A CRUZ DA ESTRADA
(Castro Alves)
Caminheiro que passas pela estrada,
Seguindo pelo rumo do sert茫o,
Quando vires a cruz abandonada,
Deixa-a em paz dormir na solid茫o.
Que vale o ramo do alecrim cheiroso
Que lhe atiras nos bra莽os ao passar?
Vais espantar o bando buli莽oso
Das borboletas, que l谩 v茫o pousar.
脡 de um escravo humilde sepultura,
Foi-lhe a vida o velar de ins么nia atroz.
Deixa-o dormir no leito de verdura,
Que o Senhor dentre as selvas lhe comp么s.
N茫o precisa de ti. O gaturamo
Geme, por ele, 脿 tarde, no sert茫o.
E a juriti, do taquaral no ramo,
Povoa, solu莽ando, a solid茫o.
Dentre os bra莽os da cruz, a parasita,
Num abra莽o de flores, se prendeu.
Chora orvalhos a grama, que palpita;
Lhe acende o vaga-lume o facho seu.
Quando, 脿 noite, o sil锚ncio habita as matas,
A sepultura fala a s贸s com Deus.
Prende-se a voz na boca das cascatas,
E as asas de ouro aos astros l谩 nos c茅us.
Caminheiro! do escravo desgra莽ado
O sono agora mesmo come莽ou!
N茫o lhe toques no leito de noivado,
H谩 pouco a liberdade o desposou.

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"In a time of universal deceit, telling the truth is a revolutionary act." George Orwell
Eust谩quio Maia