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Antologia Poética de Augusto dos Anjos

 
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Lenore

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PostPosted: 22/01/2005 - 11:52:05    Post subject: Antologia Poética de Augusto dos Anjos Reply with quote

Quando o Augusto dos Anjos resolve comentar seu próprio fazer literário, se vale do amor como referente, e embora acredite que só há amor "duma caveira para outra caveira", o que pode ter violentado os conceitos de poesia à época (ou, quem sabe, da própria arte poética em geral, de então) talvez seja a quadra de abertura do poema que, curiosamente, se chama Idealismo, espécie de niilismo do Augusto dos Anjos.

Falas de amor, e eu ouço tudo e calo!
O amor na Humanidade é uma mentira.
É. E é por isso que na minha lira
De amores fúteis poucas vezes falo.

_________________
Flávia Dellamura
http://www.taedium.com.br/
flavia@ateus.net

O ódio é meu único vício
O desprezo é minha única virtude
O nada, meu único ideal
A.D.C


Last edited by Lenore on 22/01/2005 - 12:07:41; edited 1 time in total
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t. h. abrahao

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PostPosted: 23/01/2005 - 03:08:26    Post subject: As Razões da Angústia de Augusto dos Anjos Reply with quote

Augusto dos Anjos não era um homem igual aos outros, aos que se acomodam, aos que se rebaixam para subir, enfim, aos que perseguem riquezas ou fazem do amor o cio bestial. A causa primária de sua desordem nervosa já é assunto conhecido. A mãe do poeta, quando este ainda em estado de gestação, sofreu uma comoção das mais fortes, causada pela perda imprevista de um irmão querido, estudante de medicina, de quem o sobrinho nascituro herdaria o nome e as conseqüências do choque. O traumatismo moral que tão fundamente abalou a mãe, perturbou-a por muito tempo, além mesmo da gravidez. Ao que se sabe, ficou desajustada da mente pelo resto da vida, com preocupações de grandeza e fidalguia. Obviamente, tal fato não podia deixar de refletir-se no filho em gestação, com distúrbios os mais evidentes no seu sistema nervoso.

Explica-se deste modo, pelo drama que padeceu na vida intra-uterina, o refinamento de suas faculdades morais, caracterizado por uma sensibilidade doentia, tiques nervosos, sestros, fobias, enfim, todo o seu temperamento emocional. Tanto isso parece verdade que seus irmãos, igualmente inteligentes, jamais denotaram qualquer grau de semelhança ou relação de afinidade com a alma bizarra do poeta. Nem os que nasceram antes, nem os que vieram depois. De seu pai também não herdou as características psíquicas que o marcaram a fundo. Pai e irmãos passavam por normais, só ele dava a impressão de um desajustado, como se houvesse saído do limbo para cair na labareda. Isto posto, assim como está provada a hereditariedade dos caracteres biológicos, não há negar também a dos psicológicos, sobretudo quando provém da linha materna, nas modalidades do caráter, da inteligência, do sentimento.

Por seu parentesco espiritual, tem sido Augusto comparado a Leopardi, Nietzsche, Byron, Oscar Wilde e outros loucos geniais ou degenerados superiores, na classificação dos antropologistas do século passado, a partir de Lombroso. E por curiosa coincidência, tais modelos de comparação passaram também pelas mesmas crises intra-uterinas que afetaram a sensibilidade do autor do Eu. Assim como a mãe de Augusto, a de Leopardi, a de Nietzche, a de Byron, a de Wilde, por motivos vários, sofreram perturbações muito fortes na época de gestação daqueles notáveis supranormais. Todas se angustiaram por acontecimentos imprevistos, choques emocionais, menos a de Byron, que já era constitucionalmente quase louca.

Sem o concurso da causa primária, em relação com a casuística, não é possível interpretar a obra de um escritor, sobretudo quando tal obra reflete da primeira à última página a alma do autor. Não se trata aqui de fazer coincidir a personalidade criadora de Augusto com a sua personalidade psicológica, porquanto as duas já se apresentam fundidas sem a química da ajuda biográfica.

Quem foi que viu minha Dor chorando?
Saio. Minha alma sai agoniada.
Andam monstros sombrios pela estrada
E pela estrada, entre estes monstros, ando!

Bati nas pedras de um tormento rude
E a minha mágoa de hoje é tão intensa
Que eu penso que a Alegria é uma doença
E a Tristeza a minha única saúde!
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Eustaquio Maia




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PostPosted: 05/06/2006 - 09:29:38    Post subject: supranormais Reply with quote

Em se falando de supranormais, alguém aqui já assistiu ao filme Powder , do diretor Victor Salva?
_________________
"In a time of universal deceit, telling the truth is a revolutionary act." George Orwell

Eustáquio Maia
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