Jefferson dos Santos
Idade: 39 Registrado: 26/10/05 Mensagens: 22 Localiza莽茫o: Campos do Jord茫o
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O EXISTENCIALISMO 脡 UM HUMANISMO
O objetivo do texto 茅 defender o existencialismo.
Os marxistas nos acusam de haver negado a solidariedade, por n贸s partirmos da pura subjetividade, ou seja do penso cartesiano.
Na perspectiva crist茫, suprimindo os mandamentos de Deus e os valores inscritos na eternidade, resta apenas a pura gratuidade; cada qual pode fazer o que quiser.
Concebemos o existencialismo como uma doutrina que torna a vida humana poss铆vel e que, declara que toda verdade e toda a莽茫o implicam um meio e uma subjetividade humana. 3
A sabedoria das na莽玫es afirma que os homens tendem sempre para o mais baixo e s茫o necess谩rios freios para dete-los, caso contr谩rio se instaura a anarquia.
O existencialismo destina-se aos t茅cnicos e aos fil贸sofos. E pode ser facilmente definido. Por um lado existem os existencialistas crist茫os, Jarpers e Gabriel Marcel. Por outro aldo os ateus. O que eles t锚m em comum 茅 o fato de todos considerarem que a exist锚ncia precede a ess锚ncia,鈥 4-5
鈥 no caso do corta-papel, a ess锚ncia - ou seja, o conjunto das t茅cnicas e das qualidades que permitem a sua produ莽茫o e defini莽茫o - precede a exist锚ncia; e desse modo, tamb茅m, a presen莽a de tal corta-papel ou de tal livro na minha frente 茅 determinada. Eis aqui uma vis茫o t茅cnica do mundo em fun莽茫o da qual podemos afrimar que a produ莽茫o precede a exist锚ncia.
Ao concebermos um Deus criador, admitimos sempre que a vontade se segue mais ou menos o entendimento, e que Deus quando cria, sabe precisamente o que est谩 criando. Assim o conceito de homem, no esp铆rito de Deus 茅 assimil谩vel ao conceito de corta-papel, no esp铆rito do industrial; e Deus produz o homem segundo determinadas t茅cnicas e em fun莽茫o de determinada concep莽茫o. No s茅culo XVIII o ate铆smo dos fil贸sofos elimina a no莽茫o de Deus, por茅m n茫o suprime a id茅ia de que a ess锚ncia precede a exist锚ncia. O homem possui uma natureza humana, em Kant, o homem da selva e o burgu锚s, devem encaixar-se na mesma defini莽茫o.
O existencialismo ateu, afirma que, se Deus n茫o existe, h谩 pelo menos um ser no qual a exist锚ncia precede a ess锚ncia, um ser que existe antes de poder ser definido por qualquer conceito.: este ser 茅 o homem. 5-6
O homem nada mais 茅 do que aquilo que ele faz de si mesmo: 茅 esse o primeiro princ铆pio do existencialismo. Por isso o homem 茅 respons谩vel pelo que 茅.
Quando dizemos que o homem 茅 respons谩vel por si mesmo , queremos dizer que 茅 respons谩vel por todos os homens. O homem 茅 incapaz de transpor os limites da subjetividade humana. De fato n茫o h谩 um 煤nico de nossos atos criando o homem que queremos ser, que n茫o esteja criando simultaneamente a imagem do homem tal como julgamos que deva ser. Se escolho o casamento estou engajando toda a humanidade na trilha da monogamia. 6-7
O existencialismo declara que o homem 茅 ang煤stia. O homem que se engaja e se d谩 conta que ele n茫o 茅 apenas aquele que escolhe ser, mas tamb茅m um legislador universal que escolhe simultaneamente a si mesmo e a humanidade inteira, n茫o consegue escapar ao sentimento de sua total responsabilidade. A menos que use de m谩 f茅. Diferente de Kierkegaard sou sempre eu mesmo que considero uma a莽茫o boa ou m谩. Todos os chefes conhecem essa ang煤stia ao escolher um caminho. 7- 8
Quando falamos em desamparo, queremos dizer que Deus n茫o existe e que 茅 necess谩rio levar esse fato 脿s 煤ltimas conseq眉锚ncias. 脡 inc么modo que Deus n茫o exista, pois junto com ele desaparece toda possibilidade de encontrar valores num c茅u intelig铆vel, n茫o pode mais existir nenhum bem apriori, j谩 que n茫o existe uma consci锚ncia infinita e perfeita para pensa-lo. Tudo 茅 permitido, e por conseguinte o homem est谩 desamparado, nada poder谩 ser explicado por refer锚ncia a uma natureza humana dada e definitiva; ou seja, n茫o existe determinismo, o homem 茅 livre, o homem 茅 liberdade. O homem esta condenado a inventar o homem a cada instante. 8-9
O sentimento constr贸i-se atrav茅s dos atos praticados, n茫o posso pedir-lhe que me guie. Escolher o conselheiro 茅, ainda engajar-se. Nenhuma moral geral poder谩 indicar-lhe o caminho a seguir; n茫o existem sinais no mundo. Mesmo existindo sinais ainda sou eu que escolho o significado que t锚m. O desampara indica que somos n贸s mesmos que escolhemos o nosso ser. N茫o posso contar com homens que n茫o conhe莽o fundamentando-me na bondade humana ou no interesse do homem pelo bem estar da sociedade, j谩 que o homem 茅 livre e n茫o existe natureza humana. Devo ater-me ao que vejo. Isso n茫o quer dizer que eu n茫o deva pertencer a um partido mas que n茫o deverei ter ilus玫es e que farei o melhor que puder. A realidade n茫o existe, a n茫o ser na a莽茫o, o homem nada mais 茅 que o seu projeto; s贸 existe na medida em que se realiza; n茫o 茅 nada al茅m do conjunto de seus atos, nada mais que sua vida. Na verdade, para o existencialista n茫o existe amor sen茫o aquele que se constr贸i. S贸 a realidade conta, n茫o os sonhos. 11,12,13- 14
