Paraíso Niilista – O Vazio e o Nada se encontram


 
Seção Poemas
 

sonhos

Tudo estava morto
E num arranjo da poeira do nada
Aparece luz a novos desgraçados
Quem vê nisso alguma sanidade?

Neste ato a vida se manifesta
Neste ato o ser se detesta
E inveja tudo que inda dorme
No sonho da noite eterna

Num canto esquecido
De algum astro mofado
A desilusão está à espera
À espreita de quem acorda
Na sina do nada em cada fato
Da ignorância predestinada
Da existência quantificada
Chances disso, dores daquilo
Haja esperança para suportar
O tédio desta despedida

Crenças perdidas
Erros aprendidos
Relação de desistir
Ou esperar hora certa
Uma fórmula química
Para quem luta
Uma desculpa
Para quem perde

Nem sempre se acerta
A simetria da equação
Nem sempre se aceita
A desculpa da física
Mas nada pode parar
Até o lixo auto-imune
Depois da quarentena
Tem de cooperar

Doses sistemáticas
Para miséria endógena
Serenidade intravenosa
Para crise existencial
Soro e água santa
Para lavagem cerebral
Manutenção antientrópica
Para heteropatia crônica

Um relatório preciso
Da espécie mutacional:
Mania de misantropia
Imprecisão reacional
Alocromia intelectual
Disfunção direcional
Alofasia intencional
Indiferença emocional
Rejeição sócio-colateral

Meus cacos
Não formam um corpo
Mas que adianta falar...
Humanidade reincidente
Exige remoção definitiva
Extirpação do supérfluo
Instalação do robótico
Reciclável e não-tóxico
Amor ao próximo

Esqueça a hemorragia
Mas esconda o sangue
Sorria e finja o resto
          [está morto
Como esperado
Para que soubesse
A punição de quem sonha
Um passo além do permitido
Aos infantes convocados

André Díspore Cancian
[sine data]
 
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[última atualização: 15/11/2015]
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