Verdade
A porta da verdade estava aberta,
mas s贸 deixava passar
meia pessoa de cada vez.
Assim n茫o era poss铆vel atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
s贸 trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis n茫o coincidiam.
Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
diferentes uma da outra.
Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilus茫o, sua miopia.
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OS OMBROS SUPORTAM O MUNDO
Chega um tempo em que n茫o se diz mais: meu
Deus.
Tempo de absoluta depura莽茫o.
Tempo em que n茫o se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou in煤til.
E os olhos n茫o choram.
E as m茫os tecem apenas o rude trabalho.
E o cora莽茫o est谩 seco.
Em v茫o mulheres batem 脿 porta, n茫o abrir谩s.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
脡s todo certeza, j谩 n茫o sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que 茅 a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele n茫o pesa mais que a m茫o de uma crian莽a.
As guerras, as fomes, as discuss玫es dentro dos
edif铆cios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando b谩rbaro o espet谩culo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que n茫o adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida 茅 uma ordem.
A vida apenas, sem mistifica莽茫o.
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Fl谩via Dellamura
http://www.taedium.com.br/
flavia@ateus.net
O 贸dio 茅 meu 煤nico v铆cio
O desprezo 茅 minha 煤nica virtude
O nada, meu 煤nico ideal
A.D.C