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Genealogia da Moral

 
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Jefferson dos Santos




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MensagemEnviada: 18/01/2007 - 02:40:58    Assunto: Genealogia da Moral Responder com cita莽茫o

NIETZSCHE 鈥淎 genealogia da Moral鈥. Trad. A.A. Rocha, Rio de Janeiro, Tecnoprint Gr谩fica S.A.

Pref谩cio:
A Genealogia da moral 茅 composta de tr锚s partes:
1) Da origem e da ess锚ncia do cristianismo, que consiste na rea莽茫o e insurrei莽茫o contra o predom铆nio dos valores aristocr谩ticos.
2) A crueldade 茅 um elemento da civiliza莽茫o, que n茫o pode ser reprimido: a consci锚ncia 茅 o instinto da crueldade, que se dobra sobre si mesmo depois de n茫o ter podido desafogar-se externamente.
3) Explica a for莽a do ideal asc茅tico-religioso, pois 茅 o 煤nico proposto aos homens.

Pref谩cio:
鈥淣os os investigadores do conhecimento, desconhecemo-nos.鈥 Nem a respeito de n贸s mesmos procuramos o conhecimento. 17-18
II
Pergunta pela origem de nossos preconceitos morais, as id茅ias de bem e de mal, que segundo o autor, brotavam da vontade de conhecimento, que dirige as for莽as mais 铆ntimas e fala com uma linguagem cada vez mais n铆tida. 18-19
A inven莽茫o humana das aprecia莽玫es bem e mal, s茫o um sintoma funesto de empobrecimento vital, de degenera莽茫o? Ou indicam, pelo contr谩rio, a plenitude, a for莽a e vontade de viver. 20
IV
鈥淢inha teoria da justi莽a considerada como equil铆brio de poderes iguais.鈥 21
V
O altru铆smo que Schopenhauer elevara as regi玫es sobrenaturais, como valores substanciais, nos quais fundou sua nega莽茫o a vida. Via eu precisamente a tenta莽茫o a sedu莽茫o suprema que conduzia ao nada. Esta moral de compaix茫o era o sintoma mais perigoso da nossa civiliza莽茫o europ茅ia. 22-23
VI
Necessitamos uma cr铆tica dos valores morais, e antes de tudo deve discutir-se o valor destes valores, e por isso 茅 de toda a necessidade conhecer as condi莽玫es em que nasceram, em que se desenvolveram e deformaram. 23
VII
A verdadeira hist贸ria da moral 茅 Genealogia da moral. 25
Disserta莽茫o Primeira
Bem e mal, bom e mau.
I
Psic贸logos ingleses procuram o princ铆pio ativo da evolu莽茫o na faculdade do esquecimento. Que saibam refrear o cora莽茫o e sacrificar os seus desejos 脿 verdade, a toda a verdade, suja, repugnante, anticrist茫 e imoral, porque tais verdades existem. 29 - 30
II
As a莽玫es altru铆stas foram louvadas e reputadas boas por aqueles a quem eram 煤teis; esqueceu-se a origem deste louvor e chamaram-se boas por costume adquirido, como se fossem boas em si mesmas. 30 - 31
A origem da ant铆tese Bom e Mal vem da oposi莽茫o de uma ra莽a superior a uma ra莽a inferior, como ato de autoridade que emana dos que dominam. 32
III
Herbert Spencer considera os conceitos bom e 煤til como de ess锚ncia semelhante. 33
IV
Bom nasce da id茅ia de distin莽茫o de nobreza, paralela a no莽茫o de vulgar plebeu e mau. O preconceito democr谩tico p玫e obst谩culo a investiga莽茫o inerente 脿s origens. 33 - 34
V
Na Gr茅cia, os nobres eram os ver铆dicos, por oposi莽茫o aos embrutecidos da plebe. Em Roma b么nus seria o homem da disputa, o guerreiro. 36
VI
Puro, homem que se lava, n茫o coabita com as mulheres sujas da plebe e que tem horror ao sangue. H谩 desde o in铆cio algo m贸rbido nestas aristocracias sacerdotais. A metaf铆sica sacerdotal hostil aos sentidos. 37
VII
Sacerdotes x aristocracias guerreiras. Inimigos mais vingativos, porque mais impotentes os judeus vingaram-se dos dominadores, por uma radical mudan莽a de valores. Atiraram por terra a equa莽茫o bom, nobre, piedoso, formoso feliz鈥
