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Augusto dos Anjos, O Poeta da Espiritualidade

 
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Eustaquio Maia




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PostPosted: 10/05/2006 - 11:43:07    Post subject: Augusto dos Anjos, O Poeta da Espiritualidade Reply with quote

Augusto dos Anjos, O Poeta da Espiritualidade
Por Paulo Urban


Publicado na Revista Planeta nº 337/outubro 2000

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Referendado como o Poeta da Morte, dos cemitérios,
dos ossos e da carne em putrefação,
Augusto dos Anjos, ao contrário do que muitos imaginam,
segreda em sua obra poética uma filosofia esotérica libertária,
capaz de nos guiar pela senda da mais pura transcendência.


Vês?! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que nesta terra miserável
Mora entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa ainda pena a tua chaga,
Apedreja esta mão vil que te afaga,
Escarra nesta boca que te beija!




Estes são seus "Versos Íntimos", escritos em 1906 pelo poeta Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos, a compor um dos mais declamados trabalhos deste enigmático discípulo de Baudelaire, cuja breve vida esteve marcada por um intenso questionamento filosófico, disseminado por toda a sua obra.

"Versos Íntimos" expõem, de modo formal e cruel, a nossa efêmera condição, fadados que estamos a nos prostrar na lama sepulcral não sem antes experimentarmos toda a sorte de sofrimentos advindos do relacionamento humano.

Só mesmo a perfeição faria toda a filosofia Hobbeana, a considerar o homem lobo do próprio homem, caber assim metrificada nos catorze versos (geralmente dois quartetos e dois tercetos) decassílabos heróicos - 6a e 10a sílabas são tônicas - de um único soneto. O poeta observa laconicamente o definhar de nossos sonhos, lembra-nos a todos de que a ingratidão é o natural presente que nossas mãos estão acostumadas a receber por toda a vida, e nos adverte acerca das traições a que estamos sempre sujeitos, considerando por isso inútil qualquer espécie de remorso que possamos sentir esboçar-se em nosso peito. São versos realistas, eivados de um pessimismo desconcertante, a reproduzir o comportamento da sociedade hipócrita à qual estamos condenados desde o nascimento.


Amigo da Alma
_________________
"In a time of universal deceit, telling the truth is a revolutionary act." George Orwell

Eustáquio Maia


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