Paraíso Niilista – O Vazio e o Nada se encontram


 
Seção Poemas
 

Onde o tempo passa lento

Estou onde o tempo passa lento,
Contando horas que se repetem como cada dia.
Mais um dia ou apenas um dia?
Contagem regressiva para zero horas!
Na esperança de continuar procurando mudanças
que finjo não saber que nunca se renovarão.
Queria viver cada dia como se fosse o primeiro de uma vida,
mas disso só restam as lágrimas para lamentar;
o desprezo por ter aberto so olhos onde os demais permanecem fechados.
Tenho o grito abafado que alcança só os que me rodeiam e já não
mais precisam saber, já sabem!
Ah, se eu pudesse...
Liberdade seria o grito de guerra se não fosse apenas
uma expressão para àqueles que pensam ser livres.

– LI-BER-DA-DE: [ no lat. libertate]
* Faculdade de cada um se decidir ou agir segundo a própria
determinação;(?)
* Faculdade de praticar tudo quanto não é proibido por lei;(?)
* Estado ou condição de homem livre.(?)

Eis a definição de uma palavra que não passa apenas de mais
uma entre tantas outras perdidas nas páginas de um dicionário.

Fim – única base sustentável.
[agora sim...]
Sim! consigo pensar e ainda sorrir em saber que o fim não é só imaginário,
teórico. – é real, é pratico, é o tão esperado descanso eterno.
Mas enquanto isso, permaneço onde o tempo passa lento...
Quisera pudesse ser um escarro
...................[dormente
Cuspido no mundo, no fundo do nada
E explodir na inexistência tão brevemente
Quanto merece um escarro ter essência
Mas meu viver não se perde: se sente...
Como arquiteto da estrada
Do nada da vida
............[ao nada
De pedras rachadas
De mágoa e tristeza
De todo o tão pouco
Com que o desprazer abraça
O vulto de um sonho
Abandonado ao lado dos momentos
Em que se troca por memória
Em que se troca os pormenores
Pelo que pudermos inventar
.............................[e distanciar
Em mentira feita vista, feita história
Feito o teatro, feito o caminho

Mas se não...
Então avante toda honestidade
Que uma hora pesada pode evocar
Que se levante por sua certeza
E que lute pela tristeza
Em legítima defesa
Vista a vista branca
E a alma negra
O verbo tinto
E o brado austero
Aleijando a fraqueza
Desmentindo a vida
Escudando a nobreza
De quem padece e não mente
De quem não vive e ressente
O nada que nos irmana
...............[para nada
....................[para sempre...
tempo-intento lento insano
tempo horas rapidez sem espera nem sabor
aumento
diminuto feito asco
fato
feto por nascer
sem motivo nem instante há perigo no perigo
calmaria na leveza da ilusão de ser assim

Onde o tempo passa lento?
Nas asas do pensar, nas garras do distante firmamento
que nos foge ao mais um passo darmos?

sozinhos, em conjunto,
com esforço ou deitados (contemplando o espaço)
casto e sem agouro, captamos a mensagem das estrelas
                                   [para nada

onde o tempo passa e nada se vê
o que há para notarmos?
cada um, qualquer nenhum sem hora marcada
escreve em cada pergaminho com a tinta dos martírios
com dedos trêmulos e mãos sem jeito
cada um, algum sujeito com alguma vida e alguma história

tempo-intento insanidade
se esperamos, é em vão
se não há paciência, ganhamos a razão de ser assim
lúcidos,
lépidos, lastro louco
insinuando a negação
verso de versão versada num tal momento
que é fingimento ou alimento para os sonhos

o resto é resquício reles raptado
esquecido atrás do torpos da vida
coagido frente ao nada que é mentira
de conter-se no espaço do momento
deste tempo a passar tão lento quanto as palavras
                                [de um poema

Flávia Dellamura
Thiago Henrique Abrahão
André Díspore Cancian
[sine data]
 
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[última atualização: 15/11/2015]
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