VIII
Do 贸dio saiu um amor novo. 鈥淓ste Jesus de Nazar茅, n茫o era鈥, a sedu莽茫o que por um rodeio, havia de conduzir os homens a adotar os valores judaicos.鈥 41
IV
O povo 茅 que venceu; os escravos, tudo se juda铆za, se cristianiza e se apleb茅ia a olhos vistos. 42
X
Enquanto que toda a moral aristocr谩tica nasce de uma triunfante afirma莽茫o de si mesma, a moral dos escravos op玫e um n茫o a tudo o que n茫o 茅 seu este n茫o 茅 o seu ato criador. 43
A moral dos escravos necessitou sempre de um mundo oposto exterior, sua a莽茫o 茅 uma rea莽茫o. A moral aristocr谩tica cresce espontaneamente. Os aristocratas eram os felizes e n茫o tinham a necessidade de construir artificialmente sua felicidade como os rancorosos. 44
XI
O aristocrata tira do seu pr贸prio eu a id茅ia fundamental de bom donde tira por ant铆tese a de mau. O mau do rancoroso 茅 a id茅ia original. 46
Perguntai aos escravos qual 茅 o mal, o personagem que para a moral aristocr谩tica 茅 bom, a fera aristocr谩tica. 47
Se a finalidade da cultura 茅 domesticar a besta humana, s茫o instrumentos da cultura todos estes instintos de rea莽茫o. S茫o a vergonha da humanidade. 49
XII
Que os cordeiros tenham horror 脿s aves de rapina, compreende-se; mas n茫o 茅 uma raz茫o para querer mal 脿s aves de rapina. 51
Os esmagados cheios de impot锚ncia se p玫e a dizer O bom 茅 o que n茫o injuria a ningu茅m, nem ofende nem ataca, nem usa de repres谩lias, se n茫o que deixa a Deus o cuidado da vingan莽a e vive oculto como n贸s e evita a tenta莽茫o e espera pouco da vida como n贸s os pacientes, os humildes, os justos. 52
脡 um instinto de conserva莽茫o pessoal. 53
XIV
Aqui a mentira chama bondade 脿 impot锚ncia, humildade 脿 baixeza, obedi锚ncia 脿 submiss茫o for莽ada. A covardia chama-se paci锚ncia. Agora dizem que n茫o s贸 s茫o melhores do que os poderosos e do que os governantes, cujas pisadas beijam, mas que seu lote de eternidade 茅 muito melhor. Esta oficina onde se fabrica o ideal, cheira-me a mentira, a embuste. 54
N茫o pedem repres谩lias, mais justi莽a e esperam o triunfo do Deus da justi莽a. 55
XV
Estes fracos querem ser algum dia os fortes: o seu reino chegar谩 um dia; e s茫o t茫o humildes que o chamam reino de Deus. 56
鈥淥s dois valores opostos 鈥榖om e mau鈥, 鈥榖em e mal鈥 mantiveram durante milhares de anos um combate largo e terr铆vel鈥 58
鈥淥 s铆mbolo desta luta 茅 Roma contra a Jud茅ia, Jud茅ia contra Roma鈥 Roma via no judeu uma natureza oposta a sua, um ant铆poda monstruoso, um ser convicto de 贸dio contra o g锚nero humano e com raz茫o se 茅 certo que a salva莽茫o e o futuro da humanidade consiste no dom铆nio absoluto dos valores aristocr谩ticos, dos romanos.鈥 59
鈥淨ual dos povos venceu, Roma ou Jud茅ia? Os judeus. 59
XVII
鈥淭odas as ci锚ncias devem preparar ao fil贸sofo a sua tarefa, que consiste em resolver o problema da avalia莽茫o, em determinar a hierarquia dos valores.鈥 62


A falta, a m谩 consci锚ncia e o que nos afigura:
I
O esquecimento 茅 um poder ativo, uma faculdade moderadora. 63
鈥 unicamente, pela moraliza莽茫o dos costumes e pela camisa-de-for莽a social, chegou o homem a ser realmente apreci谩vel.鈥 64
II
O fruto mais maduro 茅 o indiv铆duo soberano, senhor de uma vasta e indom谩vel vontade, acha nessa posse a sua t谩bua de valores para julgar os outros, 茅 dono de sua promessa. 65 - 66
III
Dor aux铆lio mais poderoso da mem贸ria, fixando cinco ou seis n茫o quero. 68 -69
IV
Como a consci锚ncia da falta veio ao mundo? Antes se castigava pela c贸lera que o dano excita.
