Paraíso Niilista – O Vazio e o Nada se encontram


 
Seção Poemas
 

Sinto muito

Em meia-luz sinto o que estou
          [ainda não sei se sou
um meio sorriso inda que falso
um olhar cansado descobrindo limites
uma voz fraca a dizer e a coragem de dizê-lo
uma acumulação de pequenas memórias
num dia de cinzas.]

[Cercada de coisas estranhas produzindo versos na espera de um poema
vou me perguntando se somente em pedaços aprendemos a buscar todo o
desejado que caminha rumo a lugar nenhum,
dando duro sem reconhecimento,
sem me importar com o tamanho da ferida que passo a carregar]

[Eu sinto muito
por nada
por existirem palavras
por celebrarem a amizade
pela dificuldade de ser feliz
por sobreviver a cada pôr-do-sol
pela sensibilidade causada ao abrir a porta e partir.]

[Eu sinto muito
em algum momento
no mínimo momento
na insegurança
e no querer saber por que não há valor.]

[Eu sinto muito
por complicar aquilo que é simples
por aprender só depois de ter perdido quando poderia me apegar a tudo aquilo que sei
por olhar ao redor há horas com pura secura e não perceber uma coisa nem outra]

[Eu sinto muito
por ouvir minha própria voz
por não buscar outros sentidos
por saber que não existe um sentido
por ignorar os fortes gritos mais dóceis que o riso.]

Dentre mil viagens que a vida pode proporcionar,
prefiro àquelas feitas contigo
                                [sábio,
seu poder de simplificação,
da sua voz a qualidade de agudos, médios e graves
perfeitamente engajados num sentido único e conciso,
resultado de uma melodia que passarei a vida assobiando,
como se fosse tudo bem simples.]

[Eu sinto muito
mas não quero sentir.
Proponho tempos raros,
uma poesia alucinante
e uma seqüência de imagens inesquecíveis.]

Juntemos nossas vidas
transformaremos num reino,
cada um conquistando o que tecer.
E o que agora [Sinto muito
é querer estar contigo
dias e dias entre
palmas e palmeiras
entre o primeiro e o último grito de guerra
entre os muros e as grades protegida
pelos duros músculos de você, meu herói
entre lágrimas e sangues derramando-se
ao chão em busca do querer-estar.]

E aqui [Estou
de corpo,
asas e
feridas.

Para você: farturas de amor e realizações
definindo minha identidade nas extensões
corporais de nós mesmos.]

É obscura a condição
mas há muito o que [caminhar
além dos olhos;
além do sentir;
além do amar;
além da necessidade de
Eu sentir muito.]

Flávia Dellamura
[sine data]
 
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[última atualização: 15/11/2015]
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