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CAOS - Hakim Bey

 
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Autor Mensagem
Fabrício de Lima




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MensagemEnviada: 22/02/2010 - 06:33:17    Assunto: CAOS - Hakim Bey Responder com citação

CAOS

O CAOS NUNCA MORREU. Bloco não-lapidado primordial, único monstro venerável, inerte e
espontâneo, mais ultra-violeta do que qualquer mitologia (como as sombras frente à Babilônia), a
original e indiferenciada unidade-do-ser ainda se irradia serena como as flâmulas negras dos
Assassinos1, aleatória & perpetuamente intoxicada.
O Caos surgiu antes de todos os princípios de ordem & entropia, não é nem um deus nem um
verme, seus desejos insensatos circundam & definem todas as coreografias possíveis, todos os
éteres & flogistons: suas máscaras são cristalizações de seu próprio rosto inexistente, como nuvens.
Tudo na natureza é perfeitamente real, incluindo a consciência; não há absolutamente nada com o
que se preocupar. Não apenas os grilhões da Lei foram quebrados; eles nunca existiram: demônios
nunca vigiaram as estrelas, o Império nunca se iniciou, Eros nunca deixou a barba crescer.
Não, ouça, o que aconteceu foi o seguinte: eles mentiram para ti, venderam-te idéias de bem & mal,
fizeram-te perder a confiança em teu próprio corpo & sentir vergonha por teus dons de profeta do
caos, inventaram palavras de desprezo para teu amor molecular, te hipnotizaram com distrações, te
entediaram com a civilização & todas suas emoções usurárias.
Não há transformação, nem revolução, nem luta, nem caminho; já és o monarca de tua própria pele
— tua liberdade inviolável espera para ser completada apenas pelo amor de outros monarcas: uma
política de sonho, urgente como o azul do céu.
Para desfazer todos os direitos & hesitações ilusórios da história, é necessária a economia de uma
lendária Idade da Pedra: xamãs ao invés de padres, bardos ao invés de senhores, caçadores ao invés
de policiais, coletores dotados de preguiça paleolítica, gentis como sangue, saindo nus por aí ou
pintados como pássaros, equilibrados na onda da presença explícita, o agora-e-sempre atemporal.
Agentes do caos deitam olhares flamejantes sobre qualquer coisa ou pessoa capaz de prestar
testemunho à sua condição, à sua febre de lux et voluptas. Estou desperto apenas naquilo que amo &
desejo ao ponto do terror: todo o resto é apenas mobília coberta, anestesia cotidiana, merda na
cabeça, tédio subreptiliano de regimes totalitários, censura banal & dor inútil.
Avatares do caos agem como espiões, sabotadores, criminosos do amour fou, nem generosos nem
egoístas, acessíveis como crianças, educados como bárbaros, esfolados por obsessões,
desempregados, sensualmente tresloucados, lobos angelicais, espelhos para contemplação, olhos
como flores, piratas de todos os signos & sentidos.
Cá estamos nos arrastando pelas rachaduras nos muros da igreja estado escola & fábrica, todos os
monólitos paranóides. Cortados da tribo por uma nostalgia furiosa, escavamos em busca de palavras
perdidas, bombas imaginárias.
O último feito possível é aquele que define a percepção em si, um invisível cordão dourado que nos
conecta: dança ilegal nos corredores do tribunal. Se eu te beijasse aqui eles chamariam isso de ato
de terrorismo: vamos então levar nossas pistolas para a cama & acordar a cidade à meia-noite, como
bandidos bêbados celebrando com uma fuzilaria a mensagem do gosto do caos.
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Eustaquio Maia




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MensagemEnviada: 27/02/2010 - 16:46:00    Assunto: Universo - e nada mais Responder com citação

Em seu livro Roteiro Cósmico, Huberto Rohden diz:

"Unidade sem diversidade é monotonia.
Diversidade sem unidade é caos.
Unidade com diversidade é harmonia.

O universo, seja o de fora, no mundo sideral, seja o de dentro, no mundo humano, simboliza harmonia.

Fora da harmonia não há filosofia.
A harmonia é eqüidistante da monotonia e do caos".
_________________
"In a time of universal deceit, telling the truth is a revolutionary act." George Orwell

Eustáquio Maia
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