V
鈥淐oncedia-se ao credor certa satisfa莽茫o e gozo de exercer impunemente o seu poderio com respeito a um ser reduzido a impot锚ncia, o deleite de fazer o mal pelo gosto de o fazer.鈥 O credor participa do direito dos amos, e conclui por saborear o sentimento enobrecedor de desprezar e maltratar a quem esteja por baixo dele. A compensa莽茫o consiste, pois no direito de ser cruel. 73
VI
A id茅ia de vingan莽a torna mais espessa as trevas. 鈥淰er sofrer, alegra, fazer sofrer, alegra mais ainda; h谩 nisso uma antiga verdade humana, demasiado humana鈥, 鈥淪em crueldade n茫o h谩 gozo, o castigo 茅 uma festa鈥 75
VII
A vida sobre a terra era mais feliz, na sua porfia por converter-se em anjo, o homem conseguiu esta fraqueza de est么mago que lhe tornaram ins铆pida e dolorosa a vida. 76
VIII
Sentimento do dever, tem origem nas rela莽玫es entre credor e devedor. Tudo tem seu pre莽o, tudo pode ser pago. Este foi o c芒non moral da justi莽a, o mais antigo e mais ing锚nuo, o come莽o de toda bondade. 79
IX
O castigo do inimigo 茅 o grito de guerra, o triunfo em toda a sua inexor谩vel crueldade. 80
X
O credor humanizou-se conforme foi enriquecendo. 80
鈥淪em a institui莽茫o da lei n茫o pode haver quest茫o de justi莽a鈥 Uma infra莽茫o, uma viola莽茫o, uma espolia莽茫o, n茫o podem ser injustas em si procedendo a vida essencialmente por infra莽茫o, viola莽茫o e espolia莽茫o. As condi莽玫es de vistas legais s茫o restri莽玫es da vontade de viver propriamente dita 脿 qual tende a domina莽茫o. A organiza莽茫o jur铆dica 茅 arma contra a luta. 85
XII
鈥淯ma vez produzida uma coisa, v锚-se submetida necessariamente a pot锚ncias que usam delas para fins distintos (鈥) Isso poder谩 desagradar aos velhos, pois sempre se julgou achar nas causas finais de uma forma ou institui莽茫o a sua raz茫o de ser pr贸pria.鈥 86 Se a forma 茅 fluida, a finalidade tanto mais o 茅. O progresso se mede pelos sacrif铆cios que requer; a humanidade em massa sacrificada nas aras dos mais fortes, eis um progresso. 87
XIII
O castigo n茫o tem uma s贸 finalidade mais uma s铆ntese de finalidades. 89
XIV
O castigo encontra sua utilidade em todas as suas circunst芒ncias, ser-me-谩 l铆cito negar-lhe uma utilidade essencial. 91
鈥淥 castigo endurece concentra e agu莽a os sentimentos de avers茫o; aumenta a for莽a de resist锚ncia.鈥
鈥淥 castigo foi o que mais atrasou o desenvolvimento do sentimento de culpabilidade, pelo menos entre as v铆timas das autoridades repressivas.鈥 92
鈥淓 o castigado considerava o castigo como tamb茅m lote do destino, e n茫o sentia outra pena interior, como se fosse v铆tima de uma cat谩strofe imprevista鈥濃 93
XV
鈥淪e algum efeito produzia o castigo, era o aumento da perspic谩cia, o desenvolvimento da mem贸ria, a vontade de operar para diante com mais prud锚ncia, com mais precau莽茫o鈥 O castigo doma o homem, mas n茫o o melhora. 94
XVI
鈥淓stes semi-animais, acostumados a vida selvagem, 脿 guerra, viram-se obrigados de repente a renunciar a todos os seus nobres instintos.鈥 95
Os instintos sob a enorme for莽a repressiva, volvem para dentro, a isto se chama interioriza莽茫o do homem: assim se desenvolve o que mais tarde se h谩 de chamar 鈥渁lma鈥. A ira, a crueldade se dirige contra o possuidor de tais instintos; eis a origem da m谩 consci锚ncia. 96 Como se o homem n茫o fosse apenas uma transi莽茫o.
