Paraíso Niilista – O Vazio e o Nada se encontram


 
Seção Reflexões
 

navalha de cancian

Assim como temos a Navalha de Occam, como o princípio lógico segundo o qual, ao explicar um fenômeno, não devemos buscar soluções desnecessariamente complexas, mas, pelo contrário, nos ater às hipóteses mais modestas, desde que sejam capazes de explicá-lo suficientemente bem, é admissível propor, a título de escárnio, a Navalha de Cancian, como o subprincípio segundo o qual as entidades não devem ser elogiadas desnecessariamente. Ou seja, quanto mais uma teoria é elogiosa ao seu dono, mais probabilidade tem de estar errada. Não deve massagear o ego de seu representante além do estritamente necessário. De fato, seria até recomendável partirmos das premissas mais detestáveis e insultuosas que pudermos sustentar, pois invariavelmente correspondem às mais simples e prováveis. Um exemplo de sua aplicação: ao ouvirmos certo indivíduo alegar que possui a capacidade de transgredir as leis físicas, o que deveríamos pensar? O indivíduo diz que, se estiver suficientemente concentrado para canalizar certas energias misteriosas, desconhecidas e indetectáveis, conseguirá o impossível — mesmo que com finalidades irrelevantes, como conversar com defuntos. Ou seja, afirma ser capaz de realizar aquilo que ninguém nunca conseguiu comprovar. Temos duas possibilidades diante de nós: 1) os neurônios desse indivíduo realmente são capazes de causar convulsões espaçotemporais e acessar uma realidade paralela na qual existem defuntos incorpóreos dispostos a bater papo; ou 2) trata-se de um idiota. O que é mais provável?

André Cancian
2011
 
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[última atualização: 15/11/2015]
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