Paraíso Niilista – O Vazio e o Nada se encontram


 
Seção Poemas
 

máscara

Quantas profundezas há no humano
E quantas delas são máscaras
Quanto disso é escudo
Quanto disso é carne viva
Quanta dor é cena
Quanto é aço real

Enfrente cada máscara
Desafie cada profundeza
Aponte o meu abrigo
Quebre minhas muletas
Encontre o ponto fraco
Analise meus complexos
Destaque a inconsistência
Confirme a veracidade
Catalogue as mentiras
Traduza a mente
Refaça a ordem
Articule relações
Em preto e branco
A solução do enigma

Diga onde está o refúgio
Ilumine meus recônditos
Exponha meus medos
Desmantele as certezas
Refaça minhas dúvidas
Realce o evasivo
Em cada máscara
Explique seu reflexo
Em cada cor do sentir
Exponha uma existência
Até o abismo infinitesimal
Que remete ao meu âmago
Como um frio na espinha
Um além-das-aparências
Distinga as entrelinhas
Delineie as nuances
E nelas perceba as portas
Invente as suas chaves
Equacione meu tesouro
E me revele a solução
Pulsando na vivência
Esquecida num quarto
Silente como uma criança
Triste, suja e cansada
Sem que haja abrigo
Nos braços da solidão
Onde só sobrevive esperança
Misturada ao pó e às lágrimas
Esperando uma chance de falar
Pela boca de outrem

II

Sou os atos de uma mente
                  [viva
Igualmente verdadeiros
E igualmente falsos
Defina a profundeza
Deste meu embate

Olhe nos meus olhos
Não sou um espelho
Não sou suas verdades
Desvie o olhar e pense
Respire e diga algo real
Mostre minha realidade
               [humana
Aponte e não diga mais nada
Dispenso as razões da mentira
Dispenso as razões da verdade

Estou farto de vísceras
Essências de máquinas
Explicações e óticas
E mentiras profundas

Quem passou por mim
       [passou através
Quem pensou me decifrar
             [fez o enigma
Quem revolveu minhas máscaras
                  [não viu vulto
Quem explicou minha profundeza
                     [fez o abismo

Quem não sente o pulsar plano
E o sensível discorrer no raso
Sequer adivinha a riqueza
           [da superfície
Em que o viver se derrama
Como a realidade de sentir-se fluir
                         [no agora
Como uma profusão vivaz
              [aos olhos
Como uma sobrecarga
         [aos nervos
Como uma intensidade real
                [à mente
Como uma verdade fatal
             [ao medo

Amordace sua vaidade
             [erudita
Antes que ela resmungue
O sancta simplicitas!
Guarde suas abstrações
A quem vive em escuridões
             [metafísicas
E se lhe aprouver
Faça-se esquecer
Que tentou ver
E não veja que viu
             [nada

André Díspore Cancian
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[última atualização: 15/11/2015]
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