XVII
Tendo come莽ado por um ato de viol锚ncia, n茫o podia ser levado a cabo sen茫o por outros atos de viol锚ncia. O Estado primitivo deveu entrar em cena com todo o car谩ter de uma espantosa tirania. Tal 茅 a origem do Estado; a sua obra consiste em criar formas e imprimir cunho. 98
Neles n茫o germinou a m谩 consci锚ncia, mas sem eles n茫o teria brotado esta planta horr铆vel. 99
XVIII
A mesma for莽a que vimos operar nestes organizadores do Estado, atuando para o interior criou a m谩 consci锚ncia. ( vontade de algu茅m se torturar) 99
XIX
O temor ao antepassado 谩 medida que a ra莽a vai sendo mais vitoriosa. A decad锚ncia da ra莽a diminuem sempre a venera莽茫o e temor que inspira o esp铆rito fundador da ra莽a. O antepassado concluir谩 por tomar a figura de um deus. 102
XX
Assim como a humanidade herdou os conceitos 鈥渂om e mau鈥 da aristocracia, o sentimento de uma d铆vida para com a divindade n茫o cessou de crescer, segundo foi crescendo e se foi desenvolvendo a id茅ia de Deus. 103
O advento do Deus crist茫o, que 茅 a express茫o mais alta do divino, produziu tamb茅m o m谩ximo do sentimento de obriga莽茫o. O triunfo completo do ate铆smo h谩 de libertar a humanidade de todo o sentimento de obriga莽茫o com respeito a sua causa prima.
XXI
鈥淒eus mesmo, oferecendo-se em sacrif铆cio para pagar as d铆vidas do homem, 鈥 o credor oferecendo-se pelo devedor, por amor ao devedor, quem o acreditaria!鈥 105
XXII
鈥淯ma obriga莽茫o para com Deus: esta id茅ia foi, por茅m o instrumento de Tortura.鈥 (鈥) 鈥淭ransformou estes instintos em faltas para com Deus.鈥 鈥淣egou a natureza para afirmar o real, o vivo, o verdadeiro Deus, Deus, santo,鈥 H谩 uma esp茅cie de dem锚ncia da vontade nesta crueldade ps铆quica.鈥 106
XXIII
Entre os gregos, serviram-se dos seus deuses para se imunizarem contra as veleidades de m谩 consci锚ncia, para gozar pacificamente da sua liberdade. 107
XXIV
鈥淓m algum tempo mais robusto que o atual, ser谩 necess谩rio que venha este homem redentor do grande amor e do grande desprezo, este esp铆rito criador cuja for莽a de impulso o far谩 ir cada vez mais longe de todo o sobrenatural,鈥濃 109 鈥淓ste homem do futuro, que nos h谩 de libertar do ideal do presente e da sua natural conseq眉锚ncia, o grande t茅dio, o niilismo.鈥 110




Qual 茅 o fim de todo o ideal asc茅tico?
