t. h. abrahao
Fundador PN

Idade: 41 Registrado: 22/01/05 Mensagens: 574 Localiza莽茫o: s茫o jos茅 do rio preto - sp
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A aposta
Anton Tchekhov
I
Era uma escura noite de Outono. O velho banqueiro passeava de um lado para outro no seu gabinete, recordando a festa que dera quinze anos atr谩s, tamb茅m no Outono. Nela se haviam reunido muitas pessoas de esp铆rito, entre as quais figurava grande n煤mero de s谩bios e jornalistas, que haviam travado entre si conversas bastante interessantes. Um dos assuntos discutidos fora a pena de morte, contra a qual a maioria dos convidados se manifestara, considerando-a obsoleta, indigna de povos crist茫os e imoral. Segundo alguns, tal castigo devia ser substitu铆do, em todos os pa铆ses, pela pris茫o perp茅tua.
鈥 Meus senhores 鈥 declara o banqueiro 鈥, n茫o concordo com a vossa opini茫o. Nunca sofri nenhuma das duas penas; no entanto, se 茅 licito emitir um ju铆zo a priori, considero a pena de morte mais moral e humana do que a pris茫o perp茅tua. A execu莽茫o acaba com o condenado de uma vez s贸, ao passo que a cadeia o vai matando lentamente. Qual dos dois carrascos 茅 mais humano: o que d谩 a morte em segundos, ou aquele que arranca a vida pouco a pouco, gastando anos na sua tarefa?
鈥 Ambas as coisas s茫o igualmente imorais 鈥 observou um dos convidados 鈥, porque uma e outra t锚m o mesmo objectivo em vista: o aniquilamento da vida. O Estado n茫o 茅 Deus. N茫o lhe assiste o direito de destruir aquilo que n茫o poderia devolver, se assim o desejasse.
Achava-se entre eles um jovem estudante de direito, de cerca de vinte e cinco anos, o qual, ao ser-lhe pedida a opini茫o, afirmara:
鈥 A pena de morte e a pris茫o perp茅tua s茫o igualmente imorais. Se, por茅m, me dessem a escolher, optaria, sem d煤vida, pela segunda. Mais vale viver seja em que circunst芒ncias for do que n茫o viver de forma alguma.
Sucedera-se acalorada discuss茫o. O banqueiro, ent茫o ainda jovem e nervoso, perdera de s煤bito a calma, batera com o punho na mesa e, dirigindo-se ao estudante, exclamara:
鈥 脡 falso! Aposto dois milh玫es em como o senhor n茫o aguentaria cinco anos encerrado num c谩rcere.
鈥 Se fala a s茅rio 鈥 respondeu o jovem 鈥, aposto que sou capaz de aguentar uma pena de pris茫o, n茫o de cinco, mas de quinze anos.
鈥 Quinze anos! Pois seja. Meus senhores, aposto dois milh玫es!
鈥 De acordo. O senhor afasta dois milh玫es e eu a minha liberdade 鈥 replicou o estudante.
E assim se fez a absurda e insensata aposta. O banqueiro, homem habituado a satisfazer todos os caprichos e inconstante, a esse tempo senhor de uma fortuna que ascendia a muitos milh玫es, mostrara-se deveras entusiasmado. Durante a ceia, dissera ao jovem estudante, em tom de gracejo:
鈥 Pense bem, antes que seja demasiado tarde. Para mim dois milh玫es constituem uma insignific芒ncia, enquanto o senhor se arrisca a perder tr锚s ou quatro dos melhores anos da sua vida. Digo tr锚s ou quatro, pois sei que n茫o aguentar谩 mais tempo. N茫o se esque莽a tamb茅m meu pobre amigo, de que a pris茫o volunt谩ria 茅 mais dif铆cil de suportar que a for莽ada. A ideia de que pode, em qualquer momento, recuperar a liberdade, envenenar-lhe-谩 a vida no c谩rcere. Tenho pena de si.
