De que, pensando, me desencarcero,
Foi que eu, num grito de emoção, sincero
Encontrei, afinal, o meu Nirvana!
Nessa manumissão schopenhaueriana,
Onde a Vida do humano aspecto fero
Se desarraiga, eu, feito força, impero
Na imanência da Idéia Soberana!
Destruída a sensação que oriunda fora
Do tacto - ínfima antena aferidora
Destas tegumentárias mãos plebéias -
Gozo o prazer, que os anos não carcomem,
De haver trocado a minha forma de homem
Pela imortalidade das Idéias!
Augusto dos Anjos (1884-1914)
Alguns comentários interessantes:
“Preciso deste como copo d’água para sobreviver.
O pensamento independente, a reflexão, a introspecção é a única forma de libertação do cativeriro esterilizante do cotidiano, da enxurrada esmagadora de imposições e solicitudes de uma sociedade autofágica e decadente, que a todo momento busca corromper e automatizar nossa vontade através da criação de modelos de consumo e padrões de comportamento absurdos e incoerentes com a integridade física e moral de uma qualidade de vida sadia, ou pelo menos aceitável.
Por isso, muitas vezes quando, em meio a multidão dos seres "normais e sociáveis" pressinto a pesada sombra do vazio a vampirizar minhas últimas idéias e a empurrar-me ao abismo do "lugar-comum", como uma mão salvadora, lembro deste poema, e volto a fazer a máquina do pensamento funcionar, e se não chego a salvar minha alma, pelo menos consigo alguns instantes de sobrevida.”
Paulo Bareev
Boa sugestão!
Também hei de me lembrar sempre deste soneto e buscar o Nirvana que, nele, o Poeta me fez entrever. Pois, durante toda minha vida, sempre tive, freqüentemente, minha existência atacada pela "mortificadora coalescência das desgraças humanas congregadas", tal qual o Poeta do Hediondo, embora eu não tivesse o talento e a clarividência necessários para expressar em palavras essa aguda percepção. Toda grande idéia que me ocorria sempre esbarrava nas minhas próprias limitações, "no molambo da língua paralítica".
Eustáquio Maia
“A verdade que você diz não tem passado nem futuro.
É.
E é tudo o que precisa ser.”
Anônimo _________________ "In a time of universal deceit, telling the truth is a revolutionary act." George Orwell
Eustáquio Maia
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