Nos acusam pela dureza de nosso otimismo. O covarde 茅 assim porque se construiu como covarde, 茅 respons谩vel por sua covardia. Existe sempre para o covarde e para o her贸i uma possibilidade de n茫o ser mais covarde ou her贸i. N茫o existe doutrina mais otimista, pois p玫e o destino do homem em suas m茫os. A 煤nica esperan莽a est谩 em sua a莽茫o e s贸 o ato permite ao homem viver. Como ponto de partida n茫o pode existir outra verdade sen茫o esta: penso logo existo; 茅 a verdade absoluta da consci锚ncia que apreende a si mesma. Fora do cogito cartesiano, todos os objetos s茫o apenas prov谩veis e uma doutrina de probabilidades que n茫o esteja ancorada numa verdade desmorona. 脡 necess谩rio uma verdade absoluta, que consiste em eu me apreender a mim mesmo sem intermedi谩rio.15
Em segundo lugar esta 茅 a 煤nica teoria que n茫o transforma o homem num objeto. Atrav茅s do penso n贸s apreendemos a n贸s mesmos perante o outro, e o outro 茅 t茫o verdadeiro para n贸s quanto n贸s mesmos e condi莽茫o de nossa exist锚ncia. Ele se d谩 conta que s贸 pode ser alguma coisa se os outros o reconhecerem como tal. O outro 茅 indispens谩vel a minha exist锚ncia e ao conhecimento que tenho de mim mesmo. 15 -16
Existe uma universalidade humana de condi莽茫o: o conjunto dos limites a priori que esbo莽am a sua situa莽茫o fundamental no universo. Todos os projetos humanos relaciona-se com esses limites, para adequar-se a eles, afasta-los ou nega-los. H谩 uma universalidade no homem, por茅m ela n茫o 茅 dada 茅 permanentemente constru铆da. Construo o universal, escolhendo-me; construo-o entendendo o projeto de qualquer outro homem, de qualquer 茅poca que seja. 16
N茫o existe diferen莽a alguma entre ser livremente, ser como projeto, como exist锚ncia que escolhe a sua ess锚ncia, e ser absoluto; n茫o existe nenhuma diferen莽a entre ser um absoluto temporariamente situado, ou seja, que se localizou na hist贸ria, e ser universalmente compreens铆vel. 16 - 17
A escolha 茅 poss铆vel, o que n茫o 茅 poss铆vel 茅 n茫o escolher. O homem encontra-se numa situa莽茫o com a qual est谩 engajado; pela sua escolha engaja toda a humanidade e n茫o pode evitar essa escolha. Efetivamente ele escolhe sem se referir a valores preestabelecidos, mas 茅 injusto acus谩-lo de capricho. Na arte como na moral existe cria莽茫o e inven莽茫o. 17-18
O homem escolhe a sua moral, essa escolha n茫o 茅 gratuita. Algumas escolhas est茫o fundamentadas no erro e outras na verdade. Todo o homem que se refugia na desculpa de suas paix玫es, que inventa um determinismo, 茅 um homem de m谩 f茅. No mesmo plano tem m谩 f茅 aqueles que declara que certos valores preexistem a si pr贸prio. Se alguma vez o homem reconhecer que est谩 estabelecendo valores em seu desamparo, ele n茫o poder谩 mais desejar outra coisa a n茫o ser a liberdade como fundamento de todos os valores. 19
Queremos a liberdade atrav茅s de cada circunst芒ncia particular. E querendo a liberdade descobrimos que ela depende integralmente da liberdade dos outros, e que a liberdade dos outros depende da nossa. Logo que existe um engajamento, sou for莽ado a querer simultaneamente, a minha liberdade e a liberdade dos outros. Logo o homem 茅 um ser em que a ess锚ncia 茅 precedida pela exist锚ncia. Contra Kant e sua moral abstrata, a 煤nica coisa que importa 茅 saber se a inven莽茫o que se faz, se faz em nome da liberdade. Antes de algu茅m viver a vida em si n茫o 茅 nada; 茅 quem a vive que deve dar-lhe um sentido. O existencialismo n茫o coloca o homem como meta. O culto da humanidade conduz a um humanismo fechado sobre si mesmo, como o de Comte.
O homem est谩 constantemente fora de si mesmo; 茅 projetando-se e perdendo-se fora de si que ele faz com que o homem exista; por outro lado, 茅 perseguindo objetivos transcendentes que ele pode existir; sendo o homem essa supera莽茫o e n茫o se apoderando dos objetos sen茫o em rela莽茫o a ela, ele se situa no centro dessa supera莽茫o. N茫o existe outro universo al茅m do universo da subjetividade humana. 脡 a esse v铆nculo entre a transcend锚ncia, como elemento constitutivo do homem e a subjetividade que chamamos humanismo existencialista. N茫o 茅 voltando-se para si mesmo mas procurando sempre uma meta fora de si que o homem se realizar谩 precisamente como ser humano. 21-22
Mesmo se Deus existisse nada mudaria, eis nosso ponto de vista.
SARTRE, Jen-Paul. Trad. Rita Correia Guedes, in Os Pensadores, S茫o Paulo, Nova Cultural 1987 _________________ O que se pode dizer pode ser dito claramente; e aquilo de que n茫o se pode falar tem de ficar no sil锚ncio.
Editado pela 煤ltima vez por Cancian em 16/12/2006 - 18:57:04; num total de 1 vez |
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