Agora, o banqueiro, recordando tudo aquilo enquanto passeava de um lado para o outro no seu gabinete, perguntava a si pr贸prio:
"Por que fiz essa aposta? Que utilidade pode advir do facto de este rapaz perder quinze anos da sua exist锚ncia e eu atirar fora dois milh玫es? Provar谩 isto que a pena de morte 茅 melhor ou pior que a pris茫o perp茅tua? N茫o e n茫o! 脡 uma tolice, uma insensatez! Pela minha parte, n茫o passou do simples capricho de um homem a nadar na abund芒ncia; quanto a esse jovem moveu-o simplesmente a cupidez."
Em seguida recordou o que acontecera ap贸s a referida festa. Ficara ent茫o resolvido que o jovem devia conservar-se preso, sob a mais estreita vigil芒ncia, num pavilh茫o existente no jardim do banqueiro. Durante quinze anos, n茫o lhe seria permitido transpor o limiar da porta do seu c谩rcere, ver quem quer que fosse, ouvir vozes humanas, receber cartas ou jornais. Podia no entanto, se assim o desejasse, dispor de um instrumento musical, ler livros, escrever cartas, beber vinho e fumar. De harmonia com o contrato, estava autorizado a comunicar, embora apenas em sil锚ncio, com o mundo exterior, atrav茅s de uma janelita aberta com esse fim. De tudo aquilo que necessitasse 鈥 livros, m煤sica, vinho 鈥 podia receber qualquer quantidade, atirando a requisi莽茫o pela referida janela. No pacto n茫o fora esquecido o m铆nimo pormenor suscept铆vel de tornar a pris茫o absolutamente solit谩ria, e o estudante teria de permanecer ali quinze anos completos, a contar do meio-dia de 14 de Novembro de 1870 a igual hora do mesmo dia e m锚s de 1885. A simples tentativa por parte do preso, para violar as condi莽玫es impostas no documento, embora faltassem apenas s贸 dois minutos para expirar o prazo, desobrigava o banqueiro do pagamento dos dois milh玫es.
Durante o primeiro ano passado no c谩rcere, o estudante, a julgar pelas suas breves notas, sofreu horrivelmente com a solid茫o e o t茅dio. Dia e noite vinha do pavilh茫o o som do piano. Recusava o vinho e o tabaco. "O vinho 鈥 escrevia 鈥 excita o desejo, e o desejo constitui o principal inimigo de um prisioneiro; al茅m disso, n茫o h谩 coisa mais aborrecida do que beber bom vinho quando se est谩 desacompanhado." O tabaco, dizia, viciava-lhe o ar do quarto.
Durante o primeiro ano, os livros enviados ao jovem encarcerado eram, principalmente, do g茅nero ligeiro: romances com complicadas intrigas amorosas, novelas policiais, contos fant谩sticos, com茅dias, etc...
No segundo ano, deixou de ouvir-se a m煤sica no pavilh茫o, e nos bilhetes que arremessava pela janela o prisioneiro s贸 pedia obras de autores cl谩ssicos. No quinto voltaram a soar as notas do piano, e o jovem requisitou vinho.
Aqueles que o vigiavam pela janela diziam que passou todo esse ano a comer, a beber, estendido na cama. Bocejava com frequ锚ncia e falava consigo pr贸prio em tom irritado. N茫o lia. 脌s vezes, de noite, sentava-se a escrever. Ocupava-se nesta tarefa durante longo tempo, e de manh茫 rasgava tudo o que escrevera. Ouviram-no chorar em v谩rias ocasi玫es.
