Thais Paloma
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Criança Adulterada
Minha criança adulterada
Onde irei te sepultar
- já que não irás voltar? -
A tua existência manchada
O mundo foi bem maior do que viu
E bem menos significante do que temeu
O medo estava em tua carne
Era o cerne de tua contradição
De tua fraqueza
De tua afeição por outrens
As verdades inquestionávies deles
Te adulteraram
Era mesmo o fim
Mas a vida - viver -, nunca foi um começo
- só o começo do fim -
As morais laicas se incorporaram ao seu ser
E você se sentiu pequena demais para duvidar
E grande o suficiente para seguí-los
Minha criança adulterada
Eu amo tua morte!
As certezas perenes
Não mais irão te importunar
As máscaras
Já não precisará usar
Logo também será minha vez
Não tendo nada a esperar do nada
Nada a temer do nada
Nada a sentir pelo nada
- se não a gratidão de estar passando pela existência não mais entorpecida e infeliz que os outros -
Enquanto acordo todos os dias (ainda)
As certezas e verdades adormecem
- para sempre -
Em mim, túmulo vivo de vários outros mortos
Os dias são claros
E cheios de dor
O vácuo; sinto-o latente e selvagem
Aqui dentro chove todos os dias
E meus olhos cerram-se
Querendo não mais ver
- nunca mais -
Tudo que tenho sentido
é estranho
É estranho como é frio
É estranho como perdi a "fé"
É estranho como se pensar em ter "fé"
É estranho como pensar em trascendência
A autodestruição
Veio comigo
Germe envolto na pulsão de todos os meus instintos
O pulso irá parar
O coração não mais baterá
A mente não mais pensará
A carne apodrecerá
Engraçado!
Somos tudo que temos
E ainda assim
Nos fazemos tanto mal!
Triste.
Ou não.
Thaís Paloma[/font">[/font]
Last edited by sinnedos on 16/07/2006 - 10:32:32; edited 2 times in total |
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