Paraíso Niilista – O Vazio e o Nada se encontram


 
Seção Poemas
 

tédio

Vou definhar aqui
No quebrar-os-DNAs
De cada nascer do sol

Isso me vem como um nojo
           [de respirar
E um ter de respirar
Para o que não quero

É o tédio, o grande, absoluto tédio
Sempre à espera da liberdade
De quem só tem mentiras a escolher

Reveste o tempo de chumbo
E aquilo que sempre quis
Demora para sempre a chegar

Mas quem ainda espera?
Não é que esta ilusão
Se apropria dos pensamentos!

Por falta de algo
Por falta de algo eu sou assim
E ainda me falta a palavra!

Não vou partir
Não quero chegar
Mais cansado por nada

Meu quadro é simples
Com previsão simples
E as convulsões: todas simples!

Não ser nada nisso tudo
Nascer nesse nada todo
Nenhum suspiro alivia

A covardia? Sei de cor
Bastam alguns nãos
Para que se fuja disso tudo

Lutar ostenta poder
O expectador não
Tem esse pressuposto

Dizem-me que deveria
Ser muitas outras coisas
Mas nada pode mudar?

Felicidade – está correto?
Está no dicionário
Da metafísica dos imbecis

A página vira
Mas a história é a mesma
Melhor seria esquecer

Melhor seria dar cabo a tudo
Mas com que direito a natureza
Me estraga até o sono!

E desprezo, com todo direito!
Minto e provo as mentiras
Para justificar mais desprezo

Mas tudo me pesa demais
Qualquer droga me pesa demais
Viver me é como existir às avessas

Só mais um dia qualquer
Em que o tempo não passou
Em que nada passou
        [e esqueceu

André Díspore Cancian
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[última atualização: 15/11/2015]
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