A individualidade do homem tem tão pouco valor que nada perde com a morte; há alguma importância nos característicos gerais da humanidade, que são indestrutíveis.
Se concedessem ao homem uma vida eterna, sentiria tanta repugnância por ela que acabaria desejando a morte, farto da imutabilidade de seu caráter e de seu ilimitado entendimento.
Se exigíssemos a imortalidade perpetuaríamos um êrro porque a individualidade não deveria existir, e o verdadeiro fim da vida é livrar-nos dela.
Se não houvesse penas e trabalhos, acabaria o homem por enfastiar-se, e voltaria a sofrer as dôres do mundo em tudo o que se encontrasse ao seu alcance.
Num mundo melhor o homem não se sentiria feliz, o essencial seria fazer com que êle seja o que não é, isto é, transformá-lo completamente.
A morte realiza a principal condição; deixar de ser o que é; tendo isto em conta, concebe-se-lhe a necessidade moral. Ser colocado noutro mundo, e mudar inteiramente de ser, é no fundo uma só e mesma coisa.
Seria conveniente que a morte, que destruiu uma consciência individual, a reanimasse de novo dando-lhe uma vida eterna?
Qual o conteúdo, quase invariável desta consciência? Uma torrente de idéias e preocupações mesquinhas, acanhadas, terrenas. Melhor seria deixá-la repousar eternamente.
Schopenhauer
_________________
Flávia Dellamura
http://www.taedium.com.br/
flavia@ateus.net
O ódio é meu único vício
O desprezo é minha única virtude
O nada, meu único ideal
A.D.C