Na segunda metade do sexto ano, o prisioneiro dedicou-se, afincadamente, ao estudo de l铆nguas, filosofia e hist贸ria. Atirou-se a estas mat茅rias com tal avidez, que o banqueiro mal tinha tempo de lhe adquirir os livros de que necessitava. No espa莽o de quatro anos foram comprados, a seu pedido, cerca de seiscentos volumes. Foi nesse per铆odo de fome de leitura que o banqueiro recebeu dele a seguinte carta:
| Cita莽茫o: |
Meu querido carcereiro:
Escrevo-lhe estas linhas em seis l铆nguas. D锚-as a ler a pessoas entendidas na mat茅ria. Se n茫o encontrar nelas qualquer falta, pe莽o-lhe que mande disparar um tiro no jardim. Pela detona莽茫o ficarei a saber que n茫o foram baldados os meus esfor莽os. Os g茅nios de todos os s茅culos e de todos os pa铆ses exprimem-se em idiomas diferentes, mas neles arde a mesma chama. Oh! Se soubesse a celestial felicidade que experimento agora que posso compreende-los! |
O desejo do jovem foi satisfeito. O banqueiro mandou disparar dois tiros no jardim.
Mais tarde, ao cabo do d茅cimo ano de c谩rcere, o prisioneiro permanecia sentado, im贸vel, diante da mesa, lendo apenas o Evangelho. O banqueiro achava muito estranho que um homem que durante quatro anos decora seiscentos volumes eruditos gastasse quase um ano na leitura de um livro pouco volumoso e f谩cil de compreender. Ao Evangelho seguiram-se a hist贸ria das religi玫es e a Teologia.
Durante os dois 煤ltimos anos de reclus茫o, o estudante leu muit铆ssimo, servindo-lhe qualquer g茅nero, indistintamente. T茫o depressa se agarrava 脿s ci锚ncias naturais, como se voltava para Byron ou Shakespeare. 脌s vezes enviava um bilhete em que pedia, ao mesmo tempo, um livro de qu铆mica, outro de medicina, um romance e um tratado filos贸fico ou biol贸gico. Reparando nos g茅neros de leitura a que se entregava, dir-se-ia tratar-se de um n谩ufrago que, nadando no mar, entre os restos de um navio, desejoso de salvar a sua vida, se agarrava, freneticamente, 脿s t谩buas que se lhe deparavam.
II
Ao recordar tudo aquilo, o velho banqueiro pensava:
"Amanh茫, ao meio-dia, 茅 posto em liberdade. De acordo com o contrato, terei de pagar-lhe dois milh玫es. Se assim fizer, tudo estar谩 perdido para mim. Ficarei completamente arruinado..."
Quinze anos antes o banqueiro possu铆a um n煤mero incont谩vel de milh玫es, enquanto agora receava perguntar a si pr贸prio o que seria mais elevado: se o montante da sua fortuna, se o das d铆vidas. O jogo na Bolsa, as especula莽玫es arriscadas e uma veem锚ncia de car谩cter, que n茫o conseguira nunca dominar, nem mesmo na velhice, haviam, pouco a pouco, levado os seus neg贸cios 脿 decad锚ncia; o homem rico e orgulhoso, sem apreens玫es, seguro da sua pessoa, tornara-se um banqueiro de segunda ordem, que temia cada subida ou baixa registada no mercado.
"Maldita aposta! 鈥 murmurava o velho, levando as m茫os 脿 cabe莽a num gesto de desespero. 鈥 Porque n茫o morreu esse homem? Tem quarenta anos apenas. Vai levar-me tudo o que me resta, casar谩, gozar谩 a vida, jogar谩 na Bolsa... enquanto eu terei de o contemplar com inveja como um mendigo, e ouvir-lhe todos os dias as mesmas palavras: "脡 ao senhor que devo a minha felicidade, permita-me que o ajude". N茫o, 茅 demasiado. A 煤nica coisa capaz de me salvar da fal锚ncia e da vergonha seria a morte desse homem."
