Paraíso Niilista – O Vazio e o Nada se encontram


 
Seção Poemas
 

transição

Mais que ansioso de estar só
Ansioso de pensar-me só
E ter a escolha
Quando nada me coage
              [a nada
E nada indica suspeita
                  [nenhuma
Coisa me traria mais conforto
Que fechar os olhos secos
Como se por eles houvesse
Passado um tiro
(de qualquer narcótico)

Ando os cômodos perturbado
Mas nada –––––––––––––––
Além de pedra, assento e desalento
Que por aqui, por hora, passa
Mas só por este momento sifilítico
Chamado vida

De ir e de voltar e de repensar
e de refazer e desmanchar este gueto
Sei cada poeira, todo o podre
O sei de cor, enfastiado disso
Espio e janela e adivinho a fuga
À rua à procura do novo
Mas rechaço esta novidade
                     [de oco
Este cenário erigido ao pão e circo
Isso fede mais ao pensamento
Que sua gente feliz e contente
Em ser demente que consente
E acreditar que seus filhos
– eles sim –
Serão diferentes, bem à frente
Da história tempo que o desmente

Sou ranzinza como um velho
Tivesse minha mente a idade que pensa
Estaria satisfeita e decomposta
Enquanto é sustada por este monte de
                                  []

Sei bem o que apodrece meus sonhos
E meus pensamentos e minhas
  [explicações]
       [explicações]
             [explicações]
                    ||||====|[soluções e||||||||]|==-------
                   [mais explicações e]
    [mais soluções]
Intravenosas
Para fatos abstratos
Descritos muito melhor
Por qualquer bula de remédio

[Transição]

[Simulação de uma descrição
de uma transição de estado mental
                     [post-factum

Vejo o vácuo ver-se vivo e admito – não entendo
Por que há vácuo vivo, e ainda pensa?
Que se danem as mentiras de arte
Poetar não é só dizer mentiras bonitas
Um erro de memória explicaria
                       [melhor
Porque...
[[ Inutilia truncat ]]]

[estabilização]
[retorno]

Etc., deste modo e portanto
Quem se interessa, viva este perjúrio
Esta anemia e esta falta deste sabor
De contradição, e o guarde consigo
Satisfeito em ter-se tornado mais infeliz

[Agora está tudo bem]

Eu consigo ser medíocre
Sem levantar protestos
À existência ter-me nela
Sem qualquer importância

Me sinto vivo – sem esquecer uma vírgula
Do pesadelo que então me abandona
– Agora desprezo esses meus versos
Com a certeza de que retornarei
A eles como um tesouro
Quando sentir-me
Novamente
Morto

André Díspore Cancian
[sine data]
 
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[última atualização: 15/11/2015]
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