Paraíso Niilista – O Vazio e o Nada se encontram


 
Seção Poemas
 

ilusões

Se eu quisesse ser feliz
Seria um escravo
Se eu quisesse ser triste
Seria um pensador
Se eu quisesse ser lúcido
Seria um louco

Eu que já fui triste
Eu que já fui louco
Senti pungente a dor
De ver que tudo é nada
E bebia do amargor

Toda paixão dói
Quando não é escravidão
Agora mato o olho agudo
Que matou minha paixão

Enquanto corre meu tempo
Corro em direção ao nada
E correndo para o nada
Me esvazio até a meta
A meta de minha paixão
Vazia e alegre ilusão

Sua vontade vazia e cega
Alimenta meu sorriso
Preenche o vazio da dor
Com o vazio alegria

Este pomposo teatro oco
É o valor desta paixão
É a ilusão de um valor
Que não tem valor

Morrem nossas vidas
Mas nunca morre o sonho
Este sonho que é ilusão
Paixão cega e pueril

Ordena a paixão:
Siga-me à recompensa!
Siga-me ao vazio da felicidade
Venha e abrace e ame
O ouro falso desta alegria

Se vazio é o certo
Se vazio é o errado
Tola e vazia é minha dor
Tola e vazia é minha paixão

Pois se nada é certo
Pois se nada é errado
Prefiro sorrir na ilusão
A sangrar pelo vão

Ó efêmera besta cargueira
Qual é sua paixão?
Qual a cor da sua ilusão?
Pois nesta vida
Onde tudo é vão
O cinza e a escuridão
São coloridos pela paixão

Abandonar a paixão
É vivo ser cadáver
Abraçar a dor
É tola e estulta pretensão

Pois então vivo em feliz ilusão
Só ela colore a escuridão
Só ela liberta desta prisão
Só ela alegra a dor
De viver em vão

André Díspore Cancian
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[última atualização: 15/11/2015]
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