Depois da hist贸ria
Marcos Siscar
Tantas gera莽玫es nos antecederam, tanto saber foi maior que a ci锚ncia, tanto afeto e 贸pio fizeram acreditar no homem, tanta morte gloriosa coroou a convic莽茫o, tanta morte violenta conferiu realidade 脿 combinat贸ria das piores probabilidades, tantas cabe莽as cortadas e enroladas em verso metrificado e no fluxo informe do bom senso, tanta arbitrariedade e tanta sutileza reunidas no fio do relho e da frase tensa, tanta chuva e tanta laranja, e com as m茫os secas, aqui estamos 鈥 nus, mudos, indigentes, como se tiv茅ssemos acabado de nascer. Nosso pecado de origem foi o de n茫o ter nascido antes, antes da hist贸ria, antes da conversa, antes do banho. Giramos em torno de tudo, at茅 que tudo passe a girar em torno de n贸s e refa莽a a sangrenta marcha na dire莽茫o do passado. (Hoje dispensei os chinelos, desci descal莽o na dire莽茫o da porta do pr茅dio. Tudo me levava 脿 comunh茫o com o solo, a um esp铆rito de precis茫o. Mas nunca na sola dos p茅s percebeu-se um tamanho embara莽o. E a raz茫o do pr贸ximo passo feriu-se 脿 sombra amarela da repeti莽茫o. Olhei bem direto no metal e no vidro da porta, queria derret锚-los, mas minha for莽a se dividiu em duas. Uma delas partiu em dire莽茫o 脿 rua, levando o lixo, fiel 脿 sua humana pista, e desfez-se, p贸 de dias. A outra aqui ficou, ci锚ncia sem m茅todo, acumula莽茫o sem dono, dire莽茫o sem rumo.) O que esperam 茅 que os leve pela m茫o e sirva o caf茅 ou que a ambig眉idade os libere do desconforto do sentido. Os que chegarem a tempo, ver茫o. E nada al茅m de uma prosa, limpa prossegue.