t. h. abrahao
Fundador PN

: 41 Joined: 22 Jan 2005 Posts: 574 Location: são josé do rio preto - sp
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Velimir Khlébnikov. pelo que contam as biografias, ele passou o fim de sua vida como andarilho, passando por vários povoados da Rússia. levava consigo uma espécie de bolsa cheia de papéis, nos quais estavam os rascunhos dos seus poemas. e esta mesma bolsa ele usava como travesseiro. e por isso que ele merece um canto aki, pois isso foi algo niilista.
O cavalo de Prjeválski
Perseguido - Por alguém? Que sei? Não cuido.
Pela pergunta: uma vida, ... e beijos, quantos?
Pela romena, dileta do Danúbio,
E a polonesa, que os anos circuncantam.
- Fujo pata brenhas, penedias, gretas,
Vivo entre os pássaros, álacre alarido.
Feixe-de-neve é o revérbero de aletas
De asas que brilharam para os inimigos.
Eis que se avistam as rodas dos fadários,
Zunido horrível para a grei sonolenta.
Mas eu voava como roca estelária
Por ígneas, não nossas, ignotas sendas.
E quando eu tombava próximo da aurora
Os homens no espanto mudavam a face,
Estes suplicavam que eu me fosse embora,
Outros me rogando: que eu iluminasse.
Para o sal, para as estepes, onde os touros
Pastam balouçando chifres cor de treva,
E para o norte, para além, onde os troncos
Cantam como arcos de cordas retesas,
Coroado de coriscos o demônio
Voava, gênio branco, retorcendo a barba.
Ele ouve os uivos de hirsutas carantonhas
E o repicar das frigideiras de alarma.
"Sou corvo branco - dizia - e solitário,
Porém tudo, o lastro negro dos dilemas,
A alvinitente coroa de meus raios,
Tudo eu relego por um fantasma apenas:
Voar, voar, para os páramos de prata,
Ser mensageiro do bem, núncio da graça."
Junto ao poço se estilhaça
A água, para que os couros
Do arreio, na poça escassa,
Reflitam-se com seus ouros.
Correndo, cobra solerte,
O olho-d'água e o arroio
Gostariam, pouco a pouco,
De fugir e dissolver-se.
Que assim, tomadas a custo,
As botas de olhos escuros
Dela, ficassem mais verdes.
Arrolos, langor, desmaios,
A vergonha com seu tisne,
Janela, isbá, dos três lados
Ululam rebanhos pingues.
Na vara, baldes e flor,
No rio azul uma balsa.
"Toma este lenço de cor,
Minha algibeira está farta."
"Quem é ele? Que deseja?
Dedos rudes, mãos de fera!
É de mim que ele moteja
Rente à choupana paterna?
Que respondo, que contesto,
Ao moço dos olhos negros?
Cirandam dúvidas lestas!
E ao pai, direi meu segredo?"
'`É minha sina! Me abraso!"
Por que buscamos, com lábios,
O pó, varrido das tumbas,
Apagar nas chamas rubras?
Eis que para os píncaros extremos
Ergo vôo como o abutre, sinistro:
Com mirada senil considero o bulício terreno
Que, naquele instante, eu diviso.
(Tradução: Augusto de Campos e Boris Schnaiderman)
obs.1: o título deste poema não foi dado pelo poeta, mas pelo seu amigo David Burliuk... e blablabla. por falar em blablabla, lembrei de uma coisa. não tem muito a ver com o tópico. é que "blablabla" deriva de "bar bar bar"... os gregos (sim, aqueles barbudos de túnica que eram putas dóceis e pariram a filosofia e outras coisas mais) chamavam quem não era de nacionalidade grega de "barbarous", que quer dizer "estrangeiro". e bárbaro era todo aquele que não tivesse nascido na Grécia e nem falasse o idioma grego. e por eles não falarem grego, os gregos diziam que eles se comunicavam assim: "bar bar bar"... e disso surgiu o nosso "blablabla". noooooooossa! mudou sua vida, fala a verdade?! tsc...
obs.2: o cavalo de prjeválski é a única espécie conhecida de cavalo selvagem; foi descoberto por M. M. Prjeválski, explorador russo da Asia Central. |
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