O rel贸gio acabava de bater as tr锚s. O banqueiro p么s-se 脿 escuta. Naquela casa todos dormiam; apenas se ouvia do outro lado da janela o rumor das 谩rvores cobertas de gelo, agitadas pelo vento. Procurando n茫o fazer o m铆nimo ru铆do, o velho tirou do cofre-forte a chave da porta que n茫o fora aberta nos 煤ltimos quinze anos, vestiu o sobretudo e saiu. O jardim estava escuro e gelado. Chovia. Um vento h煤mido e cortante gemia, n茫o deixando 脿s 谩rvores um instante de repouso. Por mais que se esfor莽asse, o banqueiro n茫o conseguia distinguir o solo, nem as brancas est谩tuas, nem o pavilh茫o, nem as 谩rvores. Ao aproximar-se do local onde se erguia o c谩rcere do estudante, chamou duas vezes pelo guarda, n茫o tendo obtido resposta. O homem, evidentemente, abrigara-se do mau tempo, e naquele instante estava a dormitar em qualquer canto da cozinha ou da estufa.
"Se eu tiver coragem de executar o meu intento 鈥 pensou o anci茫o 鈥, as suspeitas recair茫o, em primeiro lugar, sobre o guarda."
Tacteando, encontrou os degraus e a porta; entrou no vest铆bulo do pavilh茫o. Em seguida, enfiou por um estreito corredor e acendeu um f贸sforo. N茫o havia ali vivalma. Apenas se lhe deparou uma cama por fazer e, ao canto, a sombra de um fog茫o de ferro fundido. Os selos da porta dos aposentos do prisioneiro achavam-se intactos.
Quando o f贸sforo se extinguiu, o banqueiro, a tremer de impaci锚ncia, espreitou pela janelita.
No quarto brilhava a d茅bil luz de uma vela. O prisioneiro, de que s贸 se viam as costas, o cabelo e as m茫os, estava sentado ao p茅 da mesa. Sobre esta, as duas cadeiras e o tapete havia livros abertos.
Decorreram cinco minutos sem que o ocupante daquele quarto esbo莽asse um movimento. Em quinze anos de pris茫o aprendera a conservar-se sentado em perfeita imobilidade. O banqueiro bateu com os dedos na janela, mas nem assim o prisioneiro se mexeu. Arrancou, ent茫o, os selos da porta e meteu a chave na fechadura. Esta, coberta de ferrugem, deixou ouvir um gemido rouco, e a porta rangeu. O anci茫o esperava escutar imediatamente um grito de espanto e o som de passos, mas tr锚s minutos se passaram e l谩 dentro tudo continuou t茫o calmo como antes. O banqueiro resolveu entrar.
Diante da mesa achava-se sentado um homem diferente dos vulgares seres humanos. Era um esqueleto recoberto de p锚lo, com longo cabelo encaracolado, semelhante ao de uma mulher, e de barba desgrenhada. O rosto ostentava uma tonalidade amarela, com certo matiz terroso; tinha as faces encovadas, as costas compridas e estreitas; e a m茫o, sobre a qual descansava a cabe莽a, estava coberta de cabelo. Era t茫o magra e di谩fana, que contempl谩-la at茅 causava pena. A sua comprida cabeleira come莽ara j谩 a encanecer, e ningu茅m acreditaria que aquele rosto senil, emaciado, pertencesse a um homem de quarenta e cinco anos apenas. Em cima da mesa, diante da sua cabe莽a inclinada, via-se uma folha de papel, na qual havia algo escrito em letra miudinha.
"Pobre homem! 鈥 pensou o banqueiro. 鈥 Est谩 a dormir e, provavelmente, a sonhar com milh玫es! Bastar-me-谩 pegar neste ser semimorto, atir谩-lo para cima da cama, apert谩-lo um pouco com o travesseiro... e nem o mais minucioso exame descobrir谩 qualquer sinal de morte violenta. Antes, por茅m, leiamos o que ele escreveu."
O anci茫o pegou na folha de papel que estava sobre a mesa e leu:
| Cita莽茫o: |
Amanh茫, ao meio-dia em ponto, recuperarei a minha liberdade e o direito de conviver com as outras pessoas. Antes de deixar este quarto e rever o Sol, julgo, contudo, necess谩rio dirigir-vos algumas palavras. Com a minha consci锚ncia limpa e perante Deus que me v锚, afirmo o meu desprezo pela liberdade, a vida, a sa煤de e tudo quanto nos vossos livros se chama bens do mundo.
