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O Guardador de Rebanhos (IX) - Análise

 
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Thais Paloma

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PostPosted: 16/07/2006 - 09:42:26    Post subject: O Guardador de Rebanhos (IX) - Análise Reply with quote


O Guardador de Rebanhos (IX)

Sou um guardador de rebanhos
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as maõs e com os pés
E com o nariz e com a boca

Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido

Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.

Alberto Caeiro

Neste poema Pessoa retrata a realidade objetiva e a verdade advinda desta num sincero niilismo, o que ele vê, sente e pensa, enfim, capta empiricamente, já é, sem sí, a razão e o fim prático de estar sendo, de estar acontecendo como algo com um propósito, uma finalidade e uma finidade implícitas, por isso ele diz:
..."Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido"

A única realidade para ele é esta objetiva, não há razão para conceber realidades, assim como não há racionalidades racionais. Ele sente, vê, toca, cheira e não forma valores e idéias abstratas a cerca delas; por exemplo, uma árvore. Uma árvore é apenas uma árvore e não fica pensando no que poderia ser, não interpreta abstratamente e si mesma, tem uma finalidade ambiental, biológica e etc, e uma finalidade implícitas e é só.
..."Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto
E me deito ao comprido na erva
E fechos os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade
Sei a verdade e sou feliz".
Não há filosofias, nem tampouco realidades, há a objetividade de uma realidade que está aí, queiramos ou não, aceitemos ou não, as abstrações são apenas concepções de valores concebidos meticulosamente; as sensações seriam todo o método lógico para se apreender a complexidade da realidade, para sabê-la sendo, acontecendo, aquém e independente de nós e, em contrapartida, interagindo conosco e medida que, pelos sentidos primais, saímos do estado de "idiotice", aludindo a concepção de Heráclito para a palavra, nos voltando para as suas várias questões, ao invés de subjugar o mundo aos nossos caprichos e vontades, ignorando-o e considerando-o externo a nossa própria existência.
"Sou um guardador de rebanhos
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e com os pés
E com o nariz e com a boca".
Em suma, mais um dos belos poemas de Pessoa, que diz tanto com tão pouca retórica.


Last edited by sinnedos on 16/07/2006 - 09:46:17; edited 2 times in total
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