I
O ideal asc茅tico, uma forma sagrada de libertinagem, entre os sacerdotes, a verdadeira f茅 sacerdotal, o seu melhor instrumento de poder, o seu melhor direito ao governo. 111
II
Entre a castidade e a sensualidade n茫o h谩 necessariamente op莽茫o; todo bom matrim么nio, toda a boa paix茫o est茫o superiores a esta oposi莽茫o. 112
III
Seguia Wagner a frase de Feuerbach: 鈥渟贸 sensualidade鈥 ressoou em toda a Alemanha.
IV
Se despede com um Parsifal Schpenhaueriano.
V
Qual 茅 pois o objeto de todo o ideal asc茅tico? No artista j谩 vimos: nenhum! Foram sempre humildes servidores de uma moral, de uma filosofia, ou de uma religi茫o. 116
VI
Kant 鈥 pelo encanto da beleza, pode olhar-se desinteressadamente uma est谩tua viva de mulher, h茫o de permitir-nos que nos riamos um pouco a sua custa. 118
Schopenhauer nunca deixou de glorificar esta maneira de libertar-se da vontade, esta grande vantagem e utilidade da condi莽茫o est茅tica. Schopenhauer fez mal em apoiar-se na defini莽茫o de Kant, posto que lhe agrade a beleza precisamente por um interesse muito pessoal: pelo interesse de se libertar da sua tortura e supl铆cio. 120 -121
VII
Schopenhauer, que tratou a sexualidade como inimigo pessoal, necessitava de inimigos para estar de bom humor. A sua c贸lera foi para ele, o mesmo que para os c铆nicos da antig眉idade, um b谩lsamo, um descanso, o seu rem茅dio contra o t茅dio, a sua felicidade. 122
VIII
Pobreza, humildade, castidade est茫o presentes em todos os esp铆ritos fecundos e criadores. 125
鈥淥 fil贸sofo distingue-se em evitar tr锚s coisas brilhantes e ruidosas: a gl贸ria, os pr铆ncipes e as mulheres.鈥 O que possui 茅 possu铆do. 127
No que diz respeito a castidade, 茅 evidente que a fecundidade dos fil贸sofos manifesta-se de outro modo que pela procria莽茫o. N茫o h谩 aqui escr煤pulo asc茅tico, mas 茅 o que lhe exige seu instinto dominante. 128
IX
Certo ascetismo favorece, segundo vimos, o desenvolvimento de uma espiritualidade superior. 129
鈥淭oda a nossa posi莽茫o com rela莽茫o a natureza 茅 h铆brida (鈥) h铆brida 茅 a nossa posi莽茫o com respeito a Deus, essa teia de aranha de imperativo e de finalidade que se oculta por detr谩s da grande teia, por detr谩s da causalidade鈥︹ 130
鈥淭odas as coisas boas foram noutro tempo m谩s ; todo pecado original veio a ser virtude original鈥 131
A submiss茫o ao direito; Ho que revolu莽茫o de consci锚ncia em todas as ra莽as aristocr谩ticas鈥 O direito foi institu铆do com viol锚ncia e opr贸brio.鈥 131
X
鈥淏r芒manes. Estes antigos fil贸sofos sabiam dar 脿 sua exist锚ncia, ao seu aspecto exterior, um fundo que os tornava temidos. A mortifica莽茫o foi o meio que empregaram para se convencerem de sua inova莽茫o espiritual.鈥 133
XI
鈥淥 sacerdote tirou do seu ideal asc茅tico n茫o s贸 a sua f茅, mas tamb茅m a sua vontade, o seu poder, o seu interesse鈥 134
鈥淗谩, pois alguma necessidade de ordem superior que d谩 origem a esta esp茅cie inimiga da vida, h谩 na vida mesma algum interesse da vida, h谩 na vida mesma algum interesse de n茫o deixar perecer esse tipo contradit贸rio鈥. 135
XII
鈥 ter谩 por ilus茫o a materialidade, a dor e a pluralidade, o sujeito e o objeto鈥 136
鈥 Negar a realidade do eu, que triunfo! N茫o j谩 um triunfo sobre os sentidos, mas muito mais elevado: o triunfo violento e cruel contra a raz茫o. 156
鈥淎 sua futura objetividade 茅 a faculdade de dominar o pr贸 e o contra, servindo-se de um e de outro para a interpreta莽茫o dos fen么menos e das paix玫es.鈥 137
Mas eliminar a vontade, suprimir inteiramente as paix玫es, 鈥 seria suprimir a intelig锚ncia.鈥 137
XIII
鈥淥 ideal asc茅tico 茅 um destes artif铆cios; 茅 pois, todo o contr谩rio do que os seus adeptos imaginam; nele e por ele, a vida luta contra a morte, a vida conserva a vida.鈥 138
鈥淥 sacerdote asc茅tico,鈥 茅 precisamente quem conserva e garante a vida.鈥 鈥 que luta para reinar sobre os animais, sobre a natureza e sobre os deuses,鈥︹ 139
XIV
鈥淥s doentes s茫o o maior perigo da humanidade; n茫o os maus, n茫o as 鈥榝eras de rapina.鈥欌 140
鈥 que querem? Representar a justi莽a, o amor, a prud锚ncia, a superioridade: tal 茅 a ambi莽茫o destes seres inferiores destes enfermos. E que h谩beis os torna esta ambi莽茫o! Estes incur谩veis monopolizam toda a virtude: 141
鈥溾 a sua sensualidade estropiada, adornada com o nome de pureza de cora莽茫o. Esta 茅 a esp茅cie de onanistas morais, que se satisfazem a si mesmos.鈥 142
At茅 nos sacrossantos dom铆nios da ci锚ncia, se ouvem estes latidos destes c茫es doentes,鈥 142
Quando alcan莽ar茫o o triunfo sublime e definitivo desta vingan莽a? Indubitavelmente quando conseguirem infundir na consci锚ncia dos felizes a sua pr贸pria mis茅ria.鈥 143
XV
鈥淥 sacerdote asc茅tico鈥 defensor do rebanho doente. A domina莽茫o sobre os doentes: eis o seu papel,鈥︹144
鈥淭em que defender o seu rebanho, contra quem? Contra os s茫os鈥︹ Aos animais de presa far谩 ele uma guerra de ast煤cias, mais do que de viol锚ncia. 144
鈥淟eva consigo o b谩lsamo e o rem茅dio; mas necessita ferir antes de curar, e ainda ao acalmar a dor da ferida, envenena a chaga.鈥 O sacerdote 茅 um homem que muda a dire莽茫o do ressentimento. 145
XVI
鈥溾 o estado de pecado no homem n茫o 茅 um fato, sen茫o apenas a interpreta莽茫o de um fato, a saber: de um mal estar fisiol贸gico, considerado sob o ponto de vista moral e religioso鈥 147
鈥淩ecordem-se os famosos processos da bruxaria; naquela 茅poca os juizes mais humanos acreditavam que havia culpabilidade; as bruxas tamb茅m o acreditavam; contudo, a culpabilidade n茫o existia.鈥 鈥淯m homem forte digere os atos de sua vida como digere o almo莽o鈥. 148
XVII
O sacerdote asc茅tico s贸 combate o mal-estar, e n茫o a causa da doen莽a 148
鈥淥s meios que se empregam contra a dor s茫o os que reduzem a vida 脿 sua menor express茫o poss铆vel:鈥 150
鈥淎 anestesia, 茅 para os doentes o bem supremo, o valor por excel锚ncia, o mais positivo.鈥 153
XVIII
鈥 Remontando-nos 谩s origens do cristianismo no mundo romano, achamos sociedades de socorros m煤tuos, associa莽玫es para socorrer os pobres, para cuidar dos doentes, e para enterrar os mortes;鈥 154
XX
鈥溾 Fez-lhe interpretar a sua dor como um castigo鈥 Agora compreende o desgra莽ado; agora est谩 metido num la莽o; j谩 n茫o sabe sair; de doente converte-se em pecador鈥︹ 鈥淪ofrer! Sempre sofrer! Sofrer Mais! Tal foi o grito dos seu disc铆pulos durante s茅culos鈥 161
XXI
Tal terap锚utica f锚z o homem melhor? Se melhorar significa (鈥) domesticar, debilitar degradar (鈥) a melhoria converte-se em aumento da doen莽a.鈥 162
XXII
鈥淥 sacerdote asc茅tico corrompeu a sa煤de da alma.鈥
A vaidade dos Padres da Igreja quer substituir a literatura grega.
XXIII
鈥淥 ideal asc茅tico tem um fim t茫o amplo, que compreende em si, todos os fins da exist锚ncia humana; para conseguir este fim, empregam-se tempos, povos e homens; 茅 fim exclusivo; n茫o admite outra interpreta莽茫o sen茫o a sua;鈥 166
鈥溾 hoje a ci锚ncia n茫o tem finalidade, n茫o tem vontade, nem ideal asc茅tico, 茅 o ref煤gio do descontentamento, da incredulidade, dos remorsos, (鈥), da m谩 consci锚ncia; 茅 precisamente a dor que causa a falta de ideal, a aus锚ncia de amor, a car锚ncia de liberdade.鈥 167
XXIV
鈥淣贸s, que procuramos o conhecimento, que desconfiamos de toda cren莽a, tiramos conclus玫es diversas; onde vemos uma cren莽a, temo-la por inveross铆mel.鈥 A f茅 far谩 nascer suspeitas, ser谩 veross铆mil, mas n茫o verdade.鈥 168
鈥淣ada 茅 verdadeiro, tudo 茅 primitivo. Esta era a verdadeira liberdade de esp铆rito, por em quest茫o a verdade鈥︹ 169
脡 a for莽a que leva a este ascetismo, esta vontade absoluta da verdade, 茅 a f茅 no ideal asc茅tico, 茅 a f茅 no valor metaf铆sico e eminente da verdade, valor que o ideal asc茅tico garante e consagra.鈥 170
A nossa f茅 na ci锚ncia baseia-se numa cren莽a metaf铆sica鈥 E se eu dissesse que precisamente o divino 茅 o erro e a mentira鈥︹ 0 Por qu锚? 脡 que o ideal asc茅tico dominou em todas as filosofias e a verdade foi posta como ess锚ncia, como Deus e n茫o como problema.鈥 170
鈥淎 vontade da verdade necessita de uma cr铆tica; 茅 preciso por em d煤vida o valor da verdade.鈥 171
XXV
鈥淎 ci锚ncia se apoia nas mesmas bases que o ideal asc茅tico: ambos s茫o um empobrecimento da energia vital.鈥 172
鈥淥 que 茅 certo 茅 que todos os fil贸sofos transcendentais, depois de Kant, se emanciparam da tutela teol贸gica.鈥 174
XXVI
鈥淢as tudo isso 茅 ascetismo em alto grau, 茅 niilismo. 174
XXVII
鈥 O ate铆smo 茅 tamb茅m uma vontade, um resto de ideal asc茅tico, a sua forma mais severa, mais espiritualizada, mais esot茅rica, mais pura.鈥 176
鈥淥 interpretar a hist贸ria em honra de uma raz茫o divina e como prova constante de um finalismo moral; o interpretar o nosso destino鈥 vendo em tudo a m茫o de Deus鈥 s茫o modos de pensar contra os quais se ergue a voz da nossa consci锚ncia, como inconvenientes.鈥 177
鈥淎 vontade da verdade, uma vez que seja consciente de si mesma, ser谩 a morte do mal:鈥 178
鈥淓sta falta de finalidade na dor 茅 a maldi莽茫o que pesou sempre sobre a humanidade. Agora bem: o ideal asc茅tico apresenta uma finalidade. A interpreta莽茫o que dava da dor trazia uma dor nova mais profunda, mais 铆ntima, mais envenenada; disse que era o castigo de uma falta.鈥 178
鈥淥 homem prefere a vontade do nada ao nada da vontade.鈥 179.
_________________
O que se pode dizer pode ser dito claramente; e aquilo de que n茫o se pode falar tem de ficar no sil锚ncio.
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