LENORA
Ah! foi partida a ta莽a de ouro! o esp铆rito fugiu!
Que dobre o sino! Uma alma santa j谩 cruza o Est铆gio rio!
E tu n茫o choras, Guy de Vere? Venha teu pranto agora,
ou nunca mais! No rude esquife jaz teu amor, Lenora!
Leiam-se os ritos funer谩rios e o 煤ltimo canto se ou莽a,
um hino 脿 rainha dentre as mortas, a que morreu mais mo莽a.
E duplamente ela morreu, por que morreu t茫o mo莽a!
"Pela riqueza a amastes, m铆seros, o seu orgulho odiando,
e, doente, a bendissestes, quando a morte ia chegando.
E como, ent茫o, lereis o rito? Os cantos de repouso
entoareis v贸s, olhar do mal? V贸s, o verbo aleivoso,
que o fim trouxestes 脿 exist锚ncia t茫o jovem da inoc锚ncia?"
Peccavimus; mas n茫o se irrites! O r茅quiem t茫o solene
e embalador ascenda aos c茅us, que a morta j谩 n茫o pene!
Para aguardar-te ela se foi, tendo ao lado a Esperan莽a
e tu ficaste, louco e s贸, chorando a noiva crian莽a,
meiga e formosa, que ali jaz, magn铆fica, sem par,
com a vida em seus cabelos de ouro, mas n茫o em seu olhar,
com a vida em seus cabelos, sim, e a morte em seu olhar.
"Ide! Meu cora莽茫o n茫o pesa! Sem canto funeral,
quero seguir o anjo em seu v么o com um velho hino triunfal.
N茫o dobre mais o sino! que a alma em seu prazer sagrado
n茫o o ou莽a, triste, ao ir deixando o mundo amaldi莽oado.
Ela se arranca aos vis dem么nios da terra e sobe aos c茅us.
Do inferno, 脿 altura se conduz e l谩, na luz dos c茅us,
livre do mal, da dor, se assenta num trono, aos p茅s de Deus!"
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Fl谩via Dellamura
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flavia@ateus.net
O 贸dio 茅 meu 煤nico v铆cio
O desprezo 茅 minha 煤nica virtude
O nada, meu 煤nico ideal
A.D.C