Paraíso Niilista – O Vazio e o Nada se encontram



Uma profecia?

 
Novo tópico   Responder tópico    Paraíso Niilista - Índice -> Fórum Poemas e Poesia
Exibir tópico anterior :: Exibir próximo tópico  
Autor Mensagem
Eustaquio Maia




Idade: 74
Registrado: 12/05/05
Mensagens: 391
Localização: Belo Horizonte

MensagemEnviada: 08/05/2006 - 09:24:36    Assunto: Uma profecia? Responder com citação

IDEALIZAÇÃO DA HUMANIDADE FUTURA

Rugia nos meus centros cerebrais
A multidão dos séculos futuros
- Homens que a herança de ímpetos impuros
Tornara etnicamente irracionais!

Não sei que livro, em letras garrafais,
Meus olhos liam! No húmus dos monturos,
Realizavam-se os partos mais obscuros,
Dentre as genealogias animais!

Como quem esmigalha protozoários
Meti todos os dedos mercenários
Na consciência daquela multidão...

E, em vez de achar a luz que os Céus inflama,
Somente achei moléculas de lama
E a mosca alegre da putrefação!

Augusto dos Anjos (1884-1914)
_________________
"In a time of universal deceit, telling the truth is a revolutionary act." George Orwell

Eustáquio Maia
Voltar ao topo
Exibir o perfil do usuário Enviar mensagem privada Enviar e-mail Visitar o website do usuário
t. h. abrahao

Fundador PN


Idade: 41
Registrado: 22/01/05
Mensagens: 574
Localização: são josé do rio preto - sp

MensagemEnviada: 08/05/2006 - 19:31:41    Assunto: Responder com citação

Nunca encontrei um poema sequer do Augusto dos Anjos que, após a leitura, eu não pensasse na genialidade do poeta. Sem dúvida uma mente brilhante que, como pouquíssimos, traduziu em versos a natureza humana.
Voltar ao topo
Exibir o perfil do usuário Enviar mensagem privada Enviar e-mail Visitar o website do usuário MSN Messenger
Eustaquio Maia




Idade: 74
Registrado: 12/05/05
Mensagens: 391
Localização: Belo Horizonte

MensagemEnviada: 06/06/2006 - 11:50:07    Assunto: As cismas do destino Responder com citação

E, como pode ver, em As Cismas do Destino, ele não deixou por menos.

Nas agonias do delíríum-tremens,
Os bêbedos alvares que me olhavam,
Com os copos cheios esterilizavam
A substância prolífica dos semens!


Enterravam as mãos dentro das goelas,
E sacudidos de um tremor indômito
Expeliam, na dor forte do vômito,
Um conjunto de gosmas amarelas.


Iam depois dormir nos lupanares
Onde, na glória da concupiscência,
Depositavam quase sem consciência
As derradeiras forças musculares.


Fabricavam destarte os blastodermas,
Em cujo repugnante receptáculo
Minha perscrutação via o espectáculo
De uma progênie idiota de palermas.


Prostituição ou outro qualquer nome,
Por tua causa, embora o homem te aceite,
É que as mulheres ruins ficam sem leite
E os meninos sem pai morrem de fome!


Por que há de haver aqui tantos enterros?
Lá no "Engenho" também, a morte é ingrata...
Há o malvado carbúnculo que mata
A sociedade infante dos bezerros!


Quantas moças que o túmulo reclama!
E após a podridão de tantas moças,
Os porcos esponjando-se nas poças
Da virgindade reduzida à lama!
_________________
"In a time of universal deceit, telling the truth is a revolutionary act." George Orwell

Eustáquio Maia


Editado pela última vez por Eustaquio Maia em 09/06/2006 - 10:35:31; num total de 1 vez
Voltar ao topo
Exibir o perfil do usuário Enviar mensagem privada Enviar e-mail Visitar o website do usuário
Mostrar os tópicos anteriores:   
Novo tópico   Responder tópico    Paraíso Niilista - Índice -> Fórum Poemas e Poesia Todos os horários são GMT - 3 Horas
Página 1 de 1

 
Ir para:  
Você não pode enviar mensagens novas neste fórum
Você não pode responder mensagens neste fórum
Você não pode editar suas mensagens neste fórum
Você não pode excluir suas mensagens neste fórum
Você não pode votar em enquetes neste fórum





    RSS Paraíso Niilista
  Paraíso Niilista – O Vazio e o Nada se encontram
Copyright © Paraíso Niilista – O Vazio e o Nada se encontram
:: Caso encontre erros, aprenda com eles ::
[On-line há ]
[última atualização: 23/01/2026]
  [Powered by]
intelligence...