Eustaquio Maia

: 74 Joined: 12 May 2005 Posts: 391 Location: Belo Horizonte
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Belchior: Balada de Madame Frigidaire
Ando pós-modernamente apaixonado pela nova geladeira.
Primeira escrava branca que comprei veio e fez a revolução.
Esse eterno feminino do conforto industrial injetou-se em minha veia...
Dei bandeira!
E ao pôr fé nessa deusa gorda da tecnologia, gelei de pura emoção.
Ora! Desde muito adolescente me arrepio ante empregada debutante.
Uma elétrica doméstica, então... Que sex-appeal! Dá-me um frio na barriga!
Essa deusa da fertilidade, ready-made à la Duchamp, ja passou de minha amante!
Virou superstar, a mulher ideal, mais que mãe, mais que a outra... Puta amiga!
Mister Andy, o papa pop,
E outro amigo meu, xarope,
Se cansaram de dizer:
"Pra que Deus, Dinheiro, Sexo,
Ideal, Pátria, Família,
Se alguém já tem Frigidaire?"
É Freud, rapaziada
Vir a cair na cantada
De um objeto mulher.
1.º - Eu me consumo, Madame.
E a classe média que mame
Se o céu a prazo se der!
2.º - Mas que trocadilho infame!
La vraie "Ballade des Dames Du Temps Jadis"... ao contraire!
Que brancor no abre-e-fecha sensual dessa Nossa Senhora Asséptica!
Com ela saio e traio a televisão, rainha minha e de vocês!
Dona Frigidaire me come. But "No kids, double income!" Filho compromete a estética!
Como Édipo-Rei Momo, como e tomo tudo dela... Deleites da frigidez.
Inventores de Madame Frigidaire, peço bis! Muito obrigado.
Afinal, na geladeira, bem ou mal, pôs-se o futuro do País.
E um futuro de terceira, posto assim na geladeira, nunca vai ficar passado.
Queira Deus que em fim da orgia, já de cabecinha fria, não leve um doce gelado!
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VIDEOCLIPE
Ainda bem que esta carapuça não me serve. A minha é Consul. Ponho tudo nela e gozo dentro.  _________________ "In a time of universal deceit, telling the truth is a revolutionary act." George Orwell
Eustáquio Maia
Last edited by Eustaquio Maia on 17/08/2009 - 14:38:41; edited 1 time in total |
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