Paraíso Niilista – O Vazio e o Nada se encontram


 
Seção Poemas
 

megalografia

Acumular potência para a investida
Coroar o início com uma jura sumária
Adiantar-se no tempo – um lapso
Negar do presente o impreciso
Imprimir seu ímpeto no futuro
Trespassar o destino em atos
De uma audácia inaudita
Ignorar história e estatística
Numa marcha implacável
Onde o dúbio é uma piada

Antes de qualquer confronto
Ser a vitória por princípio
Desviar-se da sujeira
Dos restos prostrados
Daquilo que não merece
Tempo para ser derrotado
Por uma fúria tão esplendente

O sumo da vontade de potência
Estrondosos passos irresolutos
Cavando fendas categóricas
Não uma arritmia histérica
De covardia estratégica
Mas um fato consumado
Antes do tempo alcançá-lo

Ser distinção absoluta
Em altura vertiginosa
Separando o alarido
Programado e vulgo
Do silêncio imposto
Pela hegemonia patente
Da uma altivez inconteste
Que superou a si mesma
Que destronou o mestre
Sem um risco de suor
Sem traços de sangue

Findada a trajetória
Mergulha na nulidade
Da imunidade concludente
Envolta em letargia e negrume

Sua potência bestial adormece
Vendo o presente fazer-se mudo
Desvanecer num abismo vago
Onde tudo está consumado
Num universo solitário

Assim espera no tempo
Um dia vazio que desponte
Trazendo ao viver liberdade
Para mais café e videogame

André Díspore Cancian
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[última atualização: 15/11/2015]
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