A ta莽a de ch谩
por Almada Negreiros
O luar desmaiava mais ainda uma m谩scara caida nas esteiras bordadas. E os bamb煤s ao vento e os crysanthemos nos jardins e as gar莽as no tanque, gemiam com elle a advinharem-lhe o fim. Em r贸da tomb谩vam-se adormecidos os idolos coloridos e os drag玫es alados. E a gueisha, procelana transparente como a casca de um ovo da Ibis, enrodilhou-se num labyrinto que nem os drag玫es dos deuses em dias de lagrymas. E os seus olhos rasgados, perolas de Nankim a desmaiar-se em agua, confundiam-se scintillantes no luzidio das procelanas.
Elle, num gesto ultimo, fechou-lhe os labios co'as pontas dos dedos, e disse a finar-se: 鈥 Chorar n茫o 茅 remedio; s贸 te pe莽o que n茫o me atrai莽oes emquanto o meu corpo f么r quente. Deitou a cabe莽a nas esteiras e ficou. E Ella, num grito de gar莽a, ergueu alto os bra莽os a pedir o Ceu para Elle, e a saltitar foi pelos jard铆ns a sacudir as m茫os, que todos os que passavam olharam para Ella.
Pela manh茫 vinham os visinhos em bicos dos p茅s espreitar por entre os bamb煤s, e todos viram acocorada a gueisha abanando o morto com um leque de marfim.
A estampa do pires 茅 igual.
NEGREIROS, Almada. "A ta莽a de ch谩". In: Frisos - Revista Orpheu n潞1.