Durante quinze anos estudei atentamente a vida terrena. Verdade 茅 que eu n茫o via nem a terra nem os homens, mas, atrav茅s dos vossos livros, bebia arom谩tico vinho, entoava c芒nticos, perseguia, nas florestas, veados e javalis, amava mulheres... E beldades vaporosas como nuvens, criadas pela magia do g茅nio dos vossos poetas, visitavam-me de noite e murmuravam-me contos maravilhosos que me embriagavam os sentidos. Nos vossos livros eu escalava os cumes do Elbruz e do Monte Branco, donde avistava, de manh茫, o sol a nascer e, 脿 tarde, a inundar o c茅u, o oceano e as cristas das montanhas com o seu ouro carmesim. Via dali, por cima de mim, brilharem os rel芒mpagos, rasgando as nuvens; contemplava florestas verdes, campos, rios, lagos, cidades; ouvia o c芒ntico das sereias e o toque das flautas pastoris; e sentia as asas de belos dem贸nios que voavam na minha direc莽茫o para me falarem de Deus... Gra莽as aos vossos livros despenhava-me em abismos sem fundo, obrava milagres, incendiava cidades, pregava novas religi玫es, conquistava reinos inteiros...
Os vossos livros deram-me a sabedoria. Tudo quanto o infatig谩vel pensamento humano criou durante s茅culos acha-se comprimido numa pequena bola dentro do meu c茅rebro. Sou mais inteligente que todos v贸s, bem o sei.
E desprezo os vossos livros, desprezo todos os bens e a sabedoria deste mundo. Tudo 茅 f煤til, ef茅mero, quim茅rico e enganoso, como uma miragem. Embora sejais orgulhosos, s谩bios e belos, a morte h谩-de apagar-vos da face da terra como os ratos dos campos, e a vossa descend锚ncia, a vossa hist贸ria, a imortalidade dos vossos g茅nios desaparecer茫o, gelados ou consumidos pelo fogo, juntamente com o globo terrestre.
Sois insensatos e seguis caminho errado. Tomais a mentira pela verdade e a fealdade pela beleza. Espantar-vos-铆eis se v铆sseis, de s煤bito, as macieiras e as laranjeiras produzir r茫s e lagartos, em lugar de frutos, e se as rosas come莽assem a exalar cheiro a suor de cavalo. Pois igual espanto eu sinto ao verificar que trocais o c茅u pela terra. N茫o quero compreender-vos.
Para vos demonstrar o meu desprezo por tudo aquilo que constitui a raz茫o da vossa vida, recuso os dois milh玫es com os quais sonhei em tempos como se fossem o para铆so, mas de que agora desdenho. Para me privar do direito 脿 sua posse sairei daqui cinco horas antes do prazo estipulado, violando assim o contrato. |
Terminada a leitura, o banqueiro rep么s a folha em cima da mesa, beijou a cabe莽a daquele estranho homem, desatou a chorar e saiu do pavilh茫o. Nunca, em qualquer outra ocasi茫o, nem mesmo ap贸s as suas maiores perdas na Bolsa, ele experimentara tamanho desprezo por si pr贸prio como agora. De volta a casa atirou-se para cima da cama, mas durante largo tempo a excita莽茫o e as l谩grimas n茫o lhe permitiram adormecer...
Na manh茫 seguinte, os guardas acorreram muito p谩lidos e comunicaram ao banqueiro que tinham visto o homem do pavilh茫o saltar da janela para o jardim, dirigir-se para o port茫o e depois desaparecer. O velho, acompanhado pelos criados, encaminhou-se logo para o que fora o c谩rcere do estudante e verificou a sua fuga. A fim de evitar coment谩rios in煤teis, pegou na folha do papel que continha a ren煤ncia do prisioneiro e, quando chegou a casa, fechou-a no cofre-forte. |
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