Paraíso Niilista – O Vazio e o Nada se encontram



Dois aforismos de Aurora

 
Post new topic   Reply to topic    Paraíso Niilista Forum Index -> Fórum Filosofia
View previous topic :: View next topic  
Author Message
t. h. abrahao

Fundador PN


: 41
Joined: 22 Jan 2005
Posts: 574
Location: são josé do rio preto - sp

PostPosted: 26/05/2006 - 16:29:01    Post subject: Dois aforismos de Aurora Reply with quote

apenas dois aforismos de Aurora. pudera eu colocar o livro inteiro aqui...


117.

Na prisão. - Minha vista, seja forte ou fraca, enxerga apenas a uma certa distância, e neste espaço eu vivo e ajo, a linha deste horizonte é meu destino imediato, pequeno ou grande, a que não posso escapar. Assim, em torno a cada ser há um círculo concêntrico, que lhe é peculiar. De modo semelhante, o ouvido nos encerra num pequeno espaço, e assim também o tato. É de acordo com esses horizontes, nos quais, como em muros de prisão, nossos sentidos encerram cada um de nós, que medimos o mundo, que chamamos a isso perto e àquilo longe, a isso grande e àquilo pequeno, a isso duro e àquilo macio: a esse medir chamamos "perceber" - e tudo, tudo em si é erro! Conforme a quantidade de experiências e emoções que nos são possíveis em média, num momento determinado, cada qual mede a sua vida, breve ou longa, pobre ou rica, plena ou vazia: e segundo a vida média humana medimos a de todas as demais criaturas - e tudo, tudo em si é erro! Se a nossa visão fosse cem vezes mais aguda para as coisas próximas, o ser humano nos pareceria monstruosamente comprido; sim, pode-se imaginar órgãos que fariam percebê-lo como imensurável. Por outro lado, poderia haver órgãos constituidos de tal forma que sistemas solares inteiros parecessem contraídos e ajuntados como uma única célula: e, para seres de conformação oposta, uma célula do corpo humano poderia apresentar-se como um sistema solar, em movimento, construção e harmonia. Os hábitos de nossos sentidos nos envolveram na mentira e na fraude da sensação: estas são, de novo, os fundamentos de todos os nossos juízoz e "conhecimentos" - não há escapatória, não há trilhas ou atalhos para o mundo real! Estamos em nossa teia, nós, aranhas, e, o que quer que nela apanhemos, não podemos apanhar senão justamente o que se deixa apanhar em nossa teia.


118.

O que é então o próximo? - Que compreendemos de nosso próximo, senão suas fronteiras, quero dizer, aquilo com que ele se inscreve e se imprime em nós e sobre nós? Nada compreendemos dele, senão as mudanças em nós que são por ele causadas - nosso conhecimento dele semelha um espaço oco a que se deu uma forma. Nós lhe atribuimos as sensações que os seus atos despertam em nós, dando-lhe, assim, uma falsa positividade inversa. Nós o construímos segundo o que sabemos de nós, dele fazendo um satélite de nosso próprio sistema; e, quando ele nos ilumina ou se escurece, e somos a causa última de ambas as coisas - nós acreditamos o contrário!Mundo de fantastas, este em que vivemos! Mundo invertido, virado, vazio e, no entanto, sonhado cheio e reto.




NIETZSCHE, Friedrich. in Aurora. Livro II, pág. 90-91. Tradução de Paulo César de Souza. São Paulo: Cia. das Letras.
Back to top
View user's profile Send private message Send e-mail Visit poster's website MSN Messenger
Display posts from previous:   
Post new topic   Reply to topic    Paraíso Niilista Forum Index -> Fórum Filosofia All times are GMT - 3 Hours
Page 1 of 1

 
Jump to:  
You cannot post new topics in this forum
You cannot reply to topics in this forum
You cannot edit your posts in this forum
You cannot delete your posts in this forum
You cannot vote in polls in this forum





    RSS Paraíso Niilista
  Paraíso Niilista – O Vazio e o Nada se encontram
Copyright © Paraíso Niilista – O Vazio e o Nada se encontram
:: Caso encontre erros, aprenda com eles ::
[On-line há ]
[última atualização: 23/01/2026]
  [Powered by]
intelligence...