A Era
por Ossip Mandelshtam
Minha era, minha fera, quem ousa,
Olhando nos teus olhos, com sangue,
Colar a coluna de tuas v茅rtebras?
Com cimento de sangue - dois s茅culos -
Que jorra da garganta das coisas?
Treme o parasita, espinha langue,
Filipenso ao umbral de horas novas.
Todo ser enquanto a vida avan莽a
Deve suportar esta cadeia
Oculta de v茅rtebras. Em torno
Jubila uma onda. E a vida como
Fr谩gil cartilagem de crian莽a
Parte seu 谩pex: morte da ovelha,
A idade da terra em sua inf芒ncia.
Junta as partes nodosas dos dias:
Soa a flauta, e o mundo est谩 liberto,
Soa a flauta, e a vida se recria.
Ang煤stia! A onda do tempo oscila
Batida pelo vento do s茅culo.
E a v铆bora na relva respira
O outo da idade, 谩urea medida.
Verg么nteas de nova primavera!
Mas a espinha partiu-se da fera,
Bela era lastim谩vel. Era,
Ex-pantera flex铆vel, que volve
Para tr谩s, riso absurdo, e descobre
Dura e d贸cil, na meada dos rastros,
As pegadas de seus